terça-feira, 30 de setembro de 2008

parábola do balde

era uma vez um garoto normal, vivendo uma infância normal, num lugar normal, cercado de pessoas normais. ele era o primeiro filho de um casal feliz e normal. assim, cercado de amor, o menino foi crescendo normalmente. cada ano, seus pais preparavam uma bonita festa de aniversário, convidavam os amigos e enchiam o primogênito de presentes. eram bonecos, carrinhos, quebra-cabeças, bolas, jogos..
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mas num dos anos, numa das festas, um dos brinquedos deu brilho especial aos olhos do garoto. não era caro, nem importado. não falava, não acendia luzes.. era inexplicável a preferência que um balde ganhou na vida do pequeno.
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a família achava uma graça ver o menino para cima e para baixo com o balde. na praia era festa. no quintal, inseparável. na hora do banho, essencial. independente do que fosse fazer, o menino só fazia de balde. um dia o pegaram dormindo com o balde.. todos na casa sorriam, contavam para os amigos e vizinhos. era a conversa dos encontros de família.. até que chegou o primeiro dia de aulas do garoto e ele foi de balde para a escola. os olhos se arregalaram, o riso acabou e o que era bonito passou a preocupar os pais. mas o balde continuava lá. tudo era de balde.
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o menino cresceu e virou homem, mas sempre de balde. os momentos marcantes de sua vida foram assistidos de perto pelo balde. arranjou um bom emprego de balde. comprou o primeiro carro de balde. recebeu seu diploma de balde. casou-se de balde.. viu o primeiro filho nascer de balde.
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um dia, já se sentindo meio velho, sentou-se sobre o balde e começou a pensar na vida.. um frio estranho correu-lhe a espinha ao sentir que tivera uma vida normal, mas vivera de balde.. e de balde vazio.
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não se apresse para sentar. mas quando for a hora, observe bem onde senta. envelhecer é normal. sentar, inevitável. só tome cuidado com os baldes.
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quem lê entenda.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

incoerente

coerência é conformidade, congruência, conexão, harmonia, ligação. mas o que é ser coerente?
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nesses dias sofisticados em que vivemos, chega a ser elegante insultar alguém, desde que o insulto seja mais polido, um tapa de luvas, do tipo: "você está sendo incoerente!". o que muitas vezes se desconsidera é que essa acusação é covarde, pois ataca o que de mais valioso se tem: as motivações. incoerente? mas, incoerente em relação a quê? com que padrão se pode medir seguramente a coerência na vida de outrem?

já fui considerado incoerente. mas para mim coerência é um conceito maior do que, creio, caberia nas idéias de quem só produz crítica. coerência é não ter compromisso com o erro, pelo simples desejo de conformar-se sempre com a verdade. incoerência é dizer que vive, mas viver como quem está morto. é se conformar com o que já se viveu.

coerência é acreditar no outro, no novo, harmonizando-se com a vontade que todos temos de ser acreditados e aceitos. incoerência é acreditar que cada dia guarda em si a semente da mudança e duvidar que as pessoas possam se renovar a cada momento, cada decisão.

coerência é esperar sempre o melhor, preparar-se para o pior e receber o que vier, sabendo que a vida não é um eterno pique-nique, mas uma constante ligação de um passado escuro a um futuro brilhante, que desenhamos no escuro. incoerência é viver à espera de oportunidades, mas, diante delas, fugir em busca de coerência - uma droga que aliena.

se ser incoerente é ousar viver além do óbvio, previsível e esperado, agradeço cada pensamento alheio, desconhecido e às costas, que me rotula assim: incoerente. perdão, mas eu não procuro viver em acordo com o que fui, fiz ou deixei de fazer. no passado existe mais erro que acerto. busco coerência com quem eu sou e, principalmente, com quem eu quero ser. coerência tem que ver com futuro.

seja incoerente, ande para frente!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

brasa

"então gritei: ai de mim! estou perdido! pois sou homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros" (isaías 6:5).
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isaías era ainda jovem quando foi chamado por Deus para ser um profeta. essa não era tarefa simples em seus dias. as páginas que escreveu são só um pedaço do discurso forte e impopular que levou a judeus e estrangeiros, para o presente e para o futuro.. mas antes que pudesse se levantar com uma missão a cumprir, ele teve um encontro com Deus.

quando viu a revelação da glória do senhor, os olhos espirituais do rapaz foram abertos para novas revelações sobre ele mesmo que mudariam sua história. ele encontrou resposta para três perguntas que os verdadeiros encontros com Deus sempre instigam: 1. como estou? 2. quem eu sou? e 3. onde estou?

"estou perdido!", foi o grito de isaías. um encontro com a justiça de Deus desmascara nossa face pecadora, desmantela nossas ferramentas para produzir justiça própria, mede os quilates de nossa santidade vazia. revela como estamos no final das contas.. perdidos.
"sou homem de lábios impuros!" uma confrontação com o caráter puro de Deus torna mais grosseiras as rasuras de nosso caráter. a comtemplação de sua beleza torna mais gritante nossa feiura. o contato com sua perfeição torna específicos nossos erros. quem somos? seres impuros..
"vivo no meio de um povo de lábios impuros!" um encontro com o brilho de Deus sempre revela a escuridão que nos envolve. a visão dos caminhos de Deus aponta os passos tortos que damos. a luz que Deus oferece traz discernimento e sensibilidade. cura a cegueira. faz-nos sóbrios e responsáveis. onde estamos? no escuro, nem nós mesmos saberíamos responder..

o texto continua.. isaías se calou e um anjo voou até ele trazendo uma brasa viva, do trono de Deus, para tocá-lo. a revelação de Deus não é abstrata. é mais que informação - é um toque. mas algo nesta cena me chama a atenção. onde a brasa do céu tocou isaías?.. nos lábios. coincidência? creio que não. o grito desesperado do profeta encontrou eco nos ouvidos de Deus. seu problema era nos lábios, como ele mesmo disse.. e foi ali que o milagre aconteceu - o milagre da brasa. imagino que talvez tenha sido doloroso, mas era tudo que ele mais precisava naquele momento.
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não sei quando foi seu último encontro com Deus, mas sei as perguntas que você precisa responder diante das respostas que só ele tem.. como você está? quem você é? onde você está?.. consegue responder?
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não sei onde está seu problema, mas sei que há uma brasa viva do céu capaz de curá-lo.. talvez você precise de um toque de Deus em seus lábios, como isaías. talvez o toque seja necessário em seus olhos preconceituosos, em seus relacionamentos errados, em seu coração frio, em sua cabeça quente.. quem sabe, nos pés.. nos planos. não sei. e você só saberá quando tiver um encontro de verdade com Deus. o sábado é o dia dos grandes encontros. aproveite. aceite este toque em sua rotina.
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e descanse..

