sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

sempre

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dia vinte nove de novembro de mil novecentos e oitenta e sete, nasceu o meu irmão do meio. dez de dezembro de mil novecentos e noventa, nasceu a minha irmã mais nova. dezesseis de dezembro de mil novecentos e cinquenta e três, nasceu minha mãe. onze de maio de mil novecentos e cinquenta, nasceu meu pai. é interessante como nunca esquecemos o dia do nascimento das pessoas a quem amamos. intrigante como ninguém lembra o dia em que nasceu jesus.

aquele que mudou a ordem das coisas e rasgou a história em duas, não teve aplauso nem lembrança. o que talvez cumpra um propósito. o poder de sua vida não cabe nas horas silentes de um dia qualquer na linha da história, mas ultrapassa as fronteiras da pequenina belém e alcança os espaços abertos no coração de quem, em qualquer tempo e lugar, volta à cena da manjedoura, em busca de pureza e graça. temos um conterrâneo na trindade. ele nasce hoje e sempre.



feliz sempre!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

riso do mar

estou na praia, vejo o mar. olho pra ele e ele pra mim. e ri, com seus dentes brancos espumantes numa constante galhofa que não quer cessar.

- me parece feliz, lhe digo. da última vez que nos vimos estavas soturno, introspectivo; eras mar com alma de lagoa.
- tenho lá meus humores, me diz assim, na lata.

e me dou conta que há bem pouco tempo nos havíamos encontrado, esse mar de "bela e santa catarina" e eu. pra ticamente só nós dois, num outro amanhecer qualquer, enquanto muitos dormiam e de olhos abertos, na pós madrugada, frente a frente nos contemplávamos.

- rio porque sou mar, me diz. e eu respondo: mar não ri. tu és mar, não rio. sei que tens boca, esôfago e estômago já que tragaste a muitos e a tantos outros embalsamaste aprisionando-os na tua tumba salina. simplesmente mar não ri, chora. e quando está contente, chora de alegria porque mar é uma imensa lágrima salgada quase infinita que existe pra chorar. e ele indiferente ri, olhando pra mim, e eu pra ele. com aqueles dentes brancos espumantes que não cessam de gargalhar.
- tu não sabes nada de mar pois és gente. gente que ri e que chora e de quando em vez derrama umas poucas lágrimas de sal.
- ris de que? pergunto eu. - de mim ou para mim?
- nem de ti, nem para ti, infeliz. rio da vida, me responde.
- da vida coisa nenhuma, incomodado retruco. tu és mar, saber pouco da vida. e se realmente soubesses então sim, talvez ririas. tu sabes mais de morte que de vida já que em tuas entranhas jazem sepultadas embarcações, marujos e toda sorte de gente.
- já vi que não sabes nada, me diz. sou mais da vida que da morte. em mim existe abundância de vida; são algas, são peixes, são seres aos milhares que vivem de mim, vivem em mim, vivem pra mim. isso que é vida! vocês, que são gente é que são de morte pois vem ao meu encontro para ceifar vidas. e não parecendo satisfeitos, mais tarde, divertem-se com maus cadáveres. se põem a atacá-los de garfo e faca em cima de suas mesas, na arena de seus pratos. e ainda por cima riem!
- eu sim, sou da vida, e é por isso que você vem ao meu encontro no começo da luz do dia pra engolir minha beleza, e com os olhos se encher de vida. sou da vida, da alegria pergunte às crianças que de mim se deliciam, e nas minhas praias se divertem construindo castelos de areia!

- aha, agora te peguei! da vida coisa nenhuma; tu és de morte, sorrateiro e vingativo, pois quando menos se vê, vens e destróis os castelos, as muralhas, os sonhos de qualquer criança, de qualquer pessoa, impiedosamente.
- e a vida não é assim, por acaso? me diz? um constante erguer, desmanchar e reerguer de castelos, planos e sonhos? constantemente? assim é a vida, assim é o mar, e ri esbaforido.

reflito, penso e rio. agora rio eu, tanto que não me aguento. que de um instante pra outro consigo entender que o mar chora e ri quase ao mesmo tempo. é da morte e é da vida, mais da vida que da morte. é igual a gente, assim, criatura. e rio tanto que me dói o estômago, de tanto rir e me encharco de lágrimas, salgadas, como o mar. e passo a desejar a todos que me amam e a todos quantos amo, simplesmente, a vida, o mar. e àqueles que desafortunadamente não tem mar, apenas rio.




ps texto por jader santos.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

negócios

"não farás nenhum trabalho" (êxodo 20:10).
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na alemanha do século dezenove, um judeu reuniu sua família ao redor da mesa e disse que a partir daquele dia não iriam mais à sinagoga, mas à igreja luterana de sua cidade. o filho ficou triste, decepcionado e questionou a atitude do pai. a resposta foi simples: "é bom para os negócios.."
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dos mandamentos de Deus, existe um que viola todas regras da coerência humana, ameaça o instinto de sobrevivência e convida a depender. o sábado não faz sentido para quem segue a Deus de acordo com a própria lógica, opiniões ou vantagem pessoal. mas o que há de especial nesse pedaço do tempo?

é interessante observar a estrutura poética do relato da criação. existe um paralelo implícito, uma relação de complemento na sequência em que tudo é criado. assim, o "sem forma e vazio" é preenchido. se no primeiro dia, a luz é criada, no quarto, o sol e a lua ocupam o espaço. no segundo dia se dividem águas e ar, no quinto, são criados seres para viverem nas águas e nos ares. no terceiro dia aparecem a terra seca e a vegetação, no sexto, homem e animais passam a habitar o lugar. para o sétimo dia não há um complemento natural. o próprio Deus abençoa e santifica este dia com sua presença. o criador ultrapassa os limites do espaço e dá significado a um espaço no tempo.

o sábado é um convite à reorientação das prioridades da vida. na presença de Deus nossa vida ganha sentido. os sentidos, a lógica e a religião nos dirão para esquecer o que Deus nos pediu para lembrar. a decisão indicará a quem servimos, quem é o dono de nossa vida, nossos negócios.

o sábado é o mandamento sem sentido, mas suas horas relembram o sentido da vida.
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o menino cresceu e anos depois se mudou para a inglaterra, onde formulou algumas teorias contra os negócios. seu nome? karl marx.



descanse.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

multirão

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neste sábado estarei na iasd de moema, participando de um programa especial. o multirão de natal já fez história no brasil e tem, ano após ano, mudados histórias. em moema, teremos a participação especial da cantora joyce carnassale.

se você é de moema, apareça. sábado, 12/12, às 5pm. a gente se vê. abraço.