segunda-feira, 30 de março de 2009

instante

eu sei o quanto eu te fiz sofrer / o quanto quis me esconder / de tudo que eu não senti / eu sei, o tempo pode desfazer / o que ninguém lutou pra ser / instante que só eu guardei / quem sabe algum dia eu consiga entender / mas hoje, que importa / o melhor é esquecer / meu amor, o amor // um instante inconstante / tudo pode acontecer / um sorriso tão distante / que só eu vou perceber // eu sei, nem tudo tem que ser assim / nem todo amor vai ter um fim / o tempo é que vai dizer / eu sei, e a chave deve ser saber / não adianta me envolver / sabendo o que eu sei / quem sabe algum dia eu consiga explicar / mas hoje, que importa / nem preciso disfarçar / o amor, meu amor // num instante o teu beijo / não é mais o que desejo / num instante tudo o que restou / lembranças de um amor.






ps poema e canção por cândido gomes. para quem vive horas lentas, sob o fuso horário de lugar nenhum..

sexta-feira, 27 de março de 2009

metro

"ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter" (romanos 12:3).
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era um garoto esperto. do alto de seus quatro anos de idade, um belo dia decide compartilhar com a mãe sua nova e incrível descoberta. "mãe, eu tenho três metros de altura!", exclama com todas as confusões linguísticas que a idade lhe permite. mãe atenta, logo responde: "não, meu amor. você já é homenzinho, mas não é tão alto assim". silêncio.. uma testa franzida e um pouco de insistência do pequeno gigante: "sou sim, mãe.. eu medi". olhos arregalados do outro lado, e uma pergunta irresistível: "é, meu amor? e com o quê você se mediu?" faceiro que só ele, o menino apresenta sua evidência, e tirando de um dos bolsos sua régua (de 30cm), diz: "com esse metro aqui, ó."

como você tem se medido esses dias? pessoas felizes são humildes. conseguem enxergar em si somente uma fração do ideal, e nos outros, um pedaço necessário, consistente, diferente nesse mesmo plano.
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o sábado é um convite para deixar os atalhos egoístas, dos passos pequenos e passar um tempo especial ao lado do completo e infinito. hoje: seja simples, acessível, sorridente e agradável. que tamanho tem seu metro?

descanse..

quinta-feira, 26 de março de 2009

parábola da biruta

era uma biruta. nascida tão somente para medir a força e traçar o rumo dos ventos que lhe cruzassem o caminho. e assim viveu muitos dias, entre brisas e tempestades, entre lestes e oestes, alterando as rotas dos olhares que teimavam em seguir seus movimentos misteriosamente coloridos, e provando o gosto dos ventos que lhe escolhiam - para ir ou para voltar.

um dia um vento novo apareceu. um vento certo, um vento forte, vindo de perto, indo pro norte. e convidando a biruta indecisa para dançar. era um destino desconhecido, mas estranhamente atrativo. talvez a força e o tom decidido fosse o que dava luz especial a mais esta sensação. e foi.. ainda que imóvel, abriu espaço em si para seu amante invisível, e todas as suas cores, sorrisos e dores iam embora com ele para onde quer que fosse. e foi assim.

mas se sua única ocupação era sentir, mesmo nisso chegou a falhar. era só uma biruta.. sentindo, simplesmente, foi capaz de encurtar distâncias, antecipar partidas e adiar chegadas, mas em seus dias insensíveis nada mais aconteceu. o vento foi embora, incerto mas constante, e ela ficou - perdida entre os sentidos que já não sentia e os vazios que inevitavelmente a preenchiam - esperando seus ventos passados. quem sabe um dia eles voltem. cuidado com as curvas do vento.

quem lê entenda.

sexta-feira, 20 de março de 2009

êxodo

"ouvi o seu clamor" (êxodo 3:7).
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para alguns estudiosos, êxodo é o primeiro dos livros da bíblia. não o mais antigo. não o mais carregado de teologia, mas um ponto alto, em que o tema redenção é tocado pela primeira vez de maneira mais clara. se o Deus do gênesis é o Deus que cria, o do êxodo é o Deus que liberta. se o gênesis é o livro dos começos, o êxodo é o livro dos recomeços.

é no contexto do êxodo que o relato da criação é dado. o começo encontra seu eco no recomeço. aliás, que sentido faria relembrar o início, se nossa existência estivesse fadada ao cativeiro do primeiro final? parece que tão importante quanto lembrar como tudo começou é saber que para cada caos de uma vida vazia Deus tem um jeito de recomeçar. talvez por isso, no antigo testamento, Deus seja chamado apenas seis vezes "o Deus que criou", e trinta e duas "o Deus que libertou do egito".
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um dia, lá do egito, alguém gritou. já não aguentava mais o peso da desesperança. e Deus ouviu o clamor, o choro, o grito. a palavra hebraica para clamor aqui é sa'aq. é uma expressão de dor. é o grito de quem está ferido. alguns linguístas consideram essa palavra uma das mais fortes no idioma hebraico. é um clamor de agonia que só nasce na voz de um desesperado. sa'aq é também a interrogação que surge da dor. mais que um "ai! tá doendo!", é um "será que ninguém está vendo meu sofrimento?" os israelitas estavam oprimidos, desesperados e quando clamaram, Deus ouviu. ele sempre ouve.