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

ouça | riane junqueira


acaba de sair um dos cds mais esperados do ano. o primeiro trabalho solo de riane junqueira. o repertório é composto de doze faixas nacionais, com uma regravação apenas (espaço vazio, de ronald ozório e lineu soares).

quem assina a produção é edison sopper jr., marido da cantora e regente dos bastidores das melhores produções musicais da música adventista no brasil. os arranjos são de lineu soares, ronnye dias, cleverson pedro, samuel krähembühl, wendel matos, alisson melo. e o selo é da gravadora novotempo.

esta é a minha trilha sonora desses últimos dias. dica: ouça com carinho a faixa 9, "o que não sou". é a minha predileta. parabéns, clevinho.



ps para saber mais, clique aqui.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

encontros e despedidas


encontros e despedidas (para ouvir, clique na fita acima)
mande notícias do mundo de lá / diz quem fica / me dê um abraço, venha me apertar / tô chegando / coisa que gosto é poder partir / sem ter planos / melhor ainda é poder voltar / quando quero // todos os dias é um vai-e-vem / a vida se repete na estação / tem gente que chega pra ficar / tem gente que vai pra nunca mais / tem gente que vem e quer voltar / tem gente que vai e quer ficar / tem gente que veio só olhar / tem gente a sorrir e a chorar / e assim, chegar e partir // são só dois lados / da mesma viagem / o trem que chega / é o mesmo trem da partida / a hora do encontro / é também despedida / a plataforma dessa estação / é a vida desse meu lugar / é a vida desse meu lugar / é a vida..






ps composição de m. nascimento e f. brant, voz de maria rita.

viagem

"o fim das coisas é melhor que o seu início" (eclesiastes 7:8).
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já estava cansado. tudo que mais queria era o silêncio da poltrona número cinco. conferi o horário - meio-dia e meia. o motorista deu o último aviso.. todos entraram e o ônibus partiu. olhei pela janela. não vi ninguém. aos ouvidos, nada além do barulho da partida. nada.. até ele começar a chorar.

era um menino pequeno. ouvi a mãe comentar com a moça do banco da frente que ele tinha três anos. seus soluços se misturaram ao som do motor que o levava para longe.. eu nunca tinha visto algo parecido. não sei dos pormenores da história. nem sequer seu nome eu perguntei. não sou muito simpático em viagens.. mas uni as poucas frases soltas que me alcançaram: estavam em brasília, visitando um pedaço da família.. ali, o menino conhecera uma irmãzinha, de quem fora separado num dos atalhos escolhidos pelos pais.. nos poucos dias que passaram juntos, um encanto especial os uniu.. agora, o garoto sem-nome chorava um choro de gente grande, ao se despedir de um pedaço seu..

a mãe não sabia o que fazer. ofereceu-lhe o brinquedo novo, mas ele não quis. um biscoito, uma revista, um afago.. mas sem sucesso. nada podia aliviar a dor que nem ele sabia explicar..

olhei mais uma vez pela janela.. olhei novamente para o menino e em seus olhinhos violados pela dor consegui enxergar o menino que eu levava por dentro. e chorei.. chorei calado, sozinho, escondido. mas chorei a mesma dor..
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nesses últimos anos de viagens, longe de casa, aprendi tudo que sei sobre saudade. a vida é uma eterna disputa entre sombras e cores, abraços e dores, espinhos e flores, começos e finais.. os encontros curam feridas, mas cada um deles esconde uma despedida - antes e depois - e uma nova saudade. assim, já não sei o que é pior: se o adeus que põe fim aos dias bons, ou o encontro que tão somente anuncia a próxima partida e nos assombra com a estranha sensação de que nem todo tempo é o bastante..
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o início e o final das coisas se confudem dentro de nossa pequena caixa-de-areia.. são vizinhos, parecidos, inexoráveis. são resposta às maiores questões, defeito aos maiores sonhos. por um momento as palavras do sábio me pareceram derrotistas, uma escolha pequena e pouco ousada. ele preferia o final. no entanto, tudo se torna mais claro quando encaramos seu discurso numa perspectiva mais ampla, que supere em muito as dimensões de nossa existência. salomão não falava de um final qualquer - de um relacionamento, um domigo, um ano, um sonho -, mas do final de todas as coisas - o final da viagem.
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não é possível ser feliz vivendo assim refém das distâncias, prisioneiro no tempo. no final, as coisas tomarão o devido lugar. e haverá lugar no espaço e no tempo para vivermos tudo que é preciso viver para ser feliz. o espaço será infinito e o tempo, eterno.
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como a viagem dele terminou, eu não sei. talvez daqui a um tempo nem se lembre daquele choro.. ainda tem muitos outros para chorar.
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eu não sei qual é o número da sua poltrona, nem o que leva na bagagem de suas lembranças. não sei onde foi seu último encontro, nem quando será sua próxima despedida. não sei em que estação desceu quem muito o amava, nem a que horas o assento ao lado vai ser ocupado por sua outra metade.. nada é muito certo durante a viagem. quanto a mim, quero apenas desembarcar muito logo no país onde não existe saudade.
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já chegou?

terça-feira, 23 de setembro de 2008

viva

aprendi uma coisa: é preciso viver para depois dizer.
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óbvio? talvez. fácil? acho que não. fácil mesmo é falar - falar dos outros, falar de ontem, de amanhã, falar pelas costas, falar no escuro, falar no tumulto. falar é fácil - verborréia. o mundo não precisa tanto de quem fale. falar é fácil. o mundo precisa muito de quem viva - o que fala e o que cala.

