terça-feira, 30 de setembro de 2008

parábola do balde

era uma vez um garoto normal, vivendo uma infância normal, num lugar normal, cercado de pessoas normais. ele era o primeiro filho de um casal feliz e normal. assim, cercado de amor, o menino foi crescendo normalmente. cada ano, seus pais preparavam uma bonita festa de aniversário, convidavam os amigos e enchiam o primogênito de presentes. eram bonecos, carrinhos, quebra-cabeças, bolas, jogos..
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mas num dos anos, numa das festas, um dos brinquedos deu brilho especial aos olhos do garoto. não era caro, nem importado. não falava, não acendia luzes.. era inexplicável a preferência que um balde ganhou na vida do pequeno.
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a família achava uma graça ver o menino para cima e para baixo com o balde. na praia era festa. no quintal, inseparável. na hora do banho, essencial. independente do que fosse fazer, o menino só fazia de balde. um dia o pegaram dormindo com o balde.. todos na casa sorriam, contavam para os amigos e vizinhos. era a conversa dos encontros de família.. até que chegou o primeiro dia de aulas do garoto e ele foi de balde para a escola. os olhos se arregalaram, o riso acabou e o que era bonito passou a preocupar os pais. mas o balde continuava lá. tudo era de balde.
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o menino cresceu e virou homem, mas sempre de balde. os momentos marcantes de sua vida foram assistidos de perto pelo balde. arranjou um bom emprego de balde. comprou o primeiro carro de balde. recebeu seu diploma de balde. casou-se de balde.. viu o primeiro filho nascer de balde.
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um dia, já se sentindo meio velho, sentou-se sobre o balde e começou a pensar na vida.. um frio estranho correu-lhe a espinha ao sentir que tivera uma vida normal, mas vivera de balde.. e de balde vazio.
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não se apresse para sentar. mas quando for a hora, observe bem onde senta. envelhecer é normal. sentar, inevitável. só tome cuidado com os baldes.
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quem lê entenda.

2 comentários:

Ingrid Oliveira ! disse...

Nossa ! amigo blue, perfeito.
estou sem palavras ...

Abs , sds

Dani Quirino disse...

Esse seu texto me fez lembrar da primeira edição do BigBrotherBrasil, tosco né?
Mas me lembro muito bem que quem ganhou foi um indivíduo que na ultima semana chorou por causa de uma boneca feita de cabo de vassoura e outros materiais inusitados, na oportunidade todos riram muito, mas posso ver ali a necessidade humana a se apegar a algo.
Aquele rapaz insano se apegou a uns pedaços de madeira e plástico, o menino da sua história se apegou a um balde, e cada um de nós?
Nós temos um Deus que deseja que ser a nossa fortaleza e nós nos prendemos a simples matéria.
Mais um vez adorei seu texto.