domingo, 31 de janeiro de 2010

lágrima

"ele enxugará.." (apocalipse 21:4).
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ontem o telefone tocou. alguém despreocupado atende a voz estranha e triste do outro lado. é notícia de morte. dessas que a gente não espera, nem quer ouvir. um parente distante, uma história longa, uma doença incurável - morte. esse capítulo estranho e invariável na vida de todos.

se hoje você chora a morte, não tenho respostas para agora, mas uma promessa para sempre. ele enxugará as lágrimas, devolverá a vida, e abrirá de diante de seus filhos as portas da eternidade. é questão de tempo.
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ps clipe da música "última lágrima" do primeiro álbum do pr. jonatas Ferreira - sublime esperança. letra e música: jonatas ferreira participação de seus irmãos: oliveiros jr. e ellen ferreira narração: pr. oliveiros ferreira concepção: tuiu costa dirigido por flávio santana e tuiu costa

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

ilimitado

"ninguém tem maior amor que esse.." (joão 15:13).
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contaram-me outro dia um pedaço da história de susana, mãe do grande teólogo john wesley. mulher firme e consagrada, cuidadora de dezessete crianças, certa vez foi surpreendida pela pergunta: "dentre tantos filhos, a quem você mais ama?" se esta é uma questão do tipo que não se faz, a resposta recebida foi do tipo que não se esquece: "eu amo mais o que está doente, para que sare. eu amo mais o que está longe, para que volte".

Deus tem um jeito estranho de amar. é como se o céu exibisse à terra predileções confusas, contrárias às regras e lógicas que orientam nossas relações de humanos. o amor de Deus busca com especial interesse a quem menos merece, a quem menos entende, e menos percebe a procura. para seres limitados, Deus tem amor ilimitado.

talvez você se sinta longe agora. talvez a igreja, a família, a consciência façam coro à volta, denunciando sua condição e distância. saiba que Deus o ama mais que a qualquer outro. ele sofre sua ausência. ele ainda o espera na varanda.
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o seu amor é tão forte,
mais que o inferno e a morte.
são torrentes que arrebentam no chão.
mais fácil secar os mares,
apagar a estrela antares
que arrancar o amor do seu coração.
(sm)



volte. e descanse.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

atitude

"seja a atitude de vocês a mesma de cristo" (filipenses 2:5).
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a vida é uma coleção de pessoas que encontramos, lugares por onde passamos, escolhas que fazemos, marcas que deixamos. tudo isso, numa pintura meio disforme, quase abstrata, de molduras descartáveis e muitas, muitas cores. não há roteiro à frente, mas há rastro atrás. e assim vamos, andando e vivendo.

gosto de observar o jeito festivo com que as pessoas pensam na vida em dias feito hoje. a magia do recomeço mexe com a fé e a imaginação da gente. fico pensando nas portas que esses dias escondem e na classe de pessoas que passarão por elas, para descobrir seus pequenos infernos e paraísos.

há pessoas que atravessam a vida de ponta a ponta sem perceber o paraíso em que estão. vivem cercados pelo que tem, pelos que tem. e tem muito. tem muitos. ao nascer, foram postos diante das portas certas, e lá estão. mas algo estranho acontece. não há graça, contentamento. não há riso, só malícia e lamento. e de repente os quadros se entortam, os sons se abafam. não se sabe mais o valor do que se tem. e tudo que acompanha é tédio - um quase ódio. há pessoas assim, capazes de transformar o paraíso em inferno.

há outros diferentes. aqueles com quem a vida parece não ter sido justa, teimando em escolher, como que a dedo, somente portas erradas. privação, indiferença, preconceitos, doença - fazem coro a sua volta. dão gritos. gritos que evocam traumas, afugentam sonhos. solidão é a companheira de quem sofre e luta para ter e ser.. desassossego, inferno. mas algo estranho acontece. em lugar de rancor, há esperança. em lugar de fúria, força. em lugar de maldição, bênção. às vezes a redenção está à distância de um sorriso. um passo a mais, um gesto a mais, e alguém é capaz de tranformar o inferno em paraíso.

no paraíso, houve um anjo com o inferno dentro de si. na terra, houve um homem-Deus que era - ele mesmo - a imagem do céu.
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nesses novos dias, não importa tanto quais serão as suas portas, mas sua atitude.





pode entrar..

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

sempre

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dia vinte nove de novembro de mil novecentos e oitenta e sete, nasceu o meu irmão do meio. dez de dezembro de mil novecentos e noventa, nasceu a minha irmã mais nova. dezesseis de dezembro de mil novecentos e cinquenta e três, nasceu minha mãe. onze de maio de mil novecentos e cinquenta, nasceu meu pai. é interessante como nunca esquecemos o dia do nascimento das pessoas a quem amamos. intrigante como ninguém lembra o dia em que nasceu jesus.

aquele que mudou a ordem das coisas e rasgou a história em duas, não teve aplauso nem lembrança. o que talvez cumpra um propósito. o poder de sua vida não cabe nas horas silentes de um dia qualquer na linha da história, mas ultrapassa as fronteiras da pequenina belém e alcança os espaços abertos no coração de quem, em qualquer tempo e lugar, volta à cena da manjedoura, em busca de pureza e graça. temos um conterrâneo na trindade. ele nasce hoje e sempre.



feliz sempre!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

riso do mar

estou na praia, vejo o mar. olho pra ele e ele pra mim. e ri, com seus dentes brancos espumantes numa constante galhofa que não quer cessar.

- me parece feliz, lhe digo. da última vez que nos vimos estavas soturno, introspectivo; eras mar com alma de lagoa.
- tenho lá meus humores, me diz assim, na lata.

e me dou conta que há bem pouco tempo nos havíamos encontrado, esse mar de "bela e santa catarina" e eu. pra ticamente só nós dois, num outro amanhecer qualquer, enquanto muitos dormiam e de olhos abertos, na pós madrugada, frente a frente nos contemplávamos.

- rio porque sou mar, me diz. e eu respondo: mar não ri. tu és mar, não rio. sei que tens boca, esôfago e estômago já que tragaste a muitos e a tantos outros embalsamaste aprisionando-os na tua tumba salina. simplesmente mar não ri, chora. e quando está contente, chora de alegria porque mar é uma imensa lágrima salgada quase infinita que existe pra chorar. e ele indiferente ri, olhando pra mim, e eu pra ele. com aqueles dentes brancos espumantes que não cessam de gargalhar.
- tu não sabes nada de mar pois és gente. gente que ri e que chora e de quando em vez derrama umas poucas lágrimas de sal.
- ris de que? pergunto eu. - de mim ou para mim?
- nem de ti, nem para ti, infeliz. rio da vida, me responde.
- da vida coisa nenhuma, incomodado retruco. tu és mar, saber pouco da vida. e se realmente soubesses então sim, talvez ririas. tu sabes mais de morte que de vida já que em tuas entranhas jazem sepultadas embarcações, marujos e toda sorte de gente.
- já vi que não sabes nada, me diz. sou mais da vida que da morte. em mim existe abundância de vida; são algas, são peixes, são seres aos milhares que vivem de mim, vivem em mim, vivem pra mim. isso que é vida! vocês, que são gente é que são de morte pois vem ao meu encontro para ceifar vidas. e não parecendo satisfeitos, mais tarde, divertem-se com maus cadáveres. se põem a atacá-los de garfo e faca em cima de suas mesas, na arena de seus pratos. e ainda por cima riem!
- eu sim, sou da vida, e é por isso que você vem ao meu encontro no começo da luz do dia pra engolir minha beleza, e com os olhos se encher de vida. sou da vida, da alegria pergunte às crianças que de mim se deliciam, e nas minhas praias se divertem construindo castelos de areia!

- aha, agora te peguei! da vida coisa nenhuma; tu és de morte, sorrateiro e vingativo, pois quando menos se vê, vens e destróis os castelos, as muralhas, os sonhos de qualquer criança, de qualquer pessoa, impiedosamente.
- e a vida não é assim, por acaso? me diz? um constante erguer, desmanchar e reerguer de castelos, planos e sonhos? constantemente? assim é a vida, assim é o mar, e ri esbaforido.

reflito, penso e rio. agora rio eu, tanto que não me aguento. que de um instante pra outro consigo entender que o mar chora e ri quase ao mesmo tempo. é da morte e é da vida, mais da vida que da morte. é igual a gente, assim, criatura. e rio tanto que me dói o estômago, de tanto rir e me encharco de lágrimas, salgadas, como o mar. e passo a desejar a todos que me amam e a todos quantos amo, simplesmente, a vida, o mar. e àqueles que desafortunadamente não tem mar, apenas rio.




ps texto por jader santos.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

negócios

"não farás nenhum trabalho" (êxodo 20:10).
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na alemanha do século dezenove, um judeu reuniu sua família ao redor da mesa e disse que a partir daquele dia não iriam mais à sinagoga, mas à igreja luterana de sua cidade. o filho ficou triste, decepcionado e questionou a atitude do pai. a resposta foi simples: "é bom para os negócios.."
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dos mandamentos de Deus, existe um que viola todas regras da coerência humana, ameaça o instinto de sobrevivência e convida a depender. o sábado não faz sentido para quem segue a Deus de acordo com a própria lógica, opiniões ou vantagem pessoal. mas o que há de especial nesse pedaço do tempo?

é interessante observar a estrutura poética do relato da criação. existe um paralelo implícito, uma relação de complemento na sequência em que tudo é criado. assim, o "sem forma e vazio" é preenchido. se no primeiro dia, a luz é criada, no quarto, o sol e a lua ocupam o espaço. no segundo dia se dividem águas e ar, no quinto, são criados seres para viverem nas águas e nos ares. no terceiro dia aparecem a terra seca e a vegetação, no sexto, homem e animais passam a habitar o lugar. para o sétimo dia não há um complemento natural. o próprio Deus abençoa e santifica este dia com sua presença. o criador ultrapassa os limites do espaço e dá significado a um espaço no tempo.

o sábado é um convite à reorientação das prioridades da vida. na presença de Deus nossa vida ganha sentido. os sentidos, a lógica e a religião nos dirão para esquecer o que Deus nos pediu para lembrar. a decisão indicará a quem servimos, quem é o dono de nossa vida, nossos negócios.

o sábado é o mandamento sem sentido, mas suas horas relembram o sentido da vida.
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o menino cresceu e anos depois se mudou para a inglaterra, onde formulou algumas teorias contra os negócios. seu nome? karl marx.



descanse.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

multirão

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neste sábado estarei na iasd de moema, participando de um programa especial. o multirão de natal já fez história no brasil e tem, ano após ano, mudados histórias. em moema, teremos a participação especial da cantora joyce carnassale.

se você é de moema, apareça. sábado, 12/12, às 5pm. a gente se vê. abraço.

domingo, 29 de novembro de 2009

caixa


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olá! um pedaço do caixa de música, com a joyce carnassale. um som para começar a semana. abraço.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

boqueirão

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olá, pessoal! hoje à noite estarei em curitiba, participando do boka jovem, na iasd do boqueirão. será um programa especial, com a participação musical do meu amigo willian san'per, o toddynho. se você é de curitiba, ou está por aí de passagem, apareça, identifique-se, leve amigos. é às 20pm e o endereço é: prof. maria de assumpção, 1966 - curitiba, próximo à passarela da vila hauer.


descanse.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

parábola da padaria

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uma salva de palmas é ouvida da entrada dos fundos. são os funcionários da padaria do bairro saudando a chegada de mais uma remessa de farinha de trigo. é motivo de alegria, afinal o negócio está crescendo. todo mundo pára e assiste à entrada da tão esperada matéria-prima.

o gerente é capaz. construiu novos depósitos, bem refrigerados, muito maiores que os de antes. o negócio está crescendo. a farinha é recebida, contabilizada, numerada e pronto. é trazida de todos os lados. os fornecedores locais já não são suficiente. e a cada nova chegada, uma pausa, mais aplauso e o expediente se encerra mais cedo.

enquanto isso, na entrada da frente, uma fila. naquele dia não saiu nenhum pão, pois as mãos que aplaudem tudo não preparam nada. uma hora ou outra, o dono da padaria vai voltar. cuidado com o pão dormido.



quem lê entenda.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

obelisco

"pela graça de Deus vocês são salvos" (efésios 2:8).
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tenho me sentido mais perdido que salvo esses dias. na verdade, é difícil encontrar as marcas da salvação nas listas do que faço, sinto ou penso ultimamente. salvação muitas vezes se parece mais um conceito distante e abstrato, consecução de alguns apenas. é que vicia essa coisa de ver salvação do jeito errado. não é fácil entender a estranha troca da cruz, onde o justo é declarado pecado e o pecador é declarado justo.

um menino visitando o monumento de washington, em dc. impressionado com a beleza da estrutura de granito e mármore de 169 metros, tira uma moeda de um quarto de dólar do bolso e diz: "pai, eu gostaria de comprar esse monumento". o pai em solidariedade sugere: "vá conversar com o guarda do parque e fale a ele do seu plano.." o garoto se aproxima do homem fardado, tira novamente a moeda brilhante do bolso e, apontando para o obelisco, declara: "eu gostaria de comprar". o guarda passa a mão em sua cabeça e diz: "filho.. em primeiro lugar, ele não está à venda. em segundo lugar, seu dinheiro não é suficiente para comprá-lo. e em terceiro lugar, como um americano, já é seu.."
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a salvação é assim. não está à venda. não poderíamos comprá-la. mas em cristo, ela já nos pertence. quantos pecados jesus cometeu para ser declarado pecado? nenhum. quantos atos bons precisamos ter para sermos declarados justos? nenhum.. é o absurdo da graça, a incoerência do céu. é ligação de sangue. é a salvação. não dê um passo, não tome uma decisão, não viva um minuto sequer sem experimentar a alegria dessa salvação.



e descanse.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

festa

"vai haver mais alegria no céu por um pecador.." (lucas 15:7).
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não faz muito, ouvi uma das histórias do pregador tony campolo. ele estava no haiti para alguns compromissos, hospedado num hotel barato, numa rua qualquer. no meio da noite decidiu sair para comer alguma coisa. já era tarde, estava tudo fechado. numa das esquinas, um prostituta. campolo se aproximou da mulher e começaram a conversar. não foi difícil descobrir os atalhos para o coração despedaçado da mulher de ninguém. com voz triste ela desabafou: "amanhã é meu aniversário e, quer saber?.. eu nunca tive uma festa, um bolo, uma vela.."

o pregador se despediu e, chegando ao hotel, teve uma idéia. falou com a atendente: "vamos dar uma festa! compre um bolo. chame todas as prostitutas da redondeza. vamos ter uma festa".

no dia seguinte, às duas da manhã, estavam lá as prostitutas, o bolo e as velas. a aniversariante ficou surpresa e se sentiu profundamente tocada pelo gesto do homem que a amara sem lhe tocar. depois de seu discurso silencioso, entre lágrimas, ela lhe perguntou: "a que igreja você pertence?" a resposta foi: "eu pertenço à igreja que dá festas de aniversário para prostitutas, às duas da manhã"..
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eu fico me perguntando se não era essa a religião de cristo.. e a principal acusação que sofria. era ele quem conversava com prostitutas, quem comia com pecadores. era quem tocava leprosos, atendia à meia-noite quem o buscava em secreto. jesus, o Deus dos aplausos estranhos, da alegria ao avesso, das festas à meia-noite.



a que igreja você pertence?