é preciso viver o que se crê, o que se pensa, o que se sonha - coerência. é preciso viver às claras - sinceridade. é preciso viver todo dia - esperança. é preciso viver sem pressa - paciência. é preciso dizer menos discursos e mais vida - viver. é preciso viver para depois dizer - o que deu certo, o que não deu, o que deu medo, o que venceu. é preciso experimentar, sentir.

pare de falar por um minuto e apenas viva. viva as coisas boas da vida.
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viva este bonito dia.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

parábola do sinal

mal podia esperar completar os dezoito anos, que mais pareciam eras, para tirar sua carteira e tomar posse do carro da família. o tempo passou, o dia chegou e começaram seus passeios.

sempre gostou de ruas, assim decidiu conhecer muitas delas. escondidas, pequenas e grandes, bonitas e feias - mas todas igualmente novas para ele. e percebeu que cada uma era vigiada por um sinal colorido. lembrou-se das aulas que tivera, e por isso mesmo apreciava mais que muito cada vez que sua passagem era saudada por um sorriso esverdiado do vigia.

num dos dias, andava apressado e nem se importou com o aceno amarelado que recebeu. outro dia, a pressa era maior ainda. seu passeio era urgente: ia à sorveteria alimentar o priminho que ia no banco ao lado. ia veloz e desatento, o suficiente para não notar o grito vermelho do guarda da rua. o choque parou noutro carro, com gente mais apressada ainda. iam à lavanderia, deixar umas peças sujas de sorvete. agora, todos a pé, voltam para a rua de casa.

vá devagar. aproveite a paisagem. observe os sinais. e cuidado com sorvetes.


quem lê entenda.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

mãos

"simeão o tomou nos braços e louvou a Deus" (lucas 2:28).
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lá estavam josé e maria, na entrada do templo. o pequeno jesus acabara de completar 40 dias de vida e seria apresentado a Deus.

a dedicação dos primogênitos de israel se tornou uma cerimônia corriqueira nos dias de cristo. embora esperassem o messias prometido, os sacerdotes não davam muita atenção às muitas crianças apresentadas diariamente, a menos que os pais parecessem ricos e nobres. não era o caso dos pais de jesus.

eles chegaram a pé, sem honra, sem pompa, sem anúncio.. trajados à moda galiléia - as roupas mais simples. e se a aparência não os recomendava, sua oferta muito menos. trouxeram duas avezinhas apenas - o sacrifício dos pobres.

num gesto frio, o sacerdote tomou o menino nos braços, ergueu-o ao céu e secamente o devolveu à mãe. em seguida, anotou seu nome no livro dos primogênitos de israel. mal sabia que aquele nome carregava a sentença de morte do pequeno (jesus quer dizer o senhor salva) e o remédio da humanidade perdida. as cortinas estavam quase se fechando, quando outro personagem quebrou o roteiro medíocre..

seu nome era simeão. homem temente a Deus, recebera uma revelação especial: seus olhos veriam o cristo do senhor. o velho homem percebeu o brilho especial daquela criança e, tomando-a nos braços, louvou a Deus. não posso deixar de notar o contraste que grita na cena: era o mesmo templo, o mesmo dia, a mesma criança.. mas as mãos eram diferentes. para o sacerdote, jesus era só mais um dos muitos primogênitos, mas para simeão ele era o messias escolhido de Deus - o primogênito do céu, o princípio da criação.
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tive que pensar sobre isso.. Deus nos visita diariamente com uma multidão de bênçãos, já percebeu? e as bênçãos não se tornam mais especiais pelas mãos que as concedem, mas pelas mãos que as recebem. como você reage aos pequenos presentes que Deus coloca em sua vida?
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gratidão não acontece quando recebemos algo extraordinário de Deus.. gratidão acontece quando prestamos atenção ao que temos nas mãos.
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aos que esperavam um príncipe guerreiro, Deus deu um bêbe indefeso.. e a você? que presente tem recebido do céu? tenho certeza de que é o suficiente para ser feliz..
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o que você tem nas mãos?
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ps nos comentários vou contar o que tenho nas mãos hoje.. e quero saber de você também.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

sombra

a gente só quer o que a gente não tem. parece coisa de criança, mas é assim que as coisas são no mundo da gente grande. a gente vive sempre querendo mais e por isso sempre vai haver "algo mais" que a gente não tem, mas que inexplicavelmente quer mais do que tudo. parece história de criança passeando por entre as vitrinas do shopping, mas é coisa da gente. gente mimada, para não dizer egoísta. por dentro a gente é assim e isso é só o início de tudo o que de mau existe por fora - entre as gentes.
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a gente só quer o que a gente não tem. um lugar pra sentar, uma sombra, um beijo. uma pista, uma sexta, um pão de queijo. sei lá.. algo simples, fútil, mas que satisfaça. algo quente, mas leve que nem fumaça.

é um amor infundado pelo novo, pelo belo, pelo outro. uma coceira nas mãos, um treme-treme nos pés. um pensamento insistente - ansiedade. o belo, a quem quer parecer. o novo, a quem quer entreter. o outro, a quem quer enganar. não.. isso não pode ser tudo.

egoísmo é um dos meus defeitos principais. infelizmente eu não sou diferente. e luto contra mim para não viver sendo regido pelo que não sou e pelo que não tenho. é luta infantil, mas é luta cruel - de todos os dias e horas e pensamentos. ainda bem que de vez em quando uma luz se acende (quando o eu se apaga) e consigo enxergar as coisas com mais lucidez.

aprendi que serei feliz não quando finalmente tiver o que sempre quis, mas quando simplesmente quiser o que sempre tive. lembre-se: o segredo da vida está no querer..
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e acenda as luzes.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

arco-íris

creio que as emoções são invenção de Deus. cada vez que sentimos, estamos mais próximos dele. cada vez que digerimos as sensações, experimentamos as circunstâncias e as transformamos em reações, damos um passo a mais em direção a ele. Deus sente, logo nós sentimos.

os autores bíblicos já sabiam disso. assim, não são casuais as imagens reveladas de Deus, suas ações, reações e emoções, bem distintas das criadas pela mentalidade deísta, que aprisiona a divindade num trono distante e indiferente lá no céu. o braço forte que liberta e luta em nosso favor (isaías 52:10), a mão que abriga e afaga (isaías 41:13), o colo materno (isaías 49:15), o abraço paterno (lucas 15:20), os ombros rijos que carregam o desvalido (isaías 46:4) não são metáforas vazias. são ilustrações do coração divino.

mas há um detalhe importante: as emoções de Deus se revelam no contexto do grande conflito. não são forças etéreas e desconexas, mas impulsos que norteiam suas ações de salvação em relação aos homens. você lembra da história do dilúvio?

