um belo dia, a família tomou uma decisão: economizar tempo, comer só enlatados. a saúde foi para escanteio e as latas invadiram a casa. a papinha para o bebê, a comida do cachorro, o lanche, a janta, o almoço.. cada um em sua casinha de ferro. foi então que ele apareceu..deixou seu canto empoeirado no supermercado para estrelar grandes momentos no lar daquela gente apressada. chegou por cima, falando alto, ditando as ordens na cozinha. gritava com as colheres, meras subalternas, pois só tomavam lugar depois que as latas eram abertas. falava grosso com as facas, agora meio esquecidas em suas gavetas. era o astro da hora de comer..
assim, o nanico de metal passou a se sentir grande e forte, além de útil.. mas "útil" era uma palavra muito pequena para ele, principalmente diante da importância e destaque que alcançara na casa (se é que um abridor de latas alcança alguma coisa na vida). era talentoso - até umas garrafas passou a abrir. era benquisto. elogiado pelo pai, louvado pela mãe, acariciado pelas mãos bem hidratadas da filha adolescente.. furtado pelas travessuras do filhinho mais novo, que teimava em brincar com o abridor-avião.. e, aliás, quando sumia.. era um ai. tinha gente que roía as unhas.
foram dias mágicos.. até que a família tomou outra decisão: economizar mais tempo, comer fora.. e o abridor de latas.. "abidô di quê?", foi o que acabei de ouvir do bebê. ele está começando a falar.. lindo, não é?
tomara que um dia a família entenda o perigo. às vezes, economizar tempo é o pior negócio. cuidado com as latas, e com os abridores também.
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quem lê entenda.

1 comentários:
Já já volto, para lhe entregar a lição de casa ;)
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