domingo, 8 de novembro de 2009

assista | caixa de música


linda semana.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

portas

"o que você está fazendo aqui, elias?" (1 reis 19:9).
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uma tarde qualquer é interrompida pelo barulho incoveniente da campanhia. à porta, dois homens bem trajados sorriem e oferecem uma oração, um estudo da bíblia. do lado de dentro, um homem sério, até meio desconfiado.. que, por ser um bom cristão, permite a visita.
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a conversa começa simples. "o senhor tem alguma dúvida sobre um tema bíblico, um texto?", quis saber um dos missionários. "sábado.. o sábado. tenho algumas perguntas sobre o sábado!", foi a resposta. o que não estava claro era o fato de o anfitrião ser um conhecedor da bíblia e fiel guardador do sábado.

a bíblia foi aberta, as questões começaram a surgir.. e texto após texto os visitantes se viam com mais perguntas que respostas. verdades desconhecidas foram reveladas nessa visita ao avesso. a situação se tornou insustentável. um deles se levantou, indo em direção à saída. o outro já em pé não pôde deixar a casa sem mais uma pergunta. ele disse: "meu amigo, estou assustado com o que encontrei hoje na bíblia. vou continuar estudando esse tema.. mas permita-me uma pergunta: se é você quem tem a verdade, por que fui eu que bati à sua porta?" silêncio.
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o que você está fazendo aí? não esconda sua identidade, a alegria da salvação, por detrás das paredes do comodismo. deixe a luz da verdade invadir a história de quem vive triste na escuridão a sua volta.

de que lado da porta você está?

pense e descanse.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

moema

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olá, pessoal! neste sábado estarei na iasd de moema, em são paulo, participando de um programa totalmente jovem. meu amigo pr robson menezes vai conduzir o palavra aberta. e a música será com meus amigos marcel freire e riane junqueira.

se você é de moema, ou vai estar por perto é convidado especial. apareça, identifique-se, leve amigos. vai ser um sábado diferente e muito especial.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

agora

"jesus disse: eu sou.." (joão 11:25).
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joão é o evangelho dos amigos de Deus. com palavras simples, o pescador anuncia aos crentes das futuras gerações o efeito milagroso de um relacionamento real com cristo. hoje, uma grande lição de um pequeno verso..

lázaro morreu. a casa dos amigos de jesus foi visitada pela morte. maria se trancou no quarto e marta ficou na beira da estrada, à espera de quem trazia respostas e consolo do céu.

jesus chega. e mesmo antes de saudá-lo, marta desabafa, num misto de fé e descrença: "se o senhor tivesse vindo antes, meu irmão não teria morrido.." ela acreditava no poder de cristo em realizar milagres. seus olhos eram testemunhas de curas, libertações - no passado. mas agora parecia improvável, impossível. jesus falou de ressurreição, ao que a enlutada reagiu com uma esperança tímida, quase formal. "eu sei que meu irmão vai ressuscitar no último dia". ela conhecia as profecias quanto ao futuro. conhecia o messias, mas não como ele desejava ser conhecido. cristo interrompe o discurso conhecido para anunciar o que talvez ainda não havia sido percebido. "eu sou a ressurreição e a vida.."

os holofotes são roubados do passado, ou mesmo do futuro. cristo apresenta a força do seu poder agora. "eu sou".. é presente, é aqui e agora. cristo tem milagres para agora. os milagres do passado são história, os do futuro, anúncios de vitória. os milagres mais reais são os milagres do agora.

cristo tem poder para mudar gostos e hábitos agora. tem força para consertar relacionamentos quebrados agora. tem poder para suprir e consolar agora. tem respostas sábias agora. tem perdão agora. tem novos planos agora. tem poder para dar sentido à vida agora, pois ele mesmo é a vida.

e agora? de que milagre você precisa?


agora..

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

assista | código aberto

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começou a nova temporada do programa código aberto, na tv novo tempo. agora conduzida pelo meu amigo, pastor delmar reis. os próximos 3 meses serão de lições extraídas do livro de números. assista diariamente, de segunda a quinta às 18:00h, sexta-feira às 18:30h e sábado às 14h na tv novo tempo - canal aberto em sua cidade, canal 141 da sky ou pela internet.

tive o prazer de participar da lição dessa semana (número 3) com o pr nelson milaneli, a ana bárbara e o klebert toscano.

a gente se vê.

ouça | joyce carnassale

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acaba de ser lançado o primeiro cd da cantora joyce carnassale. depois de uma longa espera e muitas orações o albúm "a força da vida" chega a todos os cantos do brasil, literalmente. afinal, neste último fim de semana a cantora esteve em turnê pelo nordeste (fortaleza, natal, joão pessoa, recife, são lourenço-pe, e vitória de santo antão-pe) com o grupo novo tom e o coral universitário do unasp-ec.

o repertório é nacional e o tema é louvor. vale a pena comprar, ouvir, cantar..

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

ela

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é quando não existe receio de entregar a alma sólida.. quando se perde tempo e linha. quando se quebra lógica e regra.. quando não se tem medo de nada - nem de agora, nem de antes.. quando tudo é agora e é sempre.. quando não termina. quando não se sabe bem nem quando nem como. quando não se mede distância ou consequência. é ela.




ps em natal

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

compra

"buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" (mateus 6:33).

uma senhora muito pobre telefonou para um programa cristão de rádio, pedindo ajuda.

um bruxo do mal que ouvia o programa resolveu pregar uma peça. conseguiu o endereço dela, chamou seus secretários e ordenou que fizessem uma compra e levassem àquela mulher, com a seguinte orientação:
"quando ela perguntar quem mandou, respondam que foi o diabo!"



ao chegarem à casa da senhora, ela os recebeu com alegria e foi logo guardando os alimentos.
os secretários do bruxo, conforme as orientações recebidas lhe perguntaram: "a senhora não quer saber quem lhe enviou estas coisas?"

a mulher, na simplicidade de sua fé, respondeu: "não, meu filho.. não precisa não". e completou dizendo: "quando Deus manda, até o diabo obedece"..

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Deus é bom. e o descando do sábado é um lembrete de sua providência. quando descansamos em Deus, temos em nosso favor a força da onipotência - força que é capaz do impossível e desmantela as forças do mal. Deus cuida de nós e por isso podemos descansar.


descanse..

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

pressa

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estou com pressa. e isso me assusta. às vezes a tenho estranha sensação de estar correndo, em busca de um atalho para lugar nenhum. estou com medo, estou com pressa. a ação é ilusória. preciso consertar a agenda, emendar a relação. mais tempo com o dono do tempo. mais dele, menos de mim. preciso parar.

descanse..

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

barbeiro

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um homem foi ao barbeiro, cortar o cabelo. o clima, a gripe, o time.. e assim começaram a conversar coisas triviais, coisas de barbearia. não demorou muito e já estavam falando sobre religião. o homem da tesoura disse a certa altura: "eu não consigo acreditar em Deus, como você diz acreditar".. "mas por que?", quis saber o cliente. ao que o primeiro respondeu: "é só sair pela rua. é facil perceber que Deus não existe. porque se ele existisse não haveria tanta doença, tantas crianças abandonadas, tanto sofrimento, tanta dor. não posso acreditar que Deus exista e permite tudo isso". o segundo calou. preferiu evitar uma discussão desnecessária.

quando corte acabou, o crente saiu meio intrigado. mas não foram necessário muitos passos para que ele encontrasse uma resposta de Deus. na primeira esquina ele observou um homem sentado na calçada. cabelos grisalhos compridos e descuidados, barbas longas, olhar distante. de repente, um calafrio. passos apressados no caminho de volta. a porta se abre e o homem de fé diz: "os barbeiros não existem!" "mas como assim?", quase gritou o homem de testa franzida. a explicação foi simples: "é que eu acabei de encontrar um homem de cabelos compridos e barba longa.. os barbeiros não existem".. silêncio.
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Deus existe.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

ouro

"então pedro disse: olhe para nós!" (atos 3:4).
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outro dia ouvi uma das histórias de tomás de aquino. aquele que escolheu a pobreza, que foi considerado por alguns o mais sábio dos santos e o mais santo dos sábios. numa de suas viagens solitárias pelas estradas a fora cruzou com uma caravana especial. era o papa inocêncio ii, cercado de servos em sua carruagem luxuosa. ao avistá-lo, inocêncio imediatamente ofereceu-lhe uma carona. ali, entre sacolas cheias de moedas de ouro e prata e de pedras preciosas, o papa olhou para o velho monge e, com tom de sarcasmo, disse: "veja, tomás.. parece que hoje não podemos mais dizer como pedro, ao paralítico na porta do templo: 'não tenho ouro nem prata'.. nao é verdade?" e gargalhou gostosamente. ao que, no mesmo fôlego, aquino respondeu dizendo: "é verdade.. assim como hoje também não podemos mais dizer: 'levanta-te e anda'"..
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às vezes eu fico pensando que se jesus vivesse hoje aqui, eu não seria escolhido para ser um de seus discípulos. olhe para o elenco dos evangelhos.. homens rudes, de pouca instrução, vindos de lares quebrados, sem sobrenome, sem muitos talentos, sem muita capacidade. os improváveis pescadores, os detestáveis publicanos, os estrangeiros, as mulheres..

a verdade é que jesus andava em busca de homens e mulheres vazios de si mesmos, para preenchê-los com o espírito santo, o espírito certo - o dom mais caro. para Deus não importa tanto as habilidades ou desabilidades de alguém, mas sua disponibilidade. mãos vazias, espírito humilde, coração sincero: esse é o palco perfeito para o espírito de Deus agir.

agora olhe para você.. que espaços Deus tem encontrado em sua vida? qual é o seu maior dom? pense.



e descanse..

quarta-feira, 22 de julho de 2009

eu não te negarei

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ps melodia do mestre jader santos. trio contrastes.

domingo, 19 de julho de 2009

força

"ergam os olhos e olhem para as alturas. quem criou tudo isso? tão grande é seu poder e tão imensa a sua força.." (isaías 40:26).
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uma cena inusitada. um garoto pequeno em seu quarto lutando para arrastar sozinho um armário pesado.. o pai, passando pela porta, ouve os esforços do seu menino e entra no cenário curioso, com uma pergunta: "o que você está fazendo, filhão?" ao que o garoto responde, mesmo sem desviar os olhos de sua missão quase impossível: "eu tô tentando arrastar esse móvel pra pegar meu brinquedo que caiu ali atrás, pai.. mas não tá dando". "mas por que não tá dando?", o pai quer saber. a resposta vem quase aborrecida: "tá pesado!".. "mas você está usando toda a sua força?" insiste o homem de braços cruzados, encostado na porta.. já meio suado, ensaiando choro, o filho responde: "claro, pai! o senhor não tá vendo?".. "não, não", diz o pai com um sorriso escondido nos lábios, "você não me pediu pra ajudar"..
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e você.. está usando toda a sua força? você já pediu para Deus lhe ajudar? diante dos obstáculos dessa nova semana, descanse na força dos braços do pai. olhe para o alto. abra espaços em sua rotina e em seu coração para Deus agir. e ele agirá..


oro por você.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

fruto

"mas o fruto do espírito é amor" (gálatas 5:22).
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muitas pessoas encontram dificuldade em associar a singularidade do fruto do espírito à pluraridade de elementos mencionados em gálatas 5. alguns, mesmo sem perceber, costumam utilizar uma fórmula mais sonora, embora estranha ao texto bíblico. dizem: "os 'frutos' (no plural) do espírito 'são' amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio" (nvi). outros, mais atentos, observam o caráter singular do fruto no texto e por isso propõem uma ilustração interessante para entendê-lo: os vários elementos listados por paulo seriam como que os componentes distintos de um mesmo objeto, assim como algumas frutas são formadas por gomos independentes, e nem por isso perdem sua unidade.
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mas a verdade é que em gálatas 5:22-23 ou temos um grande problema na corcordância ou encontramos uma janela aberta para uma compreensão alternativa. algumas informações sobre o texto do novo testamento e sobre o autor destas palavras podem trazer luz adicional sobre a passagem.

talvez você não saiba, mas os escritos do novo testamento foram produzidos em condições muito diferentes das que os escritores de hoje tem. boa parte do novo testamento foi escrita em pergaminhos - uma espécie de couro trabalhado, próprio para este fim. mas este material era muito caro. assim, ao escreverem, os autores bíblicos tentavam economizar cada pedaço de pergaminho, sacrificando, inclusive, os espaços entre as palavras do texto. isso dificultava a leitura, mas permitia maior quantidade de informação. além disso, a noção de pontuação só foi inserida no texto tempos depois, pelos copistas, o que resultou em uma solução e um problema. embora o conteúdo pudesse agora ser lido mais facilmente, qualquer pontuação sugerida já era em si produto de uma interpretação.

embora eu creia que isto não lance dúvida sobre o texto bíblico que temos em mãos, permite-me convidá-lo a ler mais uma vez as linhas de gálatas 5:22-23. e se em lugar de uma das vírgulas eu pusesse outro sinal? e se o texto fosse lido assim: "o fruto do espírito é amor: alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio"? não me assusta pensar que para paulo o fruto do espírito não fosse uma simples lista ou mesmo um mosaico, mas um retrato colorido. não me incomodo em imaginar que para ele os demais elementos talvez não fossem um complemento, mas uma definição do que é o amor..

amor é uma palavra-chave na teologia e na vida de paulo. para cada obra da carne, há uma resposta completa produzida pela essência da presença de Deus no homem - o amor. não é difícil perceber neste trecho da carta aos gálatas como que um eco das palavras do mesmo paulo em outra carta (1 coríntios 13). o que é o amor? o amor é o que o amor faz.. assim, a alegria é o sorriso do amor. é o amor sorrindo. a paz é o amor unindo. a amabilidade é o amor respeitando. o domínio próprio é o amor cedendo. paciência é o amor esperando. mansidão é o amor suportando. fidelidade é o amor perdurando.

o fruto do espírito é o amor. é o amor nascendo em você - é Deus tomando cada espaço de sua vida. é Deus agindo em você e através de você, em resposta aos estragos que o mal causa a sua volta. o amor é a identidade de Deus, e a marca de seus filhos na terra.