muita gente tem problemas ao encarar as ações divinas nesse relato. alguns não conseguem ver nada além de uma atitude arbitrária de um Deus que mais se parece um monarca caprichoso, um genocida. mas falham em não interpretar as ações de Deus à luz das emoções reveladas nas mesmas linhas. o dilúvio não é a história de um deus buscando acabar com a raça humana, como contam relatos mitológicos preservados por várias culturas politeístas, mas a história de um pai, um cirurgião divino, que faz todos os esforços para salvar sua criação de uma doença mortal - o pecado. o que aconteceu quando Deus percebeu a maldade do coração do homem e o destino que desenhava para si? o escritor responde com duas imagens, em gênesis 6:6.
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1. "o senhor se arrependeu". a palavra hebraica utilizada aqui é naham. sua raiz original na língua arábica se refere ao ato de "correr até ficar exausto, ofegante". o autor escolheu a imagem de um Deus que corre em busca do homem, esforça-se, faz de tudo para evitar que o homem se perca. mas diante da rebeldia humana, ele se vê ofegante e impotente. não se assuste com essa última palavra, pois a onipotência divina encontra limite na rebeldia humana.
2. "e isso cortou-lhe o coração". a idéia é dor aguda. o verbo utilizado aqui é 'atzav. é o mesmo verbo utilizado em hebraico para as mulheres em trabalho de parto. na mentalidade hebraica a dor do parto era a maior dor que o ser humano podia sentir.. o autor queria que os leitores percebessem a dor que afetava o coração de Deus, ao ver a situação do homem - a angústia do pai que vê o filho pequeno enfiar o dedinho numa tomada, ou o filho crescido escolhendo caminhos errados. o coração de Deus sangrava. Deus chorou.. as primeiras gotas que caíram do céu foram lágrimas suas.

toda destruição que tomou lugar nesta triste história não foi senão uma antecipação do que aconteceria, caso Deus não entrasse em cena. ele não destruiu nada que o homem não destruiria se deixado em sua rota sinistra. a ação de Deus mais se parece uma cirurgia delicada num paciente terminal. o câncer do pecado se alastrara, mas as mãos que nunca falharam conseguiram salvar uma boa parte, que não se contaminara. noé e sua família foram salvos e permaneceram vivos para ver no céu o sorriso de Deus - o arco-íris. ao ver o altar erguido e a família reunida ao seu redor, lá do céu Deus sorriu. uma nova história seria escrita. a terra teria outra chance.

quando Deus olha para sua vida, qual será a emoção despertada em seu peito? quando Deus lê as últimas páginas que você tem escrito, o que ele sente? eu não sei. só sei que isso é muito importante.

cada vez que o céu lhe mostrar um arco-íris, imagine Deus sorrindo para você, renovando sobre a sua vida a aliança da salvação. e sorria também.
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ps se você não leu o texto, ouça a música. pode ser que ela lhe diga mais do que tudo que eu poderia escrever..

terça-feira, 16 de setembro de 2008

vazio

vazio é a conversa sobre o clima. vazio é o jornal de ontem. vazio é a cabeça de quem filme. vazio é a história de quem perde. vazio é a desculpa de quem sente. vazio é a espera de quem mente. vazio é a entrega indiferente. vazio é o horário do horário. vazio é o problema de quem finge. vazio é o tempo de quem apressa. vazio é o medo de quem se mede. vazio é o silêncio da despedida. vazio é o fim do egoísmo. vazio é o início do fim. vazio é a vida que não vive. vazio é a escolha conveniente. vazio é o 'bom dia' de amanhã. vazio é o convite da vitrine. vazio é a memória de quem ganha. vazio é a noite de quem vigia. vazio é a notícia alheia. vazio é o peito que bate sem Deus.
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Deus nos criou com um vazio e uma escolha - um vazio do tamanho do infinito e uma escolha inevitável.
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"também pôs a eternidade no coração do homem" (eclesiastes 3:11).
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escolha Deus.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

parábola da menina que chorava

era uma vez uma menina que chorava muito. chorava de medo. chorava de dor. chorava de tudo. chorava lamentando até mesmo a estranha impressão de que às vezes chorava sem nenhum motivo. e chorava muito. tornava-se cada dia mais difícil a convivência com tanto choro da tal menina. levaram-na a psicólogos, palhaços, mágicos, mas nada funcionou e a menina ainda chorava. uns dias melhorava. mas nunca o sol se punha sem que umas poucas lágrimas lhe roubassem o brilho dos olhos.

parecia se esforçar. ela não queria, nem gostava de chorar. por vezes se escondeu, correu, andou sozinha, buscando ocultar os olhos marcados pela vermelhidão. chegou a pensar que nascera tão somente para chorar - triste fim. mas não..

um belo dia, numa das andanças solitárias, encontrou um cãozinho abandonado. magro, sujo, fedido, mas muito carinhoso. sem muita cerimônia, ele foi logo lambendo a mão da mocinha, que arriscou afagá-lo. em seguida, latiu como que falando. ao que a menina chorona respondeu sorrindo. silêncio por um momento.. ela sorriu!

a menina, antes cercada de remédios, conselhos, amigos, agora simplesmente sorria com seu companheiro inusitado e desavisado. logo sarou da estranha doença que a afligia. e mais tarde aprendeu que quem se ocupa com sorriso não tem tempo para chorar. por muitos dias amou o cãozinho mais do que tudo, mas não muito depois ele foi embora sem motivos claros. parece que tinha uma missão.


quem lê entenda.

domingo, 14 de setembro de 2008

balas

"não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal" (joão 17:15).
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sempre gostei de doces. acho que isso explica minhas muitas dores de dente na infância. você deve saber do que estou falando.. quem nunca perdeu uma noite de sono por causa de um desses pedaços de osso dentro da boca?

lembro que quando era pequeno meu sofrimento geralmente vinha no meio da noite. e lembro que muitas vezes preferi dormir com um dente doendo a pedir o remédio que minha mãe tinha. eu sabia que, se pedisse, o remédio viria e acabaria com minha dor imediatemente, e eu dormiria tranqüilo, mas no dia seguinte teria que visitar o dentista. eu conhecia o dentista. ele iria mexer no dente doído e nos outros também - o que, embora fosse o segredo da cura, causaria mais dor ainda.
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aprendi que o cristianismo está mais para um dentista que para um analgésico. é claro que nossas orações à meia-noite da vida não se perdem no vazio, nunca deixam de ser ouvidas. quando vamos a cristo com nossos sonhos quebrados, nossas dores e frustrações, ele oferece descanso e alívio imediatos. mas isso não é tudo que ele tem a dar.. isso seria uma fórmula adulterada, diluída, de cristianismo. cristo tem mais a fazer em nós que por nós.
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mais que acalmar a mente culpada, ele quer endireitar os passos errados. mais que carregar as cargas pessadas, quer fortalecer os ombros cansados. mais que fazer o tempo voltar atrás, quer organizar as prioridades. mais que mudar as coisas de fora, quer alterar as coisas por dentro. cristianismo não é um elixir contra as dores do mundo, mas um tratamento, muitas vezes doloroso, contra o mal do coração.
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os milagres que exigem mais força da onipotência são os milagres na rotina, na dieta, no hábito, no gosto, no pensamento, na família, na vontade - nos cantos mais íntimos da alma.
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hoje Deus lhe oferece milagres de verdade. mas o que você quer: milagres ou balas?

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

olhos

o segredo da vida não é procurar novas paisagens, mas novos olhos. hoje, poucas palavras.

como você tem visto a vida? como você tem visto as pessoas a sua volta? como você tem se visto? como você tem visto Deus? com olhos levianos? grosseiros? pessimistas? indiferentes? preconceituosos? tristes?
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quando tudo o que você consegue enxergar são tons de cinza nas pessoas e nas coisas a sua volta, há algo errado. não necessariamente com a paisagem, pode ser com seus olhos. quando tudo o que você enxerga na vida são perguntas desconexas e sem respostas, há algo errado. há respostas por todos os lados. as respostas pertencem aos olhos que as vêem. pode haver um problema com seus olhos. quando você não vê diferença entre os dias, há algo errado. faça valerem seus dias. procure novos olhos. encare a vida de frente e seja feliz.

amanhã é sábado. sábado é o dia em que Deus acerta minha visão, conserta meus olhos.. que tal experimentar o mesmo?
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por enquanto, descanse. a gente se vê.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

evangelhos

"o que vimos e ouvimos, isso anunciamos a vocês" (1 joão 1:3).
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comecei esta semana meu estudo pessoal sobre os evangelhos. é muito provável que você já tenha lido várias das histórias escritas por mateus, marcos, lucas e joão, e é quase impossível que desconheça seu personagem principal - jesus cristo. no entanto, há detalhes que podem alterar completamente a maneira que lemos e entendemos cada texto. autores, histórias, palavras não foram escolhidos por acaso, mas cumprem uma missão especial: atingir diferentes pessoas, em diferentes lugares, com a história do homem da cruz.

antes de mais nada, precisamos pôr as coisas em ordem. a seqüência que temos na bíblia (mateus, marcos, lucas e joão) não é a ideal. marcos foi o primeiro a registrar suas memórias. é o evangelho do garoto nu (marcos 14:51-52)¹, das palavras apressadas, dos muitos milagres, das cenas simultâneas, dos relatos intercalados - do cristo em ação. é um grito urgente: jesus é o filho de Deus! (marcos 1:1). e você já observou a forma como jesus entra nas páginas de marcos? em seu batismo (marcos 1:9ss) - no início de seu ministério, quando seus feitos milagrosos tomam lugar.

o segundo relato a ser escrito foi o de mateus. é o evangelho do judeu, das profecias se cumprindo (mateus 2:15), da nova lei, do novo monte, do novo moisés, do novo reino - do cristo messias. e como ele é apresentado? em seu nascimento (mateus 1:18-25), ligado historicamente ao rei davi, por uma extensa árvore genealógica, cheia de significados. era o que os ouvidos judeus precisavam ouvir.

em seguida, lucas. ele é o único autor bíblico não judeu e por isso mesmo escreve especialmente para cristãos de origem estrangeira. é o evangelho do estrangeiro, do escravo, do leproso, do cego, do pobre, da mulher.. lucas conhece bem a dor dos excluídos. e você sabe como jesus entra em cena neste caso? ainda no ventre de maria (lucas 1:26-38) - uma mulher, jovem, solteira, grávida. jesus é o filho da mulher solteira. é o nazareno, filho do carpinteiro. é o samaritano. é o excluído.

por último, joão. o quarto evangelho é o evangelho do meu coração e das minhas lágrimas. é o registro das memórias mais bonitas do velho discípulo. foi escrito no final do primeiro século, também para um grupo especial de cristãos. é o evangelho da cruz, dos sinais², da palavra.. jesus? é apresentado como a palavra divina e eterna (joão 1:1). ele é Deus. ele é eterno. ele é a palavra. joão era o último dos dicípulos em vida e escreve para a segunda geração de crentes - os que não viram. ele concentra suas atenções no poder transcendente de cristo. para o discípulo amado, o poder de jesus não está preso aos limites do tempo e do espaço. não é poder de toques apenas. suas palavras carregam a mesma força.
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jesus cristo é a boa notícia da bíblia para você, independente de seu sobrenome, nacionalidade, antecedentes ou posição na linha cronológica da fé. ele é o abraço humano que seca lágrimas e alivia dores, mas é também o poder divino para mudar circuntâncias e realizar salvação.
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nos evangelhos há mais.

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ps 1 é muito provável que o tal garoto seja o próprio marcos, pois não há mais explicações para a preservação desta informação inusitada e desnecessária. 2 em joão, jesus realiza sete "sinais" - milagres da palavra, sem toque. a cura do cego, de joão 9, em que cristo toca-lhe as vistas com sua saliva não acontece nesse instante, mas quando o homem se lava no tanque, sob a palavra de jesus.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

montanha-russa, 2/2

suas mãos cansadas apagam as luzes do quarto e a escuridão de seu peito invade todos os espaços abertos pela ausência e pela dor. os dois garotos dormem abraçados na cama do casal e o pai se derrama sobre a poltrona ao lado. foi o seu dia mais longo - e o último da dona de sua existência. uma doença grave roubou a esposa do jovem marido e dos filhos pequenos.
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instigados pelo silêncio, os pensamentos vão longe à procura de respostas e sentido para o restante de seus dias. Deus?.. passa de certeza a hipótese, entre uma lágrima e outra. as horas correm velozes e, à meia-noite, a hora mais escura, uma pergunta tímida vem dos lábios do garoto menor, que acorda assustado: "pai, você está aí?".. o pai responde mais que rapidamente: "sim, filho. eu estou aqui com você!" mais aliviado, o menino continua: " é que eu não consigo ver o senhor.."

um frio corre-lhe a espinha. era como se, de seus próprios lábios, tivesse ouvido a resposta que buscava do céu. em sua hora mais assustadora, assediado pelo medo e pela incerteza, com o peito ainda sangrando, junta o que sobrou de sua fé em uma pequena oração: "pai, o senhor está aí? é que está tudo escuro e eu não consigo vê-lo.."
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talvez esta seja a sua oração de hoje. uma despedida, um divórcio, uma dívida, um fracasso, uma dúvida, uma depressão.. as crises vêm e levam embora o brilho dos olhos e a luz das esperanças. muitas vezes a escuridão parece invadir os capítulos mais bonitos de nossa história, e não percebemos que, na verdade, estamos debaixo das mãos poderosas de Deus - guardados à sombra da onipotência.
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Deus vai conosco em cada passo, hora e dor. diante das crises, há quem prefira negá-lo. isso me assusta, pois ninguém em sã consciência nega a existência do sol, quando a noite é mais escura. não permita que a escuridão o impeça de perceber a presença divina.
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ele está aí agora.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

parábola do jornal

o barulho do jornal invadindo a varanda já o põe em pé. os olhos pequenos ligeiramente se abrem, a camisa xadrez entra em cena mais uma vez.. outro dia começa, embalado pelas novas notícias. são colunas, fotos, mapas, cifras, piadas, perguntas, ofertas, pesquisas, mentiras.. mas a todas ele dedica atenção, como se cada frase abrigasse a última notícia da história.

a esposa já cansou de ouvir sobre o petróleo. o genro já sabe tudo sobre o obama. o barbeiro já formou opinião sobre a questão da geórgia. o cãozinho que acabou de chegar na casa já atende pela alcunha "dunga". e assim nosso protagonista vai espalhando as novidades.. observando os detalhes, anotando as dúvidas.. já se pegou até conversando com a própria sombra sobre a coluna de economia.. mas foi bom. num gesto com a cabeça ela mostrou concordar.

seu nome? pode ser josé. seu sonho? aparecer no jornal de amanhã. como? ainda não sabe, mas prometeu pesquisar.. em seus jornais antigos - relíquias que guarda como a alma. seus olhos brilham, falta-lhe a fala, mas no peito bate silente outra vontade, talvez desconhecida dele próprio: queria ter outras notícias - o retorno do irmão que se foi, a melhora de saúde do velho pai, a promessa cumprida, a saudade doída que inda pode sarar..
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mesmo sem saber, deseja mais abraços que jornais, mais carinho que vantagens - mais esperança, menos notícia. cuidado com os jornais.

quem lê entenda.
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ps "a luz dos olhos alegra o coração, a boa notícia fortalece os ossos" (provérbios 15:30).

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

montanha-russa, 1/2

"e eu estarei sempre com vocês" (mateus 28:20).
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sou dos que preferem uma rede na varanda, mas há alguns dias visitei um grande parque de diversões. muita gente, muita fila.. muitas cores, beijos, praças, tênis, risos e uma enorme montanha-russa. aliás, o que seria de um parque sem uma montanha-russa, não é verdade? esperei horas para experimentar os segundos de emoção no tal brinquedo. e, de fato, são muitas sensações. mas elas só fazem sentido porque existe alguém do lado.. já percebeu isso?
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não é preciso viver muito para conhecer também os altos e baixos da vida. parece que os dias de sol cumprem tão somente o papel de anunciar o fim dos dias de chuva. embora haja brilho, sementes e flores, a festa sempre acaba. o sol sempre se põe. as mãos se enrugam. a vida se vai.

quem nunca experimentou as segundas-feiras amargas da vida? quem nunca foi forçado a ver os dias através das vidraças quebradas dos sonhos desfeitos? quem nunca andou pelos corredores frios de um hospital? quem nunca chorou sobre um corpo já sem respiração? quem nunca se viu sem respostas?.. os soluços do homem e o silêncio de Deus formam uma estranha combinação.
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uma única certeza pode dar sentido a essas sensações intrusas: mesmo em silêncio, Deus está ao lado. ele vai conosco em cada momento. nas subidas mais íngremes - da rotina, dos trabalhos; nas descidas mais amedrontadoras - dos perigos, dos dilemas; nas retas e nas curvas - nos erros, nos acertos. Deus está ali, na poltrona ao lado, segurando bem firme a mão gélida e trêmula - experimentando cada calafrio, angústia, tragédia, dúvida ou má notícia.
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ele é Deus conosco. conhece cada lágrima, vela cada passo, sente cada dor.. ele está aí bem perto de você.

"quando os homens saem para o seu labor diário, assim como quando se acham entregues à oração; quando repousam à noite, e quando se erguem de manhã; quando o rico se banqueteia em seu palácio, ou quando o pobre reúne seus filhos em torno da mesa escassa, sobre cada um o pai celeste vigia com ternura. nenhuma lágrima é vertida sem que Deus a note. não há sorriso que ele não perceba" (ellen white, caminho a cristo, p. 86).
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ps depois conto uma história..

domingo, 7 de setembro de 2008

finalmente o fim (desilusão)



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novidades na janela.. hoje o presente é pra quem quer mais ouvir que ler.. mais rima que argumento, mais sensação que informação. isso é bom de vez em quando, eu sei bem. hoje: dois em um - um poema e um som (aliás, poemas e sons são as duas novas seções deste espaço.. que serão visitadas com a freqüência da necessidade e da inspiração).
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finalmente o fim - desilusão (para ouvir a canção, clique na fita acima)
desilusão é caminho que se escreve sob a direção / de desejos egoístas, pensamentos vãos / que vão e nem sempre vêm / desilusão é o rumo de quem teima em pensar em si / e esquece que viver também é repartir / e então se esconde em solidão / são passos que se perdem e encontram só cansaço / são casos planejados, que no fim só dão descaso / são traços, são pedaços, são rabiscos noutro espaço / desilusão / desilusão é a dor de quem espera o que não vai ser / de quem vive no passado, esperando ter / no fim, um fim feliz / desilusão é o fim de quem começa pelo próprio eu / de quem sofre, de quem chora porque já perdeu / o que era seu, só seu / e fim..
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espero que goste e volte..

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ps poema, melodia, violão e voz por cândido gomes.

Deus não tem orkut

uma busca realizada no orkut não terá sucesso se a pessoa procurada for cândido gomes. não faço parte do não muito seleto grupo de cerca de setenta milhões de pessoas (68.182.265, em 20 de agosto de 2007) que fazem uso da tão conhecida "rede social", e isso por razões bem claras para mim. tudo o que sei sobre orkut é que leva o nome de seu criador, o engenheiro turco orkut büyükkoten, que mais da metade (55,32%) dos usuários são brasileiros (tremo só de pensar nas explicações para este fato..) e que tem gente que não sobrevive 24h sem checar seu scrapbook..

por falar em scraps (pedaço, fragmento, em inglês; uma espécie de recado, em português), outro dia li uma frase curiosa numa camiseta dessas que circulam por aí.. a frase era: "só aceito jesus se mandar scrap".. engraçado?

foi inevitável pensar: e se jesus tivesse um orkut? quais seriam as comunidades? que imagens escolheria guardar em seu albúm de fotos? quantos seriam seus amigos? sei lá. as respostas não são tão importantes. o que o orkut revela é a necessidade que as pessoas - independente de idade, nacionalidade, posição social ou predileções - têm de relacionamentos. o problema acontece quando se contentam com a versão mais superficial. se o conceito de amigo é "o sujeito que lhe escreve duas ou três vezes por semana uma dúzia de palavras abreviadas, apressadas e desconexas; que lembra de seu aniversário graças ao lembrete insitente de sua 'página inicial', que quase o acusa de crime se não lhe enviar um recado 'especial'; que criou uma comunidade com seu nome..", desculpe-me, esta é uma idéia muito rasa para mim.

problema maior ocorre quando a mesma confusão é transferida para o campo espiritual. jesus, repetidas vezes, é apresentado na bíblia como um amigo. essa imagem me encanta. mas é preciso ter cuidado antes de interpretá-la. cercados por esta "geração orkut", somos tentados a desenvolver um relacionamento superficial inclusive com Deus. o perigo é esperar de Deus tão somente "recadinhos" - açucarados, superficiais, vazios - quando o que ele quer é manifestar de maneira real e visível seus atos de salvação em nossa vida.

salvação não é algo virtual. não é um privilégio da alma, ou uma bênção reservada somente para o futuro. salvação é o que Deus deseja realizar com cada ato seu em nossa vida. salvação é mais do que um resgate protagonizado por Deus, que nos livra do reino do pecado, é um ingresso pago, que nos dá acesso ao reino da vida. salvação é Deus arregaçando as mangas e entrando em nossa luta, trazendo soluções concretas para nossas crises pessoais, dando nova luz a nossos sonhos opacos, consertando os relacionamentos quebrados.. ninguém recebe milagres por scraps. é preciso abrir mais do que uma nova janela. é preciso abrir todas as entradas da vida, como um palco perfeito para a ação divina.
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se você recebesse um convite de jesus agora mesmo, que espaço ele receberia em sua vida?
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oro para que você seja testemunha viva da atuação da onipotência.
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".. e a quem se manifestou o braço do senhor?" (isaías 53:1).
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ps parabéns, gi!

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

muro

"Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade" (joão 4:24).

eram dois meninos ainda. colegas de classe, vizinhos e amigos. conhecidos desde sempre. faziam tudo juntos - da lição de casa à maior das travessuras. um dia, voltando da escola, perceberam num dos muros da rua um buraco diferente - pequeno demais para revelar a paisagem do outro lado, mas grande o suficiente para despertar-lhes a curiosidade. um deles teve a idéia: "você fica aqui vigiando, enquanto eu vejo o que tem lá". tudo combinado..

enquanto o vigia olhava desconfiado para todos os lados possíveis, o mais corajoso enfiava a cabeça pela abertura irresistível. quanta expectativa.. o que será que aquele muro estranho escondia? não houve tempo para muitos pensamentos, pois logo ouviram o barulho de um portão que se abria. o vigia pôs as mãos sobre os olhos e o desbravador sentiu uma forte pancada em sua cabeça intrusa, anunciada com um grito: "ai!"

o que vigiava abriu os olhos e, sem respeitar a dor que o outro sentia, foi logo interrogando: "e aí.. o que tinha lá? o que você viu? o que aprendeu de novo?" a resposta veio proverbial: "aprendi que nessa vida a cabeça e o corpo têm que estar do mesmo lado"..
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antes de sair de sua casa para qualquer lugar de culto neste final de semana, esteja certo de que sua cabeça vai com você - seus pensamentos e sentimentos. não há nada mais triste do que entrar e sair de uma igreja com o coração frio e vazio..
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tenho algumas dicas que podem tornar suas idas à igreja mais significativas: ore antes de sair de casa - ore pelo pregador, pelas pessoas que participarão do culto e por tudo o que vai acontecer. faça uma lista de dez coisas pelas quais você louva a Deus - e leve-a. abra sua bíblia, tome notas. sente-se nas primeiras cadeiras - envolva-se. vá em busca de uma bênção para os outros - peça que Deus lhe desperte para abençoar a vida de alguém com um sorriso, um abraço, uma oração. e saia de lá com sua rota alterada.
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não permita que preocupações, ansiedade e trabalhos o impeçam de assistir à atuação de Deus. vá com a mente e o coração centrados naquele que é o mestre das circunstâncias. deposite seus anseios e planos nas mãos de quem não pode falhar.
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e descanse..

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

paz

na bíblia, há palavras que merecem um destaque especial. "paz" é uma delas. talvez uma leitura apressada esconda os muitos significados que estas três letras carregam. quero dividir com você algumas coisas novas, que me saltaram à vista durante minhas leituras pessoais. o que é paz para você? já pensou sobre isso?
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se a pergunta fosse dirigida ao profeta naum, ele diria: "paz é uma boa notícia" (naum 1:15) - uma proclamação de sorte mudada, uma celebração. é o grito de quem volta da batalha como vencedor. de fato, a palavra hebraica para paz aqui é shalom, que não significa necessariamente ausência de guerra, mas o que se conquista com a guerra.

isaías teria outras definições. para ele, paz é um lugar - é ele quem diz que "aqueles que andam retamente entrarão na paz" (isaías 57:2) -, mas não um lugar qualquer.. paz é um reino, possui um príncipe (isaías 9:6) e uma lei peculiares.

nas palavras de jesus, paz é um presente (joão 14:27), oferecido por ele mesmo a seus discípulos, nas páginas sangrentas do evangelho de joão. é dom comprado com cravos e cruz, mas concedido pela graça para ligar o céu à terra.

mas a novidade mais bonita vêm da pena do profeta miquéias. ele abre as cortinas do céu e nos revela: paz é uma pessoa. depois de apresentar aquele que tem "suas origens no passado distante" do infinito e profetizar sua encarnação miraculosa, assistida pela pequena belém-efrata, miquéias declara: "ele será a paz" (miquéias 5:5) dos que o aceitarem e a ele se renderem.
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o mundo grita por paz.. mas para muitos em nossos dias paz é simplesmente ausência - de problemas, conflitos, tristezas, frustrações, lágrimas e dor. não sabem que o conceito bíblico é totalmente distinto. na bíblia, paz não tem que ver com ausência, mas com presença - presença de Deus.
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paz é uma pessoa. paz é jesus. ele é o guerreiro forte que vence a guerra e nos dá boas notícias para contar. ele é o refúgio, o lugar seguro, que nos oferece segurança, identidade e sustento. ele é a dádiva que tocou a terra. ele é emanuel - Deus conosco. ele é nossa paz. e nele, com ele e por causa dele podemos descansar seguros.
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paz é muito mais.



ps poema, canção e piano cleverson pedro, voz leonardo gonçalves

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

moedas

"por fim veio o que tinha recebido um talento e disse: 'eu sabia que o senhor é um homem severo.. por isso, tive medo'" (mateus 25:24).
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quando pensamos nesta cena, descrita por jesus na parábola dos talentos, formamos rapidamente um retrado mental deste terceiro servo: um homem rude, de palavras truncadas, mãos calejadas e pouca instrução - um tolo do tipo que não reconhece as oportunidades que tem nas mãos. alguns se apressam em criticar sua atitude estranha de enterrar a moeda que recebera do patrão - o que era comum na época - e não percebem o ponto central da história.
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o problema do relato não é uma moeda enterrada, mas um relacionamento esquecido..
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a atitude do servo refletia a imagem distorcida que tinha de seu senhor. teve medo e enterrou seu talento porque, para ele, seu patrão era severo, insensato, injusto e mesquinho.
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mas o próprio texto revela que ele estava mais do que enganado. o homem a quem servia era sábio e bondoso. sabedoria é revelada na maneira utilizada para multiplicar seu dinheiro e na distribuição das moedas, de acordo com a capacidade de cada empregado. bondade se encontra nos elogios e retribuição para os dois primeiros empregados, por seu bom trabalho.
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o último servo, ele sim, era insensato e mesquinho. mas o senhor não discute, não argumenta. Deus não precisa se defender diante de nossa maneira pequena de raciocinar a respeito dele. mas suas palavras são duras como a sentença: você é um "servo mau, negligente" e inútil e será lançado fora, de mãos vazias. a punição não é por uma moeda perdida, mas pela confiança quebrada. no início, o servo não conhece o senhor. agora é o senhor quem não reconhece o servo.
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Deus continua a distribuir moedas ainda hoje - tempo, dinheiro, influência, talentos. moedas grandes e pequenas. cada um de nós as recebe. uns mais, outros menos. mas somos todos igualmente responsáveis. e as suas moedas? como as tem usado? estão distribuídas por aí, em forma de atos de amor, gentileza, atenção, carinho e cuidado? ou estão escondidas em suas covas egoístas?
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onde estão suas moedas? é preciso conhecer o doador, antes de transformar moedas em bênçãos.
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invista.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

parábola da casa vazia

três batidas na porta e um passo para trás. silêncio na espera. parece uma casa vazia e como é triste uma casa vazia. milhões de pensamentos se encaixam no espaço de poucos segundos. um cão passa latindo. a vizinha olha desconfiada. o garoto descalço avisa que não tem ninguém. o vento, o sol e a calçada silenciam.
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a porta se abre preguiçosa. o brilho do dia parece intruso na sala. alguém se apresenta com rosto sério. é a dona da casa? suas poucas palavras respondem as muitas perguntas. o rosto magro fala das noites mal dormidas. a roupa largada, o cabelo descuidado, a voz fraca falam do medo, da mudança. mora de aluguel, mas há poucos dias. veio em busca de fé e de paz. veio para mais perto dos filhos. mas, pelo visto, continua longe.
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a conversa é rápida, mas o que ninguém disse é que marca a memória. caixas abertas, quadros no chão e solidão formam o cenário. a casa é grande, mas o coração está apertado. vê tudo se perder tão rápido. olhos que não têm mais choro. mãos gélidas e inquietas procuram as chaves que inda agora deixaram na fechadura. em seus momentos mais lúcidos, sonha ter a casa cheia de bons momentos. sonha ter os cantos cheios de riso. sonha ter quem lhe fale e quem lhe ouça. sonha ter amor ou ódio, pelo menos sentimentos. sonha ter tudo, menos indiferença.
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não há nada mais triste do que uma vida cheia de vazio. o nome dela eu não lembro, mas a casa continua lá.
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quem lê entenda.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

amor e outros sentimentos

não sou muito sentimental, embora não considere isso defeito. prefiro encarar os sentimentos em outro plano, mais racional. é natural sentir, mas é vital saber. e na guerra do sentir versus saber, o que eu sei pode anular o que eu sinto. não que seja simples ou que haja fórmula mágica. acredito no poder da escolha.
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é certo que sentimentos são bonitos, colorem a vida. mas eles só se encaixam nas molduras que nós lhes damos. só invadem o espaço que lhes permitimos ter.
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sentimentos são regidos por escolhas, por isso traçam destinos, escolhem fins e finais. sentimentos somos nós escolhendo como viver. sentimentos que decidem, que desistem, que resistem, que permitem que outros - sentimentos - vençam.
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sentimentos são como crianças. não sabem direito quem são. só sabem que sentem. nascem pequenos, mas crescem, e ganham a força que lhes damos. dependem de nós.
o amor não é assim.
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o amor vem com o tempo, vence com o tempo, quando os erros dão à luz seus acertos. amor é uma escolha sentida e sabida. é a soma de sentimentos escolhidos - a dedo e sem medo. é escolher o que faz sentir bem o outro. o amor prefere esquecer quem é. não sabe bem o que vem, mas sabe bem o que quer. muitas vezes - e quase todas - desconhece os 'porquês', pois está além das explicações.
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o amor vence o tempo, a distância, o cansaço e os outros sentimentos. o amor jamais acaba, ainda que mude sua direção.
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amor não se inventa, não se diz, não se pede, não se compara, não se aprisiona. amor é uma pessoa, uma ação, um tempo, um fim. em uns, é uma palavra, em outros, a própria vida. e o melhor de tudo: amor é uma força que produz amor.
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sentir é natural. amar é uma decisão - de cada dia, hora e dor.
quem não entende, que somente espere. o tempo passa e um dia, talvez, sinta o que eu sei.
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ouse amar.
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ps "o amor jamais acaba" (1 coríntios 13:8).