interessante.. um choro abre a história. um choro é a causa, a razão, o motivo que faz o céu se mover. mas Deus não é só de ouvir. ele age. o êxodo nos revela como Deus responde ao choro de um filho seu - recomeço. para israel ele tinha liberdade - uma nova casa, um novo rumo, um novo sonho.
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talvez hoje você viva o pedaço estranho da vida que separa os finais dos novos começos. quando os meios se quebram. quando as buscas só encontram impossibilidade. quando as capacidades encontram limite. quando as portas se fecham. quando tudo que se pode fazer é chorar.. talvez seja este o momento ideal para a ação divina. Deus conhece caminhos, espaços, saídas, respostas escondidos pelas esquinas escuras dos finais inevitáveis de nossa existência. Deus é o mestre na arte de transformar choro em redenção.

talvez hoje você chore sob a pena de uma dúvida, uma dívida, um medo, uma perda, uma crise, uma dor, ou simplesmente solidão. talvez hoje você chore um final.. que o seu choro abra espaço para a mão de Deus agir em sua história. talvez seja hora de recomeçar.
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descanse.

sexta-feira, 13 de março de 2009

casa

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moro longe dos meus pais. faz anos que saí de casa e desde então sinto um aperto do peito e uma vontade de voltar, onde quer que eu esteja. doi estar distante de quem se ama. mas os caminhos da vida me afastaram de casa. o que me assusta é pensar que muitas vezes estou longe do meu pai do céu e na maioria delas isso é fruto de uma escolha minha.

quando você se sentir perdido e sozinho. quando sentir saudade. quando der vontade de chorar, lembre que a porta nunca esteve fechada para você. basta entrar e descansar.. pois sempre há um lugar na casa do pai.

um lindo sábado para você.

terça-feira, 10 de março de 2009

luz

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ela é luz.
luz que invade cada cena,
desde a triste - mas pequena
que separa estes dias
dos que eu mais quero viver..
luz que brilha, mesmo longe.
luz de velas, luz de fontes
que até eu desconhecia,
antes de lhe conhecer.
luz de risos, luz de toques..
luz de estrelas e de nortes
improváveis, indizíveis,
mas que amo desejar.
luz viçosa, luz de dentro.
luz da prosa, luz do vento
que me encanta em suas voltas
té a hora de voltar.
luz calada, luz sincera.
luz que aclara cada espera.
luz de lara, quem me dera
tê-la agora e sempre aqui..
inda bem que ela nasceu
e houve luz também em mim.
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ps amor, parabéns pelas dezenove cores. e obrigado por colorir meus dias..

sexta-feira, 6 de março de 2009

migalhas

"tudo isso te darei se prostrado me adorares" (mateus 4:9).
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jesus foi tentado. sua humanidade não escapou das investidas do diabo. ele foi tentado com toda a força do mal, pois um tropeço seu significaria a ruína definitiva de toda a humanidade. satanás provocou os sentidos e questionou os motivos de cristo - o que em essência é tentação. mas há uma oferta do diabo que me chama atenção no relato de mateus.
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depois do deserto e do templo, agora o palco da tentação é um monte alto. ali o tentador põe diante de jesus "todos os reinos do mundo e o seu esplendor". com os poucos efeitos especiais necessários para fazer brilhar os olhos de um homem fraco, pálido e faminto, satanás ofereceu o domínio dos reinos do mundo ao messias não a preço de cruz, mas de um minuto de adoração. a resposta de jesus foi firme e clara. ele recusou a glória do mundo inteiro em troca de um único minuto sob o domínio de satanás. não se rendeu nem mesmo à proposta mais atrativa do inimigo - todos os reinos do mundo.
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é triste ver, mas muitas pessoas cedem diante de propostas bem menos iluminadas. cristo não se curvou para ter a glória do mundo inteiro, mas muitos se curvam para receber migalhas. e não é difícil ver até mesmo seguidores do cristo do deserto prostrados nos cantos escuros da vida, a troco de migalhas. um aplauso, um beijo, uma sensação, uma vantagem, um alívio, uma nova 'amizade', um aumento no salário e mais um par de joelhos se dobra em algum lugar.. mais um compromisso é quebrado, mais uma história é manchada, mais uma promessa é esquecida. migalhas parecem grandes coisas quando perdemos de vista as ofertas de Deus.
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eu não sei quais tem sido as ofertas do diabo para você. mas hoje antes de dormir vou orar por sua vida. não se curve diante do mal para recolher migalhas. Deus tem muito mais a oferecer. mais que aplausos, Deus quer lhe dar valor. mais que um beijo, uma sensação, uma vantagem, Deus quer lhe dar realização completa. mais que um alívio, Deus quer lhe dar cura. mais do que o agora, Deus quer lhe dar o sempre. ele sempre tem mais que migalhas.
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que você escolha hoje ver o invisível. espere em Deus. e descanse..
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ps não vejo a hora de passar meus sábados com ela..