"com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros" (joão 13:35).


descanse..

sexta-feira, 12 de junho de 2009

duas

"voltem à fortaleza, vocês que são prisioneiros, pois hoje lhes prometo que para cada tristeza que tiverem eu lhes darei duas alegrias" (zacarias 9:12 bíblia viva).
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"no final do corredor, vire à direita".. foram as palavras que me indicaram o caminho até o quarto 734. hospitais são lugares estranhos. um misto de sons, cheiros, cores, rostos, sensações, reações formam o cenário de tragédias e milagres.. o alívio de quem vai, a angústia de quem chega. o choro de quem nasce invadindo o silêncio de quem morre. os olhos que não se fecham vigiando os que já não se abrem.

meus sentidos são afetados. sinto como se estivesse no meio de uma guerra e me pego imaginando o que passa pelo coração de Deus durante as horas intrusas que nosso mundo vive, sob o império da doença. e tantas orações, queixas, gritos, choros quase sempre encontram a melhor resposta na companhia silenciosa do céu.

passos lentos me levaram até o quarto frio de patrícia. calado, ouvi algumas histórias, de como a doença veio, de como levou a única filha e outras pessoas queridas.. e cada lembrança triste dita eu podia confirmar na tristeza escrita em seus olhos roubados daqui. ouvi risos sem graça, de quem tentava animar. mas de repente os olhos me procuraram. eu precisava falar alguma coisa. sabe, é ao lado de leitos de hospitais que eu me sinto mais humano e impotente. e tudo que pude fazer naquela hora foi trazer um recado de Deus - que não conhece limites ou impossibilidade - através das palavras do profeta zacarias.

quando a vida mais se parece uma coleção de fracassos, problemas, dores, dúvidas, dívidas, crises, lágrimas e perdas sempre há uma resposta divina. aos que escolherem viver e mesmo sofrer ao seu lado, ele promete restituição. não sei bem como, tampouco quando, mas conheço bem quem prometeu. a verdade é que muitas dessas alegrias não cabem numa vida tão pequena como a nossa.. é preciso a eternidade para experimentá-las.
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se hoje você chora uma tristeza, lembre-se: cada lágrima que cai é uma frase a mais escrita nos livros de Deus. e para cada tristeza ele tem duas alegrias.



descanse.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

pouco

esses dias desejei o céu com mais força. depois conto a história.. por hora, um som.
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sexta-feira, 15 de maio de 2009

pequeno

"esvaziou-se a si mesmo, tornando-se semelhante aos homens" (filipenses 2:7).
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certo dia, na alemanha do século dezoito, uma mulher foi ao médico. ela estava grávida de seu quarto filho e queria realizar um aborto. o motivo? seus três outros filhos haviam nascido com problemas, limitações físicas. depois de uma longa conversa, o doutor conseguiu dissuadi-la e o aborto não foi feito. mas se a tal mulher tivesse seguido com a idéia o mundo hoje não conheceria a música de ludwig van beethoven..

de fato o garoto nasceu com uma desabilidade auditiva e aos 33 anos de idade perdeu completamente a audição. dizem que para completar sua quinta sinfonia, ele teve que serrar as pernas de seu piano, para terminar a obra sentindo apenas as vibrações das notas no chão. beethoven teve uma noiva. ele era baixinho, tinha mãos pequenas e peludas. mas a figura estranha, escondia um talento nada comum. desencantada com o que via, a moça decidiu terminar o noivado. e não muito depois, quando beethoven se tornou um nome famoso na música, alguém questionou a jovem, quase que em tom de repreensão: "mas como você pôde terminar o noivado com um gênio?" ao que ela simplesmente respondeu: "naquele tempo tudo que eu via nele era um rapaz de baixa estatura"..
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quem é jesus? as respostas se perdem entre placas de igrejas, letras de músicas, rituais, discussões.. a verdade é que mesmo entre cristãos ainda há quem tenha uma imagem distorcida, trocada, pequena do cristo dos evangelhos. há quem busque seus milagres e lhe impeça o senhorio. há quem ame sua cruz e rejeite sua guia. há quem queira seu abraço, mas evite seu olhar. não compreendem a natureza de sua obra, nem percebem a grandeza divina escondida nos limites humanos. mais do que cumprir uma lei, ele veio consertar um relacionamento. mais do que oferecer cura, veio realizar salvação. mais que trazer respostas, cristo veio devolver sentido à vida.

e para você.. quem é jesus?

não aprisione cristo nas páginas de um livro, nas palavras de uma oração ou em uns poucos minutos de seu dia. que ele seja o primeiro, o maior e o melhor em cada uma de suas escolhas. que a luz da graça desfaça as trevas em sua volta e que seus dias sejam invadidos pela alegria da salvação.

e descanse..

domingo, 10 de maio de 2009

mãe

"será que uma mãe pode esquecer o seu bebê? será que pode deixar de amar o seu próprio filho?" (isaías 49:15).
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das imagens e metáforas que a bíblia utiliza para descrever Deus, uma se destaca. dos abraços, orações, esperas, sacrifícios, lágrimas e dores comuns entre os homens, os de mãe têm cor especial. dos amores que corações humanos - pequenos e egoístas - conseguem abrigar, um grupo seleto é marcado por sangue.

mãe é quem ama mesmo antes de ver o rosto, quem num beijo desconsidera o gosto dos caminhos errados do filho que volta.. quem abraça mesmo braços distantes, quem espera em orações incessantes. quem entrega um pedaço de tudo, em pedaços de si.. quem, da maior das dores, dá à luz o maior dos amores que já vi.
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nas histórias mais doces e caras de que consigo lembrar, ela sempre esteve lá. mesmo de longe não posso esquecer que em cada passo meu existe um pedaço seu.
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ps parabéns, mamãe..

sexta-feira, 8 de maio de 2009

relâmpago

"a luz veio ao mundo" (joão 3:19).
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nunca tive medo do escuro. aliás, quando era garoto passava horas na varanda de casa, simplesmente observando as noites escuras e chuvosas de janeiro. ficava impressionado com a mistura de sons e imagens que uma noite de tempestade oferece.. esforçava-me para descobrir de onde vinham os relâmpagos e me encantava com o cenário revelado por cada um deles. quando sua luz rasgava o céu, eu podia ver tudo a minha volta, mesmo que por poucos instantes. e nem toda a escuridão que vinha depois era capaz de esconder o que antes era invisível. descobri que depois do relâmpago a escuridão não é a mesma.

jesus é o relâmpago da história. é a luz enviada ao mundo para revelar o verdadeiro caráter de Deus e iluminar os cantos escuros do coração humano. ele que veio trazer perdão, esperança e cura, traz consigo também a visão necessária para a caminhada de fé. visão que nos permite enxergar certos gostos, hábitos, estilos de vida que de outra forma não perceberíamos. claridade que invade a sala de nossa consciência e nos faz ver as coisas como Deus as vê.
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nascemos num planeta escuro. e a escuridão inda teima em manchar sonhos, relacionamentos, sentimentos.. vivemos ameaçados pelos cativeiros gris do pecado, afetados pelas trevas. mas quando a noite parecer inviolável, lembre-se: jesus é o relâmpago da história. depois que ele cruza nosso caminho a escuridão de nossa vida nunca mais será a mesma.

que você experimente hoje a luz desse encontro. e descanse..

terça-feira, 5 de maio de 2009

coração

"cria em mim um coração puro, ó Deus" (salmo 51:10).
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hoje não tenho muitas palavras. só uma oração.. das páginas da bíblia, guardo com cuidado especial os capítulos protagonizados por davi. suas vitórias e quedas, sua coragem e suas fugas, seus amores e guerras, suas orações, suas canções - cada uma dá cor peculiar ao quadro mais amplo da vida daquele a quem o próprio Deus chama "homem segundo meu coração" (atos 13:22).

numa das cenas mais escuras, num dos dias mais vazios, sobe ao céu uma oração. um pedido angustiado, de quem pecou e simplesmente quer uma nova vida - um novo coração. mas há nestas palavras uma força escondida. davi pede: "cria em mim, Deus".. mas o verbo "criar" usado aqui não é um verbo qualquer. é o hebraico barah - que indica um ato exclusivo de Deus, uma criação a partir do nada. o rei davi toma emprestada a mesma expressão do gênesis para descrever a criação necessária em sua existência.

talvez hoje ao olhar para sua vida tudo que veja seja um emaranhado de escolhas erradas e consequências traumáticas. talvez relacionamentos errados, decisões impensadas tenham roubado a luz e a forma de alguns sonhos seus. talvez esses últimos dias estejam passando meio lentos, sob o peso de uma culpa, sem forma e vazios. lembre que uma única palavra de Deus pode transformar as coisas.. a mesma palavra que trouxe todas as formas e cores, todos os sons e sabores à existência, pode criar uma nova experiência, pode dar um novo sentido ao nada que somos.

oro para que hoje você experimente recriação em cristo e sinta mais uma vez a alegria da salvação.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

como vai você?

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lembro-me de ter feito esta pergunta a uma menina, certa vez. sua resposta não foi a que eu esperava. imaginava que ela responderia como a maioria das pessoas responde - “bem, obrigada.” mas, ao contrário, ela começou a chorar. não estava esperando por aquilo. tinha compromisso e queria ir logo embora. meu coração egoísta desejava não tê-la cumprimentado. porém, não teve outro jeito, tive que parar tudo e dar atenção àquela garota. ao ouvir sua história, percebi quão egoísta tinha sido. com meus 15 anos, aconselhei do jeito que sabia e ela me agradeceu por aquilo.

a verdade é uma só: as pessoas estão carentes de atenção e suplicando que alguém as ouça. o nosso cotidiano é muito corrido, a gente não pára por quase nada. trabalha e estuda o dia todo, tudo é urgente e importantíssimo. e parece que não temos tempo para o mais importante: as pessoas. john powell uma vez escreveu: “precisamos aprender a amar as pessoas e usar as coisas e não amar as coisas e usar as pessoas”. valorizar o mais importante é fundamental para o verdadeiro sucesso na vida.

pode não parecer, mas bem aí do seu lado existe alguém que precisa muito de você. todos nós temos problemas, mas nem todos tem um amigo de verdade para poder contar nas horas difíceis. tem muita gente sorrindo com os lábios, mas tem um coração sangrando. será que não é hora de pararmos um pouco e valorizarmos o que de fato importa? bem aí do seu lado pode ter alguém com problemas bem maiores que os seus.

atue hoje como um anjo da guarda. proteja, motive, chore se for preciso, mas faça a diferença! mas sabe, nem sempre o problema é com os outros, talvez quem precise de ajuda hoje seja você. se o caso é esse, quero que saiba que eu e você temos um amigo em comum. jesus sabe exatamente o que você está passando e ele conhece você como ninguém. e enquanto escrevo essas linhas faço uma oração por todos os que, um dia, estarão lendo essa inspiração e que estão com problemas sérios na vida ou na sua família. tenho certeza que esta oração o alcançará e que você terá um excelente dia!


aliás, como vai você?

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ps texto por ivan saraiva. pastor adventista, hoje vive em jacareí-sp e trabalha como evangelista da rede novo tempo. uma inspiração.. originalmente publicado em www.lugardepaz.com.br. e descanse..

sexta-feira, 17 de abril de 2009

indiferente

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outro dia li um trecho interessante do diário de salomão: "o que tapa o ouvido ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido" (provérbios 21:13). não sei porque, mas me veio à mente a palavra indiferença. para mim, tapar o ouvido ao grito de quem precisa de alguma coisa é uma descrição muito boa para indiferença. e como nós estamos familiarizados com ela. quem nunca foi tratado ou nunca tratou alguém com indiferença que atire a primeira pedra..

e como são comuns as situações em que as pessoas se afastam umas das outras por mal-entendidos, diferenças de opinião, inveja, receio, etc. e começam a se ver de maneira indiferente. indiferença.. essa para mim é a pior espécie. viver como se a existência de outrem não fizesse a mínima diferença para você. isso é muito perigoso. amanhã você pode estar gritando por ajuda. para dizer bem a verdade, eu creio que a própria indiferença já seja um grito. a indiferença é o comentário mais desesperado de todos. é o grito de quem quer convencer que pode fazer falta na vida do outro e que a ausência desse outro não dói. é o grito de quem quer atrair a atenção. é o grito de quem se sente inseguro. é um grito covarde. mas é um grito silente.
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talvez olhando para sua vida você encontre algum grito assim. se existe algo mal resolvido entre você e alguém - um amigo, um vizinho, um parente ou até mesmo um estranho - não se esconda atrás da indiferença. procure a tal pessoa e simplesmente converse. seja sincero. a indiferença é uma doença que corrói o coração.

amanhã é sábado e esse é um dia diferente. é um dia certo para repensar as relações e clarear os cantos escuros da vida. o sábado é o dia do perdão. ande pela vida de bem com Deus e com as pessoas a sua volta.


e descanse..

sexta-feira, 10 de abril de 2009

grito

"aí jesus deu um grito forte e morreu" (marcos 15:37 ntlh).
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não há um jeito mais humano de morrer - um grito. na cruz, os lábios que só conheciam benção, louvor e cura são de repente violados por um grito - expressão que ultrapassa as barreiras do tempo, do espaço, da linguagem, e comunica mais que as próprias palavras.

sombras intrusas roubam as cores do espetáculo sinistro que toma lugar. escuridão.. se em seu nascimento houvera luz à meia-noite, em sua morte há trevas ao meio-dia. ausência de luz, denunciando a ausência do pai. e um grito de dor. nada poderia feri-lo com maior intensidade do que a estranha sensação de abandono do céu.

o quadro romântico que os artistas pintaram ao longo da história não passa de uma fórmula adulterada da cena vexatória protagonizada por um homem nu. na bíblia, nudez é um símbolo de pecado. onde há nudez, há pecado. foi assim no éden, na criação, quando o primeiro casal pecou. foi assim depois do dilúvio, na recriação, quando noé pecou. é assim na mensagem profética para a última igreja, nas cartas do apocalipse. o mesmo aconteceu na cruz.. ali, sobre dois toscos pedaços de madeira, toda vergonha do mundo repousava num só homem. Deus estava nu. em cristo, Deus tomou nosso pecado. carregou todas as vergonhas consigo, mas nem sequer uma delas era sua. era peso demais. era estranho demais.

e um grito cortou o coração da mãe, sangrou o coração do pai, mas dividiu a história em duas. um grito rasgou o diafragma do pecado e alcançou o céu, para dar sentido a todos os gritos de quem se sente perdido, mas não encontra em si meios de salvação.
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as dores de cristo são a cura para cada alma perdida. o grito da cruz é a melodia do céu, é a canção dos salvos. que esse grito encontre eco em seu coração hoje. que você encontre vida em cristo.
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e descanse.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

rosto

"das trevas resplandecerá a luz. ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de jesus" (2 coríntios 4:6).
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tempos atrás, um jovem foi fazer uma visita a um amigo que há muito não via, em londres na inglaterra. chegando ao endereço indicado, bateu à porta da casa e foi atendido por uma garotinha. ele prontamente se apresentou, mas a menina não entendeu seu nome. ela voltou lá dentro e avisou ao pai: "papai, tem um homem lá fora que quer falar com o senhor". "como é o nome dele, filha?" quis saber o pai. e a resposta foi: "o nome dele eu não entendi, pai, mas ele é muito parecido com jesus"..
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a essência do cristianismo é parecer-se com jesus. cristianismo não é medido pela assistência aos cultos de uma igreja, nem pela ausência de certos lugares "proibidos". cristianismo é o quanto de cristo eu carrego comigo - em tudo que faço, digo, penso e sou. é fácil carregar consigo o nome de cristão. para alguns isso é cômodo. para outros não passa de uma tradição de família. mas e para você?

quando as pessoas olham para você, o que elas vêem? o time por quem você torce? as roupas mais caras? os filmes a que assiste? o tipo de amigos que tem? os lugares que frequenta? a quem segue? há certas coisas que estão escritas em cada pessoa.

não permita que nada nessa vida borre o seu rosto, e roube de você o prazer de ter a imagem de jesus. desvie seus passos de tudo que leve embora o tempo, a energia e a vibração com as coisas de Deus. e siga em paz.


e descanse..

segunda-feira, 30 de março de 2009

instante

eu sei o quanto eu te fiz sofrer / o quanto quis me esconder / de tudo que eu não senti / eu sei, o tempo pode desfazer / o que ninguém lutou pra ser / instante que só eu guardei / quem sabe algum dia eu consiga entender / mas hoje, que importa / o melhor é esquecer / meu amor, o amor // um instante inconstante / tudo pode acontecer / um sorriso tão distante / que só eu vou perceber // eu sei, nem tudo tem que ser assim / nem todo amor vai ter um fim / o tempo é que vai dizer / eu sei, e a chave deve ser saber / não adianta me envolver / sabendo o que eu sei / quem sabe algum dia eu consiga explicar / mas hoje, que importa / nem preciso disfarçar / o amor, meu amor // num instante o teu beijo / não é mais o que desejo / num instante tudo o que restou / lembranças de um amor.






