era uma vez uma menina que chorava muito. chorava de medo. chorava de dor. chorava de tudo. chorava lamentando até mesmo a estranha impressão de que às vezes chorava sem nenhum motivo. e chorava muito. tornava-se cada dia mais difícil a convivência com tanto choro da tal menina. levaram-na a psicólogos, palhaços, mágicos, mas nada funcionou e a menina ainda chorava. uns dias melhorava. mas nunca o sol se punha sem que umas poucas lágrimas lhe roubassem o brilho dos olhos.parecia se esforçar. ela não queria, nem gostava de chorar. por vezes se escondeu, correu, andou sozinha, buscando ocultar os olhos marcados pela vermelhidão. chegou a pensar que nascera tão somente para chorar - triste fim. mas não..
um belo dia, numa das andanças solitárias, encontrou um cãozinho abandonado. magro, sujo, fedido, mas muito carinhoso. sem muita cerimônia, ele foi logo lambendo a mão da mocinha, que arriscou afagá-lo. em seguida, latiu como que falando. ao que a menina chorona respondeu sorrindo. silêncio por um momento.. ela sorriu!
a menina, antes cercada de remédios, conselhos, amigos, agora simplesmente sorria com seu companheiro inusitado e desavisado. logo sarou da estranha doença que a afligia. e mais tarde aprendeu que quem se ocupa com sorriso não tem tempo para chorar. por muitos dias amou o cãozinho mais do que tudo, mas não muito depois ele foi embora sem motivos claros. parece que tinha uma missão.
quem lê entenda.
