quinta-feira, 26 de março de 2009

parábola da biruta

era uma biruta. nascida tão somente para medir a força e traçar o rumo dos ventos que lhe cruzassem o caminho. e assim viveu muitos dias, entre brisas e tempestades, entre lestes e oestes, alterando as rotas dos olhares que teimavam em seguir seus movimentos misteriosamente coloridos, e provando o gosto dos ventos que lhe escolhiam - para ir ou para voltar.

um dia um vento novo apareceu. um vento certo, um vento forte, vindo de perto, indo pro norte. e convidando a biruta indecisa para dançar. era um destino desconhecido, mas estranhamente atrativo. talvez a força e o tom decidido fosse o que dava luz especial a mais esta sensação. e foi.. ainda que imóvel, abriu espaço em si para seu amante invisível, e todas as suas cores, sorrisos e dores iam embora com ele para onde quer que fosse. e foi assim.

mas se sua única ocupação era sentir, mesmo nisso chegou a falhar. era só uma biruta.. sentindo, simplesmente, foi capaz de encurtar distâncias, antecipar partidas e adiar chegadas, mas em seus dias insensíveis nada mais aconteceu. o vento foi embora, incerto mas constante, e ela ficou - perdida entre os sentidos que já não sentia e os vazios que inevitavelmente a preenchiam - esperando seus ventos passados. quem sabe um dia eles voltem. cuidado com as curvas do vento.

quem lê entenda.

2 comentários:

Amanda' disse...

como é volúvel essa biruta. se deixa levar assim pela sensação diferente que o vento trás.

talvez lhe falte algo mais cômodo

ou não.

Zierley Rojard disse...

entendi, meu amigo.

e internalizei muito já que o vento me atraiu tantas vezes e infelizmente eu tbm dancei com ele.

mas ele passa... felizmente.