ps poema e canção por cândido gomes. para quem vive horas lentas, sob o fuso horário de lugar nenhum..

sexta-feira, 27 de março de 2009

metro

"ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter" (romanos 12:3).
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era um garoto esperto. do alto de seus quatro anos de idade, um belo dia decide compartilhar com a mãe sua nova e incrível descoberta. "mãe, eu tenho três metros de altura!", exclama com todas as confusões linguísticas que a idade lhe permite. mãe atenta, logo responde: "não, meu amor. você já é homenzinho, mas não é tão alto assim". silêncio.. uma testa franzida e um pouco de insistência do pequeno gigante: "sou sim, mãe.. eu medi". olhos arregalados do outro lado, e uma pergunta irresistível: "é, meu amor? e com o quê você se mediu?" faceiro que só ele, o menino apresenta sua evidência, e tirando de um dos bolsos sua régua (de 30cm), diz: "com esse metro aqui, ó."

como você tem se medido esses dias? pessoas felizes são humildes. conseguem enxergar em si somente uma fração do ideal, e nos outros, um pedaço necessário, consistente, diferente nesse mesmo plano.
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o sábado é um convite para deixar os atalhos egoístas, dos passos pequenos e passar um tempo especial ao lado do completo e infinito. hoje: seja simples, acessível, sorridente e agradável. que tamanho tem seu metro?

descanse..

quinta-feira, 26 de março de 2009

parábola da biruta

era uma biruta. nascida tão somente para medir a força e traçar o rumo dos ventos que lhe cruzassem o caminho. e assim viveu muitos dias, entre brisas e tempestades, entre lestes e oestes, alterando as rotas dos olhares que teimavam em seguir seus movimentos misteriosamente coloridos, e provando o gosto dos ventos que lhe escolhiam - para ir ou para voltar.

um dia um vento novo apareceu. um vento certo, um vento forte, vindo de perto, indo pro norte. e convidando a biruta indecisa para dançar. era um destino desconhecido, mas estranhamente atrativo. talvez a força e o tom decidido fosse o que dava luz especial a mais esta sensação. e foi.. ainda que imóvel, abriu espaço em si para seu amante invisível, e todas as suas cores, sorrisos e dores iam embora com ele para onde quer que fosse. e foi assim.

mas se sua única ocupação era sentir, mesmo nisso chegou a falhar. era só uma biruta.. sentindo, simplesmente, foi capaz de encurtar distâncias, antecipar partidas e adiar chegadas, mas em seus dias insensíveis nada mais aconteceu. o vento foi embora, incerto mas constante, e ela ficou - perdida entre os sentidos que já não sentia e os vazios que inevitavelmente a preenchiam - esperando seus ventos passados. quem sabe um dia eles voltem. cuidado com as curvas do vento.

quem lê entenda.

sexta-feira, 20 de março de 2009

êxodo

"ouvi o seu clamor" (êxodo 3:7).
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para alguns estudiosos, êxodo é o primeiro dos livros da bíblia. não o mais antigo. não o mais carregado de teologia, mas um ponto alto, em que o tema redenção é tocado pela primeira vez de maneira mais clara. se o Deus do gênesis é o Deus que cria, o do êxodo é o Deus que liberta. se o gênesis é o livro dos começos, o êxodo é o livro dos recomeços.

é no contexto do êxodo que o relato da criação é dado. o começo encontra seu eco no recomeço. aliás, que sentido faria relembrar o início, se nossa existência estivesse fadada ao cativeiro do primeiro final? parece que tão importante quanto lembrar como tudo começou é saber que para cada caos de uma vida vazia Deus tem um jeito de recomeçar. talvez por isso, no antigo testamento, Deus seja chamado apenas seis vezes "o Deus que criou", e trinta e duas "o Deus que libertou do egito".
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um dia, lá do egito, alguém gritou. já não aguentava mais o peso da desesperança. e Deus ouviu o clamor, o choro, o grito. a palavra hebraica para clamor aqui é sa'aq. é uma expressão de dor. é o grito de quem está ferido. alguns linguístas consideram essa palavra uma das mais fortes no idioma hebraico. é um clamor de agonia que só nasce na voz de um desesperado. sa'aq é também a interrogação que surge da dor. mais que um "ai! tá doendo!", é um "será que ninguém está vendo meu sofrimento?" os israelitas estavam oprimidos, desesperados e quando clamaram, Deus ouviu. ele sempre ouve.

interessante.. um choro abre a história. um choro é a causa, a razão, o motivo que faz o céu se mover. mas Deus não é só de ouvir. ele age. o êxodo nos revela como Deus responde ao choro de um filho seu - recomeço. para israel ele tinha liberdade - uma nova casa, um novo rumo, um novo sonho.
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talvez hoje você viva o pedaço estranho da vida que separa os finais dos novos começos. quando os meios se quebram. quando as buscas só encontram impossibilidade. quando as capacidades encontram limite. quando as portas se fecham. quando tudo que se pode fazer é chorar.. talvez seja este o momento ideal para a ação divina. Deus conhece caminhos, espaços, saídas, respostas escondidos pelas esquinas escuras dos finais inevitáveis de nossa existência. Deus é o mestre na arte de transformar choro em redenção.

talvez hoje você chore sob a pena de uma dúvida, uma dívida, um medo, uma perda, uma crise, uma dor, ou simplesmente solidão. talvez hoje você chore um final.. que o seu choro abra espaço para a mão de Deus agir em sua história. talvez seja hora de recomeçar.
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descanse.

sexta-feira, 13 de março de 2009

casa

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moro longe dos meus pais. faz anos que saí de casa e desde então sinto um aperto do peito e uma vontade de voltar, onde quer que eu esteja. doi estar distante de quem se ama. mas os caminhos da vida me afastaram de casa. o que me assusta é pensar que muitas vezes estou longe do meu pai do céu e na maioria delas isso é fruto de uma escolha minha.

quando você se sentir perdido e sozinho. quando sentir saudade. quando der vontade de chorar, lembre que a porta nunca esteve fechada para você. basta entrar e descansar.. pois sempre há um lugar na casa do pai.

um lindo sábado para você.

terça-feira, 10 de março de 2009

luz

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ela é luz. luz que invade cada cena, desde a triste - mas pequena - que separa estes dias dos que eu mais quero viver.. luz que brilha, mesmo longe. luz de velas, luz de fontes que até eu desconhecia, antes de lhe conhecer. luz de risos, luz de toques.. luz de estrelas e de nortes improváveis, indizíveis, mas que amo desejar. luz viçosa, luz de dentro. luz da prosa, luz do vento que me encanta em suas voltas té a hora de voltar. luz calada, luz sincera. luz que aclara cada espera. luz de lara, quem me dera tê-la agora e sempre aqui.. inda bem que ela nasceu e houve luz também em mim.
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ps amor, parabéns pelas dezenove cores. e obrigado por colorir meus dias..

sexta-feira, 6 de março de 2009

migalhas

"tudo isso te darei se prostrado me adorares" (mateus 4:9).
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jesus foi tentado. sua humanidade não escapou das investidas do diabo. ele foi tentado com toda a força do mal, pois um tropeço seu significaria a ruína definitiva de toda a humanidade. satanás provocou os sentidos e questionou os motivos de cristo - o que em essência é tentação. mas há uma oferta do diabo que me chama atenção no relato de mateus.
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depois do deserto e do templo, agora o palco da tentação é um monte alto. ali o tentador põe diante de jesus "todos os reinos do mundo e o seu esplendor". com os poucos efeitos especiais necessários para fazer brilhar os olhos de um homem fraco, pálido e faminto, satanás ofereceu o domínio dos reinos do mundo ao messias não a preço de cruz, mas de um minuto de adoração. a resposta de jesus foi firme e clara. ele recusou a glória do mundo inteiro em troca de um único minuto sob o domínio de satanás. não se rendeu nem mesmo à proposta mais atrativa do inimigo - todos os reinos do mundo.
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é triste ver, mas muitas pessoas cedem diante de propostas bem menos iluminadas. cristo não se curvou para ter a glória do mundo inteiro, mas muitos se curvam para receber migalhas. e não é difícil ver até mesmo seguidores do cristo do deserto prostrados nos cantos escuros da vida, a troco de migalhas. um aplauso, um beijo, uma sensação, uma vantagem, um alívio, uma nova 'amizade', um aumento no salário e mais um par de joelhos se dobra em algum lugar.. mais um compromisso é quebrado, mais uma história é manchada, mais uma promessa é esquecida. migalhas parecem grandes coisas quando perdemos de vista as ofertas de Deus.
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eu não sei quais tem sido as ofertas do diabo para você. mas hoje antes de dormir vou orar por sua vida. não se curve diante do mal para recolher migalhas. Deus tem muito mais a oferecer. mais que aplausos, Deus quer lhe dar valor. mais que um beijo, uma sensação, uma vantagem, Deus quer lhe dar realização completa. mais que um alívio, Deus quer lhe dar cura. mais do que o agora, Deus quer lhe dar o sempre. ele sempre tem mais que migalhas.
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que você escolha hoje ver o invisível. espere em Deus. e descanse..
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ps não vejo a hora de passar meus sábados com ela..

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

telescópio

"a fé é a prova das coisas que não vemos" (hebreus 11:1).
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o telescópio foi uma das grandes invenções de galileu galilei. é intrigante imaginar como um pequeno tubo, combinando um jogo de lentes nos permite enxergar coisas que estão bem além de nossa capacidade imediata de ver. outro dia li uma história interessante, envolvendo a invenção e o inventor.

certa dia, num terraço qualquer da cidade de veneza, galileu se reuniu com um grupo de homens ao redor de seu estranho invento. um comerciante que passava por ali, curioso, perguntou: "o que vocês estão olhando aí?" a resposta foi mais estranha ainda: "navios.. e dois deles estão vindo do sudoeste". o homem não podia acreditar no que ouvira, já que olhando para o horizonte não podia ver nada além de água e céu. mas os homens insistiram: "há sim! olhe por aqui"..

fechando um dos olhos, o comerciante olhou através daquele pequeno tubo, e dois grandes navios apareceram diante de seus olhos como que por mágica. "é inacreditável!", exclamava. então galileu o convidou a retornar ali à noite, prometendo lhe mostrar as montanhas e crateras da lua, as quatro luas ao redor de júpiter e estrelas invisíveis ao olho. isso pareceu demais ao pobre homem. "esse tubo é uma invenção satânica pra nos fazer ver coisas que não existem", disse meio assustado. "mas você não viu os navios?", perguntou galileu. ao que o homem respondeu: "sim, mas isso deve ser um truque, pois ainda não podemos vê-los sem o tubo". "espere", foi o conselho do cientista, "e você os verá".. várias horas depois os dois navios ancoraram no porto de veneza.
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muitas vezes é preciso fechar os olhos para enxergar além, através da fé. pela fé podemos ver coisas que olhos comuns não conseguem ver. pela fé podemos ver anjos à nossa volta em cada momento. pela fé podemos ver a mão de Deus sobre os caminhos de nossa vida. pela fé podemos ver Deus respondendo orações, curando feridas, abrindo portas, salvando vidas.. podemos ver o céu tocar a terra. podemos ver milagres de salvação. pela fé podemos ver jesus sorrindo. basta olhar além do que se vê.
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que hoje você consiga ver além do óbvio, além do palpável, além do presente, além do final..
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e decanse.






ps feliz poema por felipe tonasso e candido gomes.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

vento

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o amor é como o vento,
incoerente e perfeitamente leve
e forte.
leve pra fazer cócegas no rosto.
forte pra derrubar os estorvos.
leve pra embalar.
forte pra ir bem longe, alcançando qualquer distância.
leve pra ninar.
forte pra unir no frio.
ora brisa.
ora vento.
ora temporal.
amor é sempre leve
e sempre forte..


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ps poema por marla moraes. a marla é uma amiga especial, das poucas que passeia livremente entre os sons e as palavras. li as que escolhi para hoje num dia especial. obrigado pelo poema, marla. Deus esteja sempre com você e com o daniel..

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

templo

"samuel ainda não conhecia o senhor" (1samuel 3:7).
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sempre fui apaixonado pelas histórias da bíblia. e uma delas me chamou a atenção de um jeito especial esses dias. tenho passeado pelas páginas do primeiro livro de samuel. apesar das discussões sobre a autoria dos dois livros que carregam o nome do profeta - se exclusiva ou compartilhada com um redator assistente -, creio que de sua própria pena devem ter saído muitos dos detalhes nas tramas ali narradas. certas cores, sons e sentimentos não poderiam ser melhor expressos, senão por seu protagonista.

é assim em 1 samuel 3. samuel fora consagrado a Deus por sua mãe em um voto, e ainda bem pequeno passou a viver no templo, onde auxiliava o profeta eli. isso mesmo.. ele vivia no templo. ele dormia no templo, comia no templo, estudava no templo, (e porque não dizer) brincava no templo. samuel cresceu dentro dos limites mais sagrados no território israelita. ele conhecia muito bem os rituais, os móveis, os sacrifícios, as festas, os sábados. mas um dia uma voz diferente o despertou no meio de uma noite qualquer. e aqui eu consigo imaginar o velho samuel, anos depois, de olhos fechados, voltando no tempo, ao revelar como que a um diário que naqueles dias ele ainda não conhecia o seu Deus.. mas como?
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alguma vez você já sentiu uma dúvida apertando o peito? já se sentiu perdido diante de uma decisão importante? alguma vez você orou, mas só para se perder depois em meio às muitas vozes em sua mente? eu já. aprendi que é possivel estar no lugar certo, na hora certa e mesmo assim se encontrar perdido. é possível viver no templo sem conhecer o senhor.
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o sábado é o santuário de Deus no tempo. mas é possível entrar por suas portas, sem de fato conhecer o seu senhor. é possível cumprir seus rituais sem conhecer seu autor.
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que você ouça a voz de Deus de uma maneira especial durante esse sábado. que seja um espaço no tempo dedicado a íntima comunhão com o seu Deus. leve a ele suas questões, ansiedade, pedidos, perguntas, pois estou certo de que o senhor fala quando o servo está pronto a ouvir.


e descanse..

sábado, 14 de fevereiro de 2009

dois

a dois
se eu pudesse te dar meu primeiro amor / eu juro que daria / se eu pudesse te dar a primeira flor / não duvides, eu daria / se eu pudesse gritar que meu mundo é teu / se eu pudesse juntar o teu nome ao meu / se eu pudesse apagar o que aconteceu / tudo isso eu faria // olha pra mim / esquece o que quase foi / a gente é feliz assim / pois só é feliz a dois // te levo nos ombros / te mostro a paisagem / e abro a janela do meu coração / escrevo uma carta / contando os detalhes / pra ter o teu sim, esqueço até o teu não // dentro de mim muita coisa mudou / já me feri, já sofri de amor / mas se na vida amar é viver / eu arriscaria até me perder pra te encontrar



ps poema e canção cândido gomes, o namorado mais apaixonado. happy valentine's..

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

outro

"já estou cansado dos seus sábados" (isaías 1:13-14).
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e se esse fosse seu último sábado? o que você faria? as mesmas coisas? iria aos mesmos lugares? diria as mesmas palavras? não sei.. mas sugiro que você tente algo diferente. que tal fazer deste sábado mais que outro sábado apenas? por que não torná-lo especial não tanto por causa dos lugares aonde você deixou de ir, mas por causa dos lugares aonde você foi? por que não gravá-lo na memória não por causa do que você não pôde fazer, mas por causa do que você decidiu realizar - para louvar a Deus e abençoar outros?
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desfaça as amarras do formalismo, abandone o ritual e torne o sábado mais real em sua experiência. visite alguém. conte a um amigo algo bom que lhe aconteceu esses dias. desligue o celular. fuja da internet. escreva uma oração. cante uma música antiga. olhe pela janela. ria mais.. vá. faça. viva. e descanse..
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descanse.
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ps saudades dela.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

fade

ps slow fade casting crowns. quando puder, ponho a letra.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

raiz

"assim, quem julga estar firme, cuide-se para que não caia" (1 coríntios 10:13).
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vivi quatro anos num lugar lindo - uma fazenda escondida, no interior do estado de são paulo. ali estudei, fiz amigos e aprendi a passar tempo simplesmente notando a natureza. tem certos detalhes no espaço que fogem aos olhos apressados, mas ensinam grandes lições.

certa manhã, passando pelo mesmo caminho de sempre, reparei uma alteração na paisagem. havia uma árvore a menos, uma árvore caída.. fiquei curioso e me aproximei. é estranhamente engraçado imaginar que fiquei triste diante daquela cena.. ao analisar mais de perto as raízes apodrecidas, pensei: isto deve ter acontecido há algumas horas, mas esse processo começou há muito, muito tempo.. nenhuma árvore cai assim de repente. alguma doença mortal já vinha se desenvolvendo há anos ali. logo, as pessoas responsáveis pela limpeza do lugar foram avisadas e tudo desapareceu em poucas horas.

as coisas não são tão simples assim com as pessoas. seres humanos não nascem sozinhos, tão pouco crescem independentes uns dos outros. nossa vida é um constante entrelaçar, perder-se e encontrar-se uns nos outros. acontece que com o contar dos anos, passamos a recuar quanto à confiança em compartilhar esferas mais íntimas de nossa experiência. e aí reside um grande perigo. uma doença grave passa despercebida por dentro, sem receber cuidado algum. ninguém pode ver o que acontece por trás de nossa casca aparentemente sadia. e a erosão segue seu processo lento, silencioso e secreto.
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mas certo dia há uma quebra, um rompimento súbito, inesperado - uma queda terrível que permite que todos vejam o que ninguém esperava. e como pessoas não são árvores, nunca caem sozinhas. todos os laços a sua volta são afetados. são laços de sangue, de fé, de anos de convivência ou de mera admiração. a limpeza também não é muito fácil. às vezes demora anos..
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olhe bem para dentro agora mesmo. não esqueça que a erosão pode estar acontecendo mesmo enquanto as folhas são verdes e o fruto tem bom sabor. não se iluda com a idéia de que sua queda não irá afetar ninguém. olhe suas motivações, seus hábitos, seus pensamentos. aceite confrontação. olhe para dentro.. olhe com os olhos de Deus, pois ele vê o coração.



e descanse.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

menu

achei engraçado. outro dia, uma menina até bonitinha sentou-se à mesa para o jantar. prato feito, lenço dobrado, dedos estralados, tudo pronto para agradecer a Deus por mais uma refeição e... que nada! ela avançou no pratão sem nem titubear. achei estranho também. parecia uma moça inteligente, mas me fez lembrar o meu cachorro, o cheff, que na hora de comer, pobrezinho, não sabe agradecer. ele não pensa, não raciocina, não entende que as coisas que recebe vêm de alguém.

se a menina conseguia pensar? imagino que sim. mas naquela hora não pensou. estava com a cara fechada, que até assustava. não vou ser de todo rude ao comparar moça de família ao meu velho cão. há, é evidente, uma diferença bem notável entre ambos, isso eu sei: é que o meu cheffinho, cachorro que só ele, mesmo sem ter um cerébro igual ao da bonitinha, ainda era capaz de me saudar (para não dizer agradecer) com o seu rabinho balançando! acho que ele é feliz.

você já falou com Deus hoje? já agradeceu pelos favores que tem recebido dele? é só abrir os olhos, olhar para os lados e ver que sua vida é cheia de motivos para agradecer. é simples: só olhe para o céu e, do fundo do coração, diga: "obrigado, Deus, por me dar tudo de que eu preciso e me fazer tão feliz!" eu mal posso esperar pela próxima refeição..


bom apetite!



ps texto antigo. saudade de escrever..

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

inauguration

hoje o mundo pára. por razões óbvias e conhecidas de todos, a posse de barack obama é um dos maiores acontecimentos da história americana. mesmo há uma semana os avisos sobre o trânsito e a segurança do evento já eram vistos espalhados pelas vias rápidas em torno de washington, pois se espera um público dez vezes maior que a população de dc para assistir à inauguration.

milhões de pessoas ao redor do mundo também acompanharão o evento. verão o primeiro presidente negro empossado em um país ferido pelo preconceito. e mais: verão o líder da maior nação do mundo pôr uma das mãos sobre uma bíblia e jurar fidelidade a seus princípios para dirigir a américa.. uma cerimônia bonita, mas vazia.
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as guerras, o capitalismo inconsequente, a conduta individual, a mente secular, a pressa, as facilidades da vida americana não parecem, nem de longe, ser guiados pelo livro sagrado da religião cristã. a fé professada pelo representante dos eua parece não ir além das fitas de isolamento da aréa restrita onde o juramento é feito, e a fé se torna um ritual nacional, assim como os jogos de futebol e beisebol. entre os gritos que saúdam a mudança e a família obama, quem sabe alguém consiga ouvir: "god bless america".
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que a sua fé não se reduza a rituais, lugares ou mesmo pessoas. que seja uma resposta à graça recebida de cristo, e que o motive a dividi-la com outros.
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Deus o abençoe.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

frustrações

hoje à noite me senti meio frustrado (se é que existe meia frustração), mas isso eu não vou explicar.
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quando paro para fazer o balanço do meu dia, pesar minhas atitudes, medir minhas palavras.. reconhecer minha assimetria, fico mal. não posso ficar tranquilo sabendo das arestas que ainda há em mim.. não posso ficar tranquilo sabendo que sou áspero, falso, insensível, intransigente e - para completar - medroso. é quase insuportável conviver com tantas rasuras no caráter. o que mais dói é pensar que cada passo dado nesta vida, cada dia vivido, é único, não volta - jaz na memória de um feliz (ou um frustrado). é difícil viver num mundo pequeno e borrado pela maldade, pelo pecado. e a luta é por não me deixar levar pela onda dos conceitos e diários deturpados.

no entanto, eu me abrigo sob as asas de uma verdade inconteste. nas coisas que me cercam, mesmo que meio embaçada, tenho uma visão da providência de um ser sobrenatural. seu nome: Deus. função: dar vida. identidade: amor. endereço: aqui. tempo: agora e sempre. seu desejo: ver-me feliz.

sei que posso descansar em segurança amparado pela graça de um Deus tão grande. depois de expor a ele minhas frustações, posso ouvir seu conselho, sentir seu abraço e seguir confiado. nele a vida faz sentido. em meus limites ele encontra oportunidades para revelar onipotência e um desejo insofismável de me fazer bem.

já é tarde da noite, mas não consigo dormir sem antes me acertar com Deus. tirar as máscaras e abrir o coração: é tudo que preciso para vê-lo agir em mim.
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durma bem, durma em paz. e descanse..

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

soldado

"aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus" (2 coríntios 5:21).
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outro dia li uma história dos anos da guerra civil americana. por acreditar que o combate militar era algo impróprio na vida cristã, os jovens cristãos buscavam formas de servir o exército sem tomar armas. felizmente, o governo ofereceu uma solução para esses casos: se um homem encontrasse um substituto que fosse à guerra em seu lugar, estaria livre da convocação.

uma das cartas de guerra chegou à porta de um rapaz da igreja. ele tinha um amigo que estava ansioso para ajudar a pôr fim à tal rebelião. assim, a troca foi feita. acontece que alguns dias depois o combatente foi morto numa batalha em shiloh.
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cerca de um ano depois, outra carta chegou à casa do jovem cristão, informando-o de que ele havia sido convocado novamente. no entanto, ele enviou sua resposta dizendo às autoridades que não poderia ser convocado porque estava morto. o gabinete de recrutamento nunca havia recebido uma carta daquela antes, afinal, os mortos não mandam cartas.. o caso parou nos tribunais, mas o jovem ganhou a causa. o tribunal concluiu que, quando o seu substituto morrera no campo de batalha, o próprio jovem havia morrido para o recrutamento. perante a lei, era como se ele mesmo tivesse lutado e morrido na batalha.
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não há como entender o mistério da justificação, pois a encarnação já é em si um dos segredos da eternidade. o milagre que transforma o infinito em pequeno é proporcional ao que torna o ímpio em justo. a bíblia não dá resposta a todas as perguntas, mas conta a história de um soldado especial que tomou as vestes humanas e entrou em nosso campo de batalhas, lutou a maior das lutas e morreu em lugar de cada amigo seu.
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o sábado é um lembrete do descanso e da paz que encontramos sob os méritos de cristo. cada carta de morte recebida, por nossos tropeços e faltas, foi cravada na cruz. entregue suas lutas a ele. e descanse durante esse dia especial.
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e descanse.
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ps oro por você. e peço que ore por mim..

domingo, 4 de janeiro de 2009

não vai ser assim

não sei se você vai concordar comigo. a vida me ensinou uma lição dura e repetitiva: como eu penso que as coisas vão acontecer, é exatamente assim que não vai ser.

por favor, não se apresse nas conclusões. permita-me defender a idéia primeiro. não estou me referindo às "coisas" em mim - minha personalidade, minha maneira de agir, minhas reações isoladas. também não estou me referindo às "coisas" que comumente chamamos de deveres. esse não é um discurso revoltado! estou falando de algo muito mais complexo. algo que envolve mais que os conflitos internos de um só ser humano. estou falando do conjunto de ações e reações resultantes do encontro de diversos mundos - conceitos, medos, desejos, frustrações, deveres, visões, verdades, ilusões, sonhos, infâncias - no espaço infinito de um momento apenas.

agora não sei se expliquei ou compliquei.

cada um em seu mundinho infinitamente pequeno fica como que traçando o futuro de outros tantos mundos (pessoas) quantos lhe interessem, como se essa fosse a mais simples das "coisas". olhamos a nossa volta e escolhemos a dedo os mundos (pessoas) que queremos que façam parte de nosso sistema egocêntrico, desconsiderando muitas vezes a problemática de cada órbita em questão.

pessoas não são coisas. e as "coisas" não são tão simples assim.

ok, mas é sempre assim. passamos 24 horas de nosso dia vivendo em função de nós mesmos, em nosso fuso horário tacanho. munidos de réguas e lupas, saímos pela vida atrás de "coisas" que me façam bem, feliz. e o que é ser feliz? (silencio) munidos de nosso egoísmo de última geração, traçamos nosso futuro e o futuro de quem quer que seja, desde que seja bom para o próprio eu.
mas não vai ser assim. sabe por quê?

é porque todos pensam assim. cada um é uma espécie de dono do universo. e o universo é só um. como você pensa que as "coisas" serão, enquanto pensar somente com seus olhos viciados em você, é assim que elas não serão.

ontem tive mais uma aula sobre a mesma lição. as coisas não foram como eu quis. talvez outra hora conte a história. mas o assunto não acabou..
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até!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

bem

meu bem,
há tanta coisa para esquecer
tantos momentos para ensurdecer
tantos descasos para aproveitar

meu bem,
há tantos sonhos para alterar
tantos domingos para utilizar
e outros passos para ir além
meu bem,
há tantas flores para enfeitar
e tantas frases para completar
e tantas cores para ser azul

meu bem,
deixa esse plágio para quem não tem
um bom motivo ou, quem sabe, um bem
que lhe acalme e permita ser
alguém
mais exclusivo, mas nem tanto assim
muito egoísmo também é ruim
há poucos anos para ser feliz.

se penso em ti me sinto bem
e fico bem - um bem de mim
é tão feliz saber que o bem
que mais se tem não tem mais fim.

enfim.




ps texto de 5.12.5

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

vale

..

ps houve um problema com o servidor da "fitinha". mas aí está outra canção especial do novo cd dos arautos do rei.

domingo, 21 de dezembro de 2008

silencio

"duas coisas indicam fraqueza: calar-se quando é preciso falar e falar quando é preciso calar-se", diz um antigo provérbio persa.
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não quero comentar o óbvio. quanto a isso silencio.
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aprendi que o silêncio é eloqüência em situações em que o grito impera. aprendi que quando silencio, mesmo a minha ignorância passa despercebida. aprendi que silêncios são essenciais para viver bem vinte e quatro horas. inda não aprendi nem um décimo do que deveria ter aprendido.

mas o que aprendi, aprendi sendo ferido pelos golpes desferidos por lancetas que não voltam: palavras ditas.
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silencio.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

ouça | arautos do rei

cresci ouvindo os clássicos de arautos do rei. aliás, um dos meus sonhos de infância era cantar um dia neste que é o grupo musical mais tradicional e mais conhecido da igreja adventista. desde que me entendo por gente, acompanho as formações, os discos, as apresentações.. e sofri com os tempos difíceis que o quarteto enfrentou. orei por esse ministério tão valioso.

não faz muito tempo, foi lançado o novo cd dos arautos: "vale a pena esperar". já ouvi e gostei. apreciei a combinação das vozes e a volta do társis. espero que este álbum seja uma bênção para os que ouvem e os que cantam.. minha canção predileta é "se a mão de Deus tocar em mim", do mestre jader santos - sempre inspirado e inspirando.

Deus abençoe os arautos e você que apoia este ministério adquirindo o cd, cantando as músicas ou mesmo orando.
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vale a pena ouvir..

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

mensagem para você, 1/2

"jeremias ainda estava preso no pátio da guarda quando o senhor lhe dirigiu a palavra pela segunda vez: 'assim diz o senhor que fez a terra, o senhor que a formou e a firmou: clame a mim e eu responderei e lhe direi coisas grandiosas e insondáveis que você não conhece'" (jeremias 33:1-3).

nunca fui muito popular nos meus tempos de escola. lembro de um episódio, em especial, que tornou isso ainda mais claro para mim. eu tinha uns treze anos e fazia a oitava série, quando houve em cada turma uma semana especial: a semana das mensagens. cada aluno escreveria mensagens especiais para os colegas. seriam mensagens de elogio, admiração, conforto, incentivo. é bem verdade que alguns aproveitaram a oportunidade para escrever mensagens mais coloridas, mais românticas, mas o objetivo inicial era simplesmente levar os alunos a maior interação e desenvolver neles o desejo de ajudar alguém próximo ou distante com uma mensagem oportuna.

você tinha que ver o clima que se estabeleceu na classe.. a cada manhã os alunos trariam seus bilhetinhos bem escritos e dobrados e os depositariam numa caixa especial, posta sobre a mesa do professor. as mensagens seriam entregues somente na sexta-feira, assim um certo ar de competição logo se instalou. quem receberia o maior número de bilhetes? quem seria o mais lembrado?

o que eu não tinha de popularidade achava que tinha de esperteza. logo formulei um plano e a equação era muito simples: "eu não sou popular, logo não vou receber muitas mensagens dos meus colegas. mas, e se eu escrever algumas mensagens anônimas e endereçá-las a mim mesmo?" isso era perfeito! já na segunda-feira eu conseguia imaginar o sucesso reservado para a sexta. voltei para casa no fim das aulas e passei a tarde preparando bonitos cartões, com bonitas mensagens.. para mim mesmo. escrevi quinze, ao todo. lembro que em um deles escrevi assim: "cândido, você é muito bonito. ass.: admiradora secreta". em outro, as palavras foram: "cândido, te acho muito inteligente. ass: alguém especial". outro dizia: "cândido, adoraria conhecer você um pouco melhor. anônimo". e assim, fui escrevendo minhas mensagens..

lembro que na sexta-feira um momento especial foi reservado para a entrega dos bilhetes e cartas da tal caixa. eu ficava todo expectante em cada vez que alguém se dirigia até minha carteira e dizia: "cândido, mensagem pra você!" era uma sensação muito gostosa, que eu experimentava somente até perceber que aquela era apenas mais uma das mensagens que eu criara para mim. no fim da distribuição, eu tinha em mãos dezesseis mensagens: as quinze que eu mesmo havia escrito e uma da professora - ela escreveu para todos os alunos.. não me recordo se fui o campeão de mensagens daquele dia, só sei que voltei para casa triste. tudo que tinha nas mãos eram mensagens de mentira.

se a bíblia possuísse um subtítulo, as letras douradas da sua trariam os seguintes dizeres: bíblia - mensagem para você. de uma maneira milaculosa, esse livro de capas pretas contém mensagens que atravessam o tempo e alcançam vidas até hoje. são mensagens de um Deus pessoal, endereçadas a pessoas específicas, a quem ele conhece muito bem. embora eu não saiba explicar como isso acontece ao certo, já vivi o bastante para ver este mesmo milagre se repetindo várias vezes.

o problema acontece quando não recebemos suas mensagens, preferindo ocupar nossas mãos com as mensagens de plástico que criamos para nós mesmos; quando visitamos suas páginas, mas não transformamos seus conselhos em normas de vida; quando torcemos, invertemos, adaptamos sua dimensão ao nosso número pequeno e egoísta.. quando apontamos, ao invés de encararmos suas verdades.

a mensagem da bíblia não é direcionada a igrejas, mas a pessoas. a bíblia é bem mais que livro-texto para essa avalanche de denominações cristãs surgidas nos últimos anos, é um recado divino e pessoal. a bíblia é mais que um compêndio teológico, é uma carta de amor escrita por um pai, e escrita com gotas de sangue.

a bíblia não contém sempre as mensagens que queremos ouvir, mas as que precisamos ouvir. tolo é quem insiste em querer aprisionar a sabedoria divina nas molduras de predileções humanas e esquece que Deus tem reservado para nós "coisas grandiosas e insondáveis que não conhecemos". a mensagem da bíblia é a mensagem necessária, é o único roteiro que conduz ao final feliz. a quem você vai ouvir?
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..
continua..

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

nós

"então jacó trabalhou sete anos por raquel, mas estes lhe pareceram poucos dias, pelo tanto que a amava" (gênesis 29:20).
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jacó é um dos personagens centrais do relato bíblico. não é sem motivo que o povo de Deus carrega seu nome, antes e depois da cruz.. seus caminhos, seus sonhos, suas lutas, suas fugas foram palco para um milagre transformador de Deus em sua vida. quando assumiu suas vergonhas, foi declarado vencedor. mas há um capítulo especial de sua história que me alcança com mais força esses dias..

jacó era um homem sensível. apegado à mãe e às coisas de casa. talvez o maior preço pago por seus erros tenha sido sair de casa antes da hora e para nunca mais ver o rosto de sua superprotetora.. longe de casa, sozinho, peito apertado, o jovem viajante encontra uma moça que lhe desperta e, ao mesmo tempo, rouba o amor. agora, sandálias empoeiradas, cajado nas mãos e uns poucos trocados na bagagem, o rapaz apaixonado decide entregar seus dias, seu suor e suas lágrimas para ter sua amada. e foram muitos dias. foram anos..

aprendi vivendo que o tempo é relativo. os anos, os dias e até as horas de nosso pequeno pedaço na linha do tempo ganham significado quando unidos a outro pedaço, na vida de outrem, por um dos nós do amor. esperar é inevitável, mas o sofrimento é relativo.. quando não esperamos simplesmente um dia, mas quando esperamos alguém. quando o "eu" se transforma em "nós". quando, mesmo sozinhos, não esperamos a sós..
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nós de amor. amor de nós. amor que une à distância, fortalece com a dor, nós que amamos conhecemos.. nós que encurtam a espera e alargam as fronteiras da felicidade.. amamos assim, quando existe um coração além daqui..

quando penso no que ainda vai acontecer em nós, por nós e através de nós, agradeço a Deus por esse nó que nos uniu.
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escolha os melhores nós..
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ps inda bem que eu te encontrei.. volto logo.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

flores

"mamãe, onde é que tem espinho?", foi a pergunta que me fez sentir frio na espinha. para mim, era estranho ouvir essas palavras de uma criança de três ou quatro anos. seus olhinhos azuis como que só viam a rosa que tinha nas maõs. sua questão veio doce, mas cheia da certeza pueril. que a garotinha conhecia flores, eu imaginava. mas que ela sabia dos espinhos, isso me assustou.

gosto de encarar a vida com bons olhares. gosto de procurar respostas e sentido no que consigo ver e apostar no invisível, quando fica escuro. mas não é preciso viver muito para perceber que as muitas flores que vivemos têm também os seus espinhos. gosto do colorido, do cheiro bom e do romance com que a vida das muitas flores nos presenteia. inda assim, até as mãos pequenas são feridas pelos intrusos cortantes que ela traz consigo. parece pessimismo, mas é triste viver sabendo dos perigos. até as alegrias nos desafiam ao preparo para o depois. cada riso tem seu preço, cada lágrima, um porquê. o beijo é a véspera do escarro. o choro é o riso da dor. e como ela ri.. é vivendo que se descobre que o espinho é o preço da flor, que, vivendo, se morre aos poucos, pois o tempo nos leva aos pedaços.

é preciso flores já que a vida é jardim, mas é preciso conhecê-las, aceitá-las, superá-las. é preciso sobretudo conhecer o jardineiro, conhecer a história das flores e do jardim. no plano original só eram flores os enfeites, mas os defeitos da escolha nos cobram seus preços até hoje. o homem do jardim não ficou assim calado. fez tudo que pôde, mas já era tarde. uma promessa foi sua única arma: quando ele morresse, seu sangue seria o remédio para as flores, que acabaria com os espinhos. ele morreu. o sangue ainda está aí. pouca gente usa a fórmula, mas ela existe.

a pergunta inicial teve, no entanto, uma resposta bem oportuna: "não, filhinha. essa flor não tem espinho. o homem do jardim já tirou". a resposta da mãe contentou a pequena e a mim também. pensei na vida, nas flores e no sangue. embora ainda haja espinhos e sangue, há cura. existe cura através do sangue do homem do jardim. o tempo passa, mas nada apaga a receita das flores e das pessoas.

ande pela vida colhendo flores e curando vidas também. quando olhar uma flor por aí, lembre da história e do homem.

lembre-se.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

amado

"daniel, você é muito amado" (daniel 10:11).

nem havia aberto os olhos. ainda experimentava o gosto estranho do "amém" que acabara de dizer, encerrando a oração, quando alguém bateu à porta.. era o fedex. "senhor cândido gomes?", foi a saudação do homem de amarelo.. e eu mal podia acreditar. o documento que eu esperava há dias chegou a tempo, uma hora antes do limite da espera. foi um milagre. senti um toque do céu. senti-me lembrado por Deus, e, mais que isso, amado.

não consigo lembrar de muitas orações minhas atendidas assim tão rapido.. isso parece coisa exclusiva do pessoal da bíblia. mas vivi o suficiente para entender que cada filho de Deus pode protagonizar cenas deste tipo, ainda que não possa prever quando. parece que nossa memória prefere guardar as orações aparentemente sem respota, irmãs da demora.
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daniel viveu coisas assim também. um dia ele orou a Deus pedindo explicações (e quem é que nunca orou por explicações?) e a bíblia diz que, antes que ele pudesse levantar, veio um anjo do céu que lhe tocou no ombro, dizendo: "daniel, assim que você começou a orar, houve uma resposta, que eu lhe trouxe".. e aqui vem a frase que eu mais gosto: "porque você é muito amado" (daniel 9:23).

mas houve um outro dia em que o mesmo daniel fez outra oração, pedindo outras explicações.. só que desta vez sem muito sucesso. quando abriu os olhos, em lugar de receber a resposta de um anjo, ele não ouviu nada além do grito do silêncio. mas orou mais uma vez, e outra, e outra.. orou no dia seguinte e no outro, e no outro. a oração era mesma. jejuou, clamou, chorou. e foi assim durante três longas semanas, mas sem resposta. não sei se você já experimentou algo assim, mas não deve ser nada gostoso.
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ao final dos vinte e um dias, o mesmo anjo veio trazendo a resposta há muito pedida. a cena agora é outra. daniel está fraco, olhos marcados pela vermelhidão, cabelos desgranhados, voz rouca, e uma oração ainda viva.. a luz angelical invade o cenário escuro com a frase que agora soa diferente: "daniel, você é muito amado" (daniel 10:11). o que daniel talvez não soubesse é que desde o primeiro momento em que ele orou a Deus, suas palavras foram ouvidas. o mensageiro veio mostrar o que acontecia nos bastidores do céu, além do véu invisível que esconde a guerra espiritual entre o bem e o mal.

mesmo uma singela oração tem conotações cósmicas. ao orar a Deus, declaramos diante do universo de que lado estamos na guerra espiritual.. e estamos do lado vencedor, pois do outro lado da linha fina da oração estão os recursos ilimitados de Deus. mesmo a prece inocente de uma criança ao pé da cama, antes de dormir, não passa despercebida. nossa oração é o dedo mínimo humano que faz mover o braço onipotente de Deus.

ore. ore mais. ore sempre. quando você ora, o céu age em seu favor. pode ser no espaço de alguns segundos ou depois de longos anos.. se pudéssemos ver as coisas como Deus as vê, perceberíamos que isso não é o mais importante. o que importa é que o relógio de Deus nunca marca atraso e que somos filhos muito amados.
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se você vive seus vinte e um dias de silêncio, não desanime.. se você pudesse ouvir o que andam dizendo nos bastidores do céu, ouviria Deus dizendo assim: "espere mais um pouco, filho. vamos vencer essa luta. você é muito amado!" continue do lado de quem nunca perdeu uma batalha.. e o ama mais do que tudo.
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e abra os olhos.
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ps todo frio tem mais frio sem você. saudade dos abraços que mais amo. saudade de casa. e descanse..

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

espelho, 4/4

você alguma vez já se sentiu frustrado? já se sentiu angustiado ao perceber sua vida tomando rumos estranhos? já sentiu um aperto no peito ao desconfiar da sua felicidade? já teve medo de não ser feliz, de não estar fazendo a coisa certa? já se sentiu inseguro?

a vida é tão rara e tão frágil que às vezes dá medo de viver. inda mais quando existe um vilão à solta - o mal chamado pecado. o problema fica maior quando ele vem disfarçado, sob a máscara de um desejo sincero, uma necessidade real. em realidade, o pecado é um tipo de amor centralizado no objeto errado. e se com nossa visão vesga e carente de foco nos entregamos a esse amor doentio com tanta rapidez, como andar pela vida com passos seguros e confiantes, sem medo do futuro?

lembro bem de 1994. eu tinha oito anos e aquele foi o ano em que o plano real teve início no brasil. era uma segunda-feira e meu pai voltou mais cedo do banco em que trabalhava. aquele foi um dia de mudanças - uma nova moeda passava a circular no país. fiquei muito feliz ao ver meu pai chegar em casa ainda à tarde, mas parece que a alegria aumentou quando ele tirou do bolso a mais bonita cédula de r$ 1,00 que eu já vi na vida. meu irmão mais novo e eu recebemos uma nota, cada. fiquei como que encantado tendo aquele papelzinho verde nas mãos. não sabia o que fazer com tanto dinheiro.. não sabia como gastar. não sabia nem como guardar a minha pequena fortuna.. lembro que meu irmão correu imediatamente até a mercearia da esquina e trocou sua nota por várias moedas. dois dias depois, já andava arrependido de seu "negócio da china", pois perdera suas muitas moedinhas.

eu tive uma idéia melhor. voltei ao meu pai com a cédula nas mãos e pedi: "pai, o senhor pode guardar a minha nota?".. meu pai expressou a surpresa: "filho, pode ficar com ela. é sua!".. mas eu continuei: "eu sei, pai. é que eu tenho medo de perdê-la.."

meu pai guardou o meu dinheiro. guardou como eu não conseguiria guardar, e me devolveu quando decidi gastá-lo. o que eu comprei? não lembro. mas nunca vou esquecer a paz e tranquilidade que senti por saber que meu presente valioso estava bem guardado.

quando paro para pensar seriamente sobre o que estou fazendo da minha vida, às vezes sinto vontade de chorar.. a vida é uma só. tenho medo de não ser feliz de verdade. tenho medo de não cuidar bem desse dom precioso que o Pai do céu me confiou - a vida. e quantas vezes já me peguei fazendo o mesmo pedido da infância: "pai, guarda a minha vida pra mim, porque eu não consigo guardar e tenho medo de perdê-la"..

o pecado amarrou o leme da nossa natureza na direção errada. só é possível viver feliz quando entregamos nossa vida, nossa vontade, nossos planos e futuro nas mãos de quem não pode falhar.

se ao olhar para a sua vida perceber que já errou muitas vezes e perdeu muito do que tinha, tenho uma boa notícia para você: Deus aceita até as menores moedas, pois tem o poder milagroso de multiplicá-las.
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entregue sua vida a Deus, confiando que ele fará o resto.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

olhar

"..olhai para mim e sede salvos" (isaías 45:22).
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na bíblia, a salvação é apresentada através de figuras simples: um passo, um abrir de portas, um esconderijo, um resgate, um remédio... um fio escarlate, que lhe atravessa as páginas sagradas com um nó central, inviolável, em forma de cruz.. ou um olhar.

as palavras vêm do calvário, pois a salvação acontece quando mantemos os olhos fixos em Jesus.

uma ação: olhe para cristo e não para você mesmo – seu passado, seus pecados, suas limitações ou mesmo suas boas ações. olhe para cristo e não para as pessoas à sua volta – não se compare a elas, nem se guie pelos seus mapas. olhe para cristo, volte-se para ele, busque-o – ao dizer e ao calar, para aceitar e para recusar, para escolher, para entender, para esperar. olhe para cristo. quando olho para mim, não vejo como me salvar, mas quando olho para cristo não vejo como me perder. olhe para cristo..
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ele já está olhando para você.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

depois

"havia, entre os fariseus, um homem chamado nicodemos, um dos principais dos judeus. este, de noite, foi ter com jesus.." (joão 3:1-2).

um dos temas mais revistos no folhear das páginas da bíblia é a atitutude requerida dos homens ao se encontrarem com Deus. um Deus grande, santo, puro exige que as sandálias do orgulho, auto-suficiência e presunção sejam retiradas antes de suas entrevistas. é inegável a importância dada à maneira como vamos à presença de Deus. mas descobri que existe algo ainda mais importante. mais importante do que o "como vamos a Deus" é a forma como saímos de nossos encontros com ele.

há duas histórias bíblicas que ilustram essa verdade. lembra daquele rapaz anônimo, mencionado simplesmente como um tal de "jovem rico"? os evangelhos colocam diante de nós a atitude do riquinho. chegou com a melhor roupa, contando os passos, medindo as palavras. polido, reverente, uma atitude de quem, aparentemente, quer aprender, quer mudar. mas não foi guardado como segredo o triste fato de que o herdeiro mais invejado da região, depois de ter se encontrado com o próprio Deus-homem, "retirou-se triste" (mateus 19:22) e para nunca mais voltar. tudo o que se pode ouvir sobre o restante de sua experiência depois deste evento é um completo silêncio.

mas você consegue lembrar do grande nicodemos? respeitado pelos vizinhos e familiares, saudado pelas ruas, lembrado e referido como um profundo conhecedor da lei. ele também se encontrou com Deus. a bíblia conta que numa noite qualquer ele foi à procura de jesus. mas por que à noite? alguns tentam defender o doutor da lei com explicações de plástico. alguns argumentam que nicodemos foi ter com jesus à noite porque este teria sido o único espaço que encontrou na agenda do messias atarefado. isso não me convence, pois jesus não era o tipo de pessoa que deixava pra falar depois. jesus era o autor dos convites mais inusitados, era quem acolhia até os pequeninos.. para mim, nicodemos escolheu a escuridão da noite como o disfarce perfeito. ele não queria ser visto.

chegou às escondidas, de "salto alto", dono do saber, com alguns livros debaixo do braço. chegou questionador, com perguntas capciosas. chegou errado. mas não é difícil perceber que algo extraordinário aconteceu em sua vida. ele saiu dali com uma nova experiência, uma nova perspectiva, um novo batismo. um outro relato sobre nicodemos foi preservado: o momento em que ele e josé de arimatéia tomam o corpo de cristo e lhe dão um sepultamento digno. mesmo antes da cruz, a experiência de nicodemos já havia sido dividida em antes e depois de cristo.

no culto pagão o adorador é convidado a comparecer à presença de suas "divindades" com oferendas que lhes aplaquem a ira - o adorador é o protagonista do sacrifício. no cristianismo, a imagem do culto é totalmente invertida: é Deus quem realiza o sacrifício. o convite é para quem não tem mérito algum. o sacrifício já foi feito e o dom da cruz é oferecido a mãos pequenas e vazias como as suas e as minhas. não importa tanto como nos aproximamos dele. o importante é o tamanho do presente que ele nos concede se lhe abrimos as mãos e o coração.

não sei quando foi seu último encontro com jesus. mas lhe asseguro que você pode encontrá-lo até mesmo durante a leitura destas linhas. não importa tanto como você chegou a esta página. o importante é como você sairá. em sua experiência diária o céu quer escrever também um marco divisório, AC e DC - antes e depois de cristo.
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uma boa notícia: agora já é depois.
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ps um frio que nunca senti. e uma saudade agravada pela distância maior que já experimentei. mas Deus vai comigo. conto com suas orações..

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

milhas

não sei como anda sua vida esses dias.. não sei que espaço esta janela tem ocupado em sua rotina, mas fico feliz ao receber cada comentário, cada e-mail seu. até aqui dediquei um tempo especial para dividir com você as mensagens escritas. espero que continue clicando e dividindo comigo sua impressões sobre cada tema..

estou vivendo um momento diferente em minha vida e rotina. peço sua oração e compreensão, caso a freqüência das postagens diminua..
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um bonito sábado.
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ps descanse..

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

amanhã

as palavras de jesus têm uma força incomum. o pouco que ele escreveu na areia, o vento apagou, mas o que disse está gravado na mente e no coração de seus seguidores até hoje. no entanto, há algumas frases suas que soam de maneira estranha. não têm fácil explicação. uma delas me chama a atenção..

jesus ressuscitara ao nascer do dia. e uma pessoa especial se encontrava chorando, sozinha, na entrada do túmulo vazio. seu nome: maria madalena. ela não estava ali por acaso. tinha bons motivos para chorar a perda de jesus. não era sem explicação sua coragem de estar ao pé da cruz nas horas finais de seu mestre, enquanto os outros discípulos se escondiam pelos cantos da noite. sua vida fora marcada pelas palavras de jesus. deve haver algo incrível por trás da experiência de alguém que é liberto de "sete demônios" pela própria palavra de cristo.. de qualquer maneira, a vida de maria estava intimamente ligada à vida daquele que morrera.
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de repente, jesus quebra o roteiro triste da história e aparece vivo. maria é a primeira a vê-lo ressurreto e eu imagino o porquê.
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seguindo o impulso natural, maria corre para abraçá-lo, mas algo estranho acontece. jesus simplesmente se afasta, dizendo: "mulher, não me segure!" (joão 20:17). em outras palavras, "mulher, me solte!" como entender tais palavras vindas da boca de quem só tinha palavras de convite e aceitação? como entender jesus aqui? as palavras seguintes dão nova luz a maria e podem dar a nós também: "vá.. e conte aos outros o que ainda irá acontecer"..
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na caminhada espiritual corremos o grande perigo de nos apegar ao que já passou, ao que Deus já fez por nós no passado e até ao que nós já fizemos por ele ontem. mas as palavras "estranhas" de jesus acendem uma luz, mostram uma nova direção. o mais importante não é o que Deus já fez por nós, mas o que ele ainda promete fazer.. quem vive agarrado ao que foi ontem, não tem espaço nas mãos para receber o amanhã.. não devemos deixar que as grandes coisas que Deus fez ontem em nossa vida nos ceguem para as que ele promete fazer amanhã.
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ouvi tempos atrás a história de um menino que tinha um pai muito ocupado. os melhores momentos de sua infância ele vivera sem a presença do pai. tudo o que ele mais queria era ter o pai perto, estar com ele, mas isso quase nunca era possível.. um belo dia - um dia desses em que a gente sente que alguma coisa precisa mudar - o pai resolveu adiar todos os compromissos e passar um dia com o filho, só com ele. seria um acampamento. ele disse: "filho, prepare-se, pois amanhã nós vamos passar o dia juntos. só você e eu. nós vamos viajar e vai ser muito legal!". essas eram palavras mágicas para um garoto pequeno. já era noite. assim, ele correu para o quarto, escovou os dentes, pulou na cama, puxou a coberta e fechou os olhos com toda a força que podia. mal podia esperar chegar o amanhã. acontece que ele não conseguia pegar no sono. sua imaginação passeava, seu hoje era como que invadido pelo amanhã e isso não o deixava dormir.
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no meio da noite, o garoto vai até o quarto do pai e bate à porta. o pai fica assustado ao ver o menino acordado àquela hora. "o que aconteceu, filho?", pergunta. ao que o menino responde: "é que eu não consigo dormir.." o pai continua: "filho, você precisa dormir. lembra? amanhã é o nosso dia. vai ser um dia cheio. você precisa descansar!" o menino junta toda a alegria que o impedia de dormir e diz: "pai, é sobre isso que eu quero falar.. pai, obrigado pelo amanhã!"
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com jesus, o melhor ainda está por vir. se no passado ele nos ofereceu perdão e salvação através de sua morte, no amanhã ele nos promete o abraço da eternidade, quando de sua segunda vinda. às vezes eu me sinto como um garoto pequeno num quarto escuro, esperando a noite dessa vida passar. não sei se você já sentiu assim..
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a promessa mais bonita da bíblia está escondida nas palavras de jesus: logo logo a luz do sol de sua vinda vai brilhar, acabando com as trevas do pecado nesse mundo. que seu coração marque ansioso cada momento da espera.
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eu mal posso esperar esse dia amanhecer..

terça-feira, 18 de novembro de 2008

espelho, 3/4

a realidade do pecado se torna motivo de frustração na vida de muitas pessoas sinceras. gente que reconhece o mal que abriga. gente que conhece o seu salário - a morte. gente que busca um meio de se salvar, mas que em si só encontra explicações para sua perdição.

infelizmente, nessa luta de consciência, a frustração às vezes se transforma em cinismo. enquanto as mentes mais "lúcidas" da filosofia e antropologia se apressam em negar a existência de algo como o pecado, outras mais "abertas" ironizam a pregação cristã que anuncia uma vitória sobre o pecado.

em casa, nas últimas férias, assistia a um programa direcionado ao público jovem, quando um dos que participavam disse uma coisa que soou em tom de gracejo, mas me chamou a atenção. "quem já dobrou a esquina do pecado, sempre dá a volta no quarteirão", sorriu. é assim que muita gente encara a realidade do problema do pecado. se essa inclinação para o mal ou para o prazer irresponsável que possuímos se chama pecado, então não há como resistir.

como vencer o pecado? é possível vencer o pecado? existe algo mais natural do que pecar? e, sendo tão natural pecar, seria mesmo necessária uma vitória sobre o pecado?

se você, assim como eu, tem mais perguntas que respostas, a boa notícia é que estamos mais perto de Deus quando carregamos conosco dúvidas sinceras do que quando sustentamos crenças vazias. se você tem um forte desejo de ser melhor, de ser bom, de resistir o pecado, agarre com todas as forças a certeza da bíblia de que "àquele que não conheceu pecado, Deus fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça (2 coríntios 5:21). essa graça é concedida não por méritos nossos, afinal, que mérito tem a mão que simplesmente se estende para receber um presente? o mesmo milagre que tornou possível ao pecado repousar sobre a perfeição, fará que a justiça cubra o pecador arrependido. isso se chama justificação - o jeito que Deus usa para nos livrar da culpa do pecado, e esse é o primeiro degrau da escalada cristã.

se você, ao olhar atentamente para a sua vida, perceber que está seguindo o rumo errado, lembre-se que Deus encheu a estrada de retornos - retornos abertos com cravos e cruz. isso é graça.
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próximo retorno a um passo.

domingo, 16 de novembro de 2008

caminhada

tem certas coisas na vida que não dá para fazer depois.

pergunte àquele sujeito apressado, com olhos como que enfeitiçados pelo relógio que marca caprichosamente 23:49h, correndo para encerrar a matéria principal do jornal de amanhã. pergunte àquela senhora de cabelos grisalhos que tem de tomar o ônibus para a penitenciária no dia do aniversário do filho mais novo. ou pergunte a um daqueles dois: o marido que já não é mais querido e esconde na mala suas últimas esperanças e umas poucas peças de roupa para os dias incertos que virão, ou a esposa escondida entre as crianças chorosas no quarto, que não se encontra em meio às perguntas que vêm dos lábios dos pequenos - que inda não aprenderam o que significa final.

existem coisas que têm de ser feitas agora. não admitem atraso, desculpas, demoras.. e trazem consigo os frutos que lhes permitimos produzir. o tempo não perdoa ninguém. e o único tempo que nos pertence é o presente.

a bíblia já revela esse segredo faz tempo. a vida cristã é descrita em muitos textos como uma "caminhada" ao lado de Deus. mas esse "caminhar" com Deus não é uma opção, é uma necessidade. não é um ideal, é o único jeito de ser cristão. não quer dizer que em certos momentos, certos fins de tarde da vida, você vai passar em frente à casa de Deus e convidá-Lo para um cooper espiritual - uma corridinha rápida, uma pequena intensiva no relacionamento para enfrentar uma crise, uma desilusão, a perda de alguém.. longe disso! não há espaço para sedentarismo espiritual no cristianismo, pois religião é o relacionamento do "agora". não fazem sentido todas as imagens bonitas guardadas nas molduras da lembrança. não faz sentido ficar sentado no sofá polindo as medalhas douradas que já se recebeu pelos quilômetros suportados com bravura ao lado do mestre. não faz sentido andar muito tempo com Deus se, em algum momento, você soltar sua mão e tentar andar sozinho, ou mesmo desistir de andar.

lembro que quando eu era menor gostava de conferir a seção de brinquedos de cada grande loja que visitava com meus pais. mesmo que não fosse ganhar nada, eu me divertia passeando por entre as prateleiras repletas de jogos, cores e preços. mas lembro de maneira especial de um dia em que estava com minha mãe, entrando numa dessas lojas bem grandes. naquele dia ela não podia esperar, e ao perceber o brilho dos meus olhos ao nos aproximarmos da tal seção, logo avisou que não poderíamos parar. eu tentei argumentar e, soltando a sua mão, disse as palavras mais tolas que um garoto de cinco anos poderia dizer: "vá na frente, que eu encontro você.."

brinquei por alguns minutos. anotei na memória o que queria ganhar no próximo natal. mas não demorou muito para tudo aquilo ficar sem graça.. não é preciso ser um adulto para perceber que uma loja de brinquedos não é o lugar ideal para uma criança ser feliz. eu tinha que encontrar a minha mãe!

eu não consegui encontrá-la - e não é difícil entender por quê -, mas ela me encontrou.

muitas vezes me sinto como um menino perdido em meio às prateleiras coloridas da vida, perdido do Pai, sem conseguir e, às vezes, sem nem mesmo querer encontrá-lo.

o conselho da bíblia é para você e é para agora: "busque ao senhor enquanto pode achá-lo" (isaías 55:6). mas vá com uma certeza: ele já está à sua procura. é Deus quem nos visita a cada manhã com a semente da vida, e nos convida a andar com ele, sob a luz de sua palavra. aceite esse convite agora, e depois, e depois..
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está esperando o quê?

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

dia santo


dia santo

o sol já vai partindo, dando início ao dia santo / toda alma pecadora se entrega ao seu encanto / da imutável lei divina é a marca mais perfeita / o sinal que traz alívio à fiel nação eleita / toda bênção nesse dia é sempre redobrada / se minhas vontades pessoais são desprezadas / quão imaculado exemplo deu o pai em seu descanso / encerrando seu trabalho e nos dando um dia santo // dia santo, dia do senhor / o teu pôr-do-sol revela o plano redentor / dia da aliança / selo da esperança / marca de um povo escolhido pelo amor // muitos acreditam que o dia não faz diferença / basta ser sincero e a Deus oferecer a própria crença / mas a bíblia é clara quanto ao dia escolhido / sábado no éden foi o dia definido // és bem-vindo, és bem-vindo / santo dia do senhor / és bem-vindo, és bem-vindo / santo dia do senhor

bom descanso..

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ps poema por felipe tonasso, delmar reis e cleverson pedro canção por cleverson pedro. lembrança de uma época de ouro. deca, clevinho e negão.. Deus abençoe cada um onde estiver.. saudades.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

fim

"a graça do senhor jesus seja com todos. amém" (apocalipse 22:21).
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a bíblia é um livro de histórias. em lugar de conceitos, suas páginas guardam o registro de experiências vividas por homens e mulheres, em seu crescente relacionamento com Deus. invés de odisseias protagonizadas por heróis invencíveis, as páginas sagradas expõem tropeços e quedas de pessoas vulneráveis e comuns, ao longo de sua caminhada de fé.

cada história, no entanto, carrega a marca de um personagem principal. o mesmo verbo que criou o mundo, age em cada cena, cada capítulo escrito pelos filhos de Deus. da primeira à última palavra. do princípio ao amém..
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amém.. aliás, mesmo num texto grego, a última palavra da bíblia é de origem hebraica, e quer dizer "assim seja, verdadeiro, firme, seguro". sua raiz semítica 'amn' tem como sentido genérico "merecer confiança, confirmar e apoiar". expressão freqüente do antigo testamento, em alianças e promessas, e ainda viva nos lábios de jesus no novo testamento (as palavras "em verdade, em verdade" são simplesmente uma tradução de amen amen).
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o amém é uma confirmação expressa diante de uma nova informação ou mesmo de verdades antigas, que decidimos abraçar a cada momento. é uma assinatura vocal. é uma resposta pessoal.
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mas para joão, o amém é mais que um combinado de sons. é mais que uma afirmação, mais que uma interjeição. para o discípulo amado, o amém é uma pessoa (apocalipse 3:14). cristo é a testemunha fiel e verdadeira. ele é a verdade em essência. ele é o amém. e não poderia ser diferente. ele que é a primeira palavra é também a última. ele que é o princípio é também o fim. ele conhece todas as histórias. ele é o autor e é também o consumador da obra..
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a primeira palavra: cristo. a última palavra: cristo. ele é a inspiração de cada linha, a força de cada vitória, sentido de toda busca. ele é tudo em todos.. é assim nas histórias da bíblia. e em sua história?
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que cristo seja o primeiro e o último em sua vida. que ele seja a primeira e a última palavra em cada dia seu, em cada projeto, em cada relacionamento, em cada espera, em cada sonho.. que ele seja o tudo em seu tudo.
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e fim..

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

princípio

bereshit barah elohim são as palavras hebraicas originais, que inauguram as páginas da bíblia. amada por uns, contestada por outros, "no princípio Deus criou" (gênesis 1:1) é uma das sentenças mais conhecidas do mundo. revela um ato criativo e misterioso do passado, mas é possível que diga bem mais..
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a estrutura é simples. da direita para a esquerda (que é como se lê o hebraico), temos os elementos da frase. elohim é um termo que se refere a Deus, que poderia ser literalmente traduzido por "deuses". mas a terminação plural do hebraico nesse caso, antes de tudo, aponta para a grandeza da divindade, bem como para sua força e poder infinitos. barah é um verbo e significa "criar", mas com um detalhe importante: barah se refere a uma criação diferente, não a partir da matéria, como indicam outros verbos, mas a partir do nada. Deus criou a partir do nada..

agora chamo sua atenção para o último (ou o primeiro) dos termos. bereshit. essa, na verdade, é uma palavra composta, comumente traduzida como uma espécie de advérbio de tempo. aqui temos a união de dois termos. be - que é uma preposição (no hebraico as preposições podem vir assim, aglutinadas à palavra com que tem mais ligação) com muitos significados: em, por, através de, por meio de, etc - e reshit, variação da raiz rosh - que também possui muitas traduções: cabeça, início, princípio, principal, raiz, etc.
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o que para muitos contém uma informação simples é tema de muitos estudos no mundo da teologia. a questão é: o que moisés queria dizer de fato com essas três palavras? estaria a ênfase do texto no tempo ou no modo da ação de Deus?
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existe uma antiga tradição rabínica que opta por outra interpretação de gênesis 1:1. segundo ela, bereshit não indica tempo, mas modo. logo, sua tradução não seria "no princípio", mas "através do princípio" ou do cabeça - o que é perfeitamente aceitável, em hebraico. sendo assim o rosh não seria uma marca fria na linha cronológica da eternidade, mas um instrumento da criação. o "princípio" não seria um quando, mas um quem. não seria um tempo, mas uma pessoa..
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avançando para as páginas do novo testamento com isso em mente, é possível experimentar uma sensação diferente quando ouvimos joão apresentar cristo como o verbo encarnado, dizendo que "todas as coisas foram feitas por meio dele, e, sem ele, nada do que existe foi feito" (joão 1:3); ou quando lemos na correspondência de paulo uma das maneiras como ele mais se refere a cristo: "ele é o princípio" (colossences 1:18), o cabeça, o primogênito, o primeiro - o principal.
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"através de cristo Deus criou.. e o espírito pairava sobre as águas". a trindade presente nas primeiras palavras do gênesis.
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através de cristo Deus criou o mundo e tudo que existe. é através de cristo que Deus deseja recriar o mundo. e mais que isso, é através de cristo que Deus quer recriar a minha e a sua vida. a verdade é que, para Deus, é muito mais fácil criar a partir do nada, como no princípio, que recriar hoje, contra a vontade humana. o Deus é o mesmo. o poder é imutável e infinito. o instrumento, cristo. a matéria é o nada que somos. o plano é nova criação, em cristo jesus.
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que você dê lugar em sua vida para o instrumento perfeito de Deus para criar e recriar. que sua vida seja palco para os grandes atos de Deus e que você sinta a alegria de ser uma nova criatura..
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amanhã tem o fim.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

azuis

não faz sentido
procurar sempre um sentido,
as respostas aos pedidos
que a solidão me traz.
enquanto falo
e divago em procuras
por explicações mais puras
a existência se desfaz.

se tenho medo
e me escondo dos pesares
e desejo que pros ares
vá metade do que vejo
só egoísmo

me preenche enquanto vivo;
não sou mais que informativo
dos meus mais tortos desejos.
quero aceitar
aquelas coisas sem sentido,
os segredos do infinito,
que apontam para o céu.
minhas procuras,
que tão justas me parecem,
muitas vezes escurecem
meus sentidos mais azuis.

preciso calar.
preciso sorrir.
preciso largar de tentar completar
o que é pleno em sua falta.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

confiança, 1/2

na hora de tentar libertar o cão de uma armadilha, extrair um espinho do dedo de uma criança, ensinar um menino a nadar ou salvar alguém que não sabe, conduzir um principiante assustado em um local perigoso nas montanhas, o único obstáculo fatal talvez seja a desconfiança deles.

pedimos que confiem em nós desafiando seus sentidos, sua imaginação e sua inteligência. estamos pedindo que creiam que o que é doloroso aliviará seu sofrimento e o que parece perigoso é sua única salvação. pedimos que aceitem aparentes impossibilidades: que mover a pata de volta para a armadilha é a única maneira de sair, que machucar muito mais o dedo acabará com a dor, que a água, inegavelmente permeável, resistirá e suportará o corpo, que se agarrar ao único apoio a seu alcance não é o jeito de evitar o afogamento, que subir um pouco mais até uma saliência maior é o caminho para não cair.
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para explicar todas essas incredibilidades, podemos contar apenas com a confiança do outro em nós, uma confiança certamente sem fundamentos aparentes, claramente prejudicada pela emoção. e, talvez, se formos estranhos a eles, não poderemos contar com nada além da confiança que podem transmitir a expressão de nosso rosto e o tom de nossa voz ou, no caso do cão, nosso cheiro.

às vezes, por causa da incredulidade, não conseguimos grande coisa. mas se tivermos sucesso, será porque acreditamos, contra todas as evidências. ninguém pode nos culpar por pedirmos essa fé. ninguém pode culpá-los por tê-la. ninguém vai dizer depois que o cão, a criança ou o garoto foram tolos por confiarem em nós.

para Deus somos o que o cão, a criança, o banhista ou o montanhista foram para nós, mas em grau muito maior.. confiança são se explica.
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c.s. lewis

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

listas

às vezes tenho a impressão de que meu dia cabe em uma lista.

costumo listar minhas tarefas. e são tantos verbos, que nem sempre sobra espaço na agenda. coisas que preciso fazer, comprar, preparar, estudar, resolver, reclamar, discutir. esses são verbos da ação. roubam tempo e energia. triste é quando esses são os verbos principais na rotina e duro é encarar minhas listas passadas e perceber que em muitos dias quase não há tempo reservado para os verbos da reflexão: orar, meditar, silenciar, descansar.

cansei de ser refém de minhas listas encantadas, regidas pela ansiedade e seus muitos verbos - ter, parecer e aparecer, conquistar, superar, encontrar. cansei de tentar dominar o tempo e esbarrar nos outros. cansei de correr nas esteiras do egoísmo e patinar nas frustrações.cansei de olhar a vida através das vidraças quebradas dos sonhos desfeitos. cansei de tentar por mim.

um dia desses escrevi uma nova lista. não para um dia apenas, mas para me acompanhar sempre, lembrando verbos essenciais. em resumo, entendi que preciso de muito mais tempo com o Verbo principal, aquele que é a origem de todos os verbos e que dá sentido à lista da minha existência. entendi que preciso ser cada dia menos de mim e mais dele, e isso requer tempo - um tempo especial.

reveja suas listas. reavalie seus dias. tome tempo para os melhores verbos.
e descanse.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

espelho, 2/4

em dias como os nossos em que as pessoas se apresentam diante do mundo com seus muitos cartões, estilos, idéias, salários, diplomas, cabelos, ou mesmo orkuts, é raro encontrar alguém que se conheça.

o que mais se encontra é gente frustrada, ou por não saber quem é ou por descobrir dentro de si algo diametralmente oposto ao que diz e espera ser. são pessoas boas que, num momento ou outro, se descobrem más - e a ironia da vida é descobrir que os bons também são maus -, ou pessoas ruins, que se deixam vencer pela idéia de que são piores do que pensavam. a vida é assim, reveladora. e arrisco dizer que não há um ser humano que saia da história sem notar o monstro que carrega dentro de si. parece que as pessoas mais próximas da realização são as mais sensíveis ao mal que lhes é inerente.

costumo acordar cedo. e, antes de sair do meu quarto para qualquer atividade, paro dois minutos na frente do espelho e, pelo menos, cinquenta diante de Deus. esse não é tanto um segredo para ser bonito, no sentido raso do termo, mas para saber quem de fato eu sou. quando dedico tempo diante da bíblia, as máscaras caem e o coração se abre. uma atitude humilde em relação a Deus e sua palavra é o único meio eficaz para alcançar auto-conhecimento.

tempos atrás, visitei um desses muitos grupos chamados AA (alcoólicos anônimos) que existem por aí. lembro que entrei naquela sala pequena e enfeitada com mais receio que curiosidade. tomei assento numa das últimas cadeiras e, aos poucos, vi chegando os interessados. uns saídos da escuridão das ruas desertas àquela hora, meio fora de si, como que denunciando uma recaída ou marcando a sua primeira visita ao lugar, outros bem diferentes: barba feita, cabelo cortado, camisa bem passada, olhar decidido, mãos firmes. um desses últimos deu-me um susto ao se dirigir à frente para dar início à reunião da noite. sentando-se numa cadeira especial, ele iniciou seu discurso, dizendo: "meu nome é josé. eu sou um alcoólatra" - palavras estranhas vindas de um homem sóbrio. ouvi muitas histórias naquela noite de segunda-feira. ouvi de pessoas que há muito tempo não punham sequer uma gota de álcool na boca, mas reconheciam-se doentes, alcoólatras, sabendo que se uma pequena janela for aberta, um "primeiro gole" for dado, um montro pode invadir novamente sua vida e destruir mais uma vez a família, as finanças, o futuro.

é assim com o pecado. é só baixar a guarda por um momento e somos dominados por um estranho mal que há dentro de nós. é preciso se conhecer bem, conhecer quem somos quando as luzes se apagam, quando os olhos não nos vêem.

diante do espelho de Deus existe um lugar chamado sinceridade, que arranca de mim as palavras, cheias de vergonha e verdade, "meu nome é cândido. eu sou um pecador". reconheço que sou marcado pelo vírus do pecado. sou doente. minha carne é fraca, meu olhos, maus. reconheço que por mim mesmo não posso ser melhor do que sou.
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ainda não terminou..

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

árvores, 2/2

"árvores agradáveis aos olhos e boas para alimento" (gênesis 2:9).

no primeiro capítulo (para ler árvores 1/2, clique aqui), relembramos a história de um jardim especial e comentamos o porquê do teste das árvores. agora quero convidar você a ouvir mais de perto o diálogo entre a mulher e a serpente, à sombra de uma delas. com base em que informações eva decidiu comer do fruto proibido? já pensou sobre isso?

diante da oferta inusitada de um animal, tudo que eva tinha como defesa era a palavra de Deus. era a palavra do criador contra a de uma criatura. Deus dissera que quem comesse do fruto proibido morreria, mas tudo que a mulher tinha ao alcance das vistas era uma serpente que tanto vivia quanto falava, e falava o contrário - "certamente não morrerão!" aliás, junto com essas palavras vieram outras que chamaram ainda mais atenção: quem comesse daquele fruto se tornaria como Deus! (gênesis 3:5). mas é este ponto que me chama a atenção. há algo estranho nestas palavras, nesta oferta..

em primeiro lugar, satanás está oferecendo o que não podia dar. já pensou nisso? oferece um fruto, mesmo sem ser o dono do jardim, das árvores ou dos frutos. ele era sim - o que continua sendo - um intruso. oferece vida, desdizendo o próprio Deus - dono, autor e essência da vida. insinua ser portador de uma verdade tão grande quanto secreta, sendo ele mesmo o pai da mentira.
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em segundo lugar, satanás está oferecendo o que eva já possuía. oferece identificação com Deus - "vocês serão como Deus" (gênesis 3:5). mas isso eva já tinha, pois fora criada à imagem de Deus (gênesis 1:27). oferece um fruto "agradável e atraente" (gênesis 3:6), o que o casal também já possuía. a bíblia diz que Deus encheu o jardim com todo tipo de árvores "agradáveis e boas" (gênesis 2:9). essas lhe palavras são familiares?
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eu fico me perguntando: por que somos tão rápidos para aceitar as ofertas mentirosas do diabo e tão relutantes em aceitar as ofertas abundantes de Deus? será que o que ele nos oferece não é melhor? antes de responder a essas questões, eu preciso lhe perguntar: você acredita mesmo que Deus é bom.. e que as coisas que ele nos oferece são as melhores? como é Deus para você?

o pecado cria em nós sensações estranhas, para as quais não fomos criados. são falsas necessidades, falsas urgências, falsas prioridades que diminuem a vida que recebemos de Deus e, conseqüentemente, nos afastam dele. ao fechar esta janela você vai voltar para sua batalha diária, mas que dessa vez você vá decidido a andar pelo lado seguro do jardim. e que escolha experimentar o sabor dos frutos que Deus plantou ali para você.

oro por você.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

parábola do chuveiro

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era uma vez um homem que decidiu que não iria mais tomar banho. todo mundo se assustou com a estranha notícia. a esposa protestou e ameaçou largá-lo. os filhos tentavam esconder a identidade do pai, na escola. os amigos ligaram para saber detalhes da história. e o homem começou a colecionar explicações.

a uns ele dizia que tudo se tratava de um trauma de infância - fora banhado à força pelos pais, quando criança, e sem direito de escolha. a outros contava que até costumava tomar banho, mas isso logo se tornou uma coisa chata. no trabalho, explicava tudo com a falta de tempo. aos vizinhos, dizia que há tantos tipos de sabonete que ele não conseguia escolher um que não lhe danificasse a pele. aos mendigos avisava que as pessoas que se banham são hipócritas - e se acham superiores às outras - e os despedia sorridentes. ao espelho repetia em silêncio: "nenhum dos meus amigos toma banho.." aos pais, que ligaram de longe preocupados, explicou que voltaria a tomar banho quando ficasse tão velho quanto eles. aos filhos prometeu que se banharia no natal e na páscoa, sem falta. aos transeuntes curiosos anunciava em cartazes fixados no muro: "cuidado! os fabricantes de sabonete estão somente atrás do seu dinheiro". e à esposa, a quem menos poderia enganar, simplesmente disse que achava o banheiro deles muito frio.

e assim os dias foram passando, com perguntas óbvias e respostas vazias. o que o homem não revelou a ninguém foi seu verdadeiro motivo: era alérgico a água - o que é mais comum do que ele poderia imaginar. tinha vergonha. e agora, querendo se curar apenas piorava a situação. sujeira não cura nada. cuidado com o perfume francês.

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quem lê entenda.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

santo

"lembra-te do dia de sábado para o santificar" (exôdo 20:8).

quando eu era menor, ouvia que nós deveriamos ser santos. por ser filho de pastor, recebi o título de tudo, menos santo. na infância, a idéia de santidade é confusa. serei santo se ficar quieto na igreja, e se obedecer o papai e a mamãe.. santidade está ligada a coisas que se faz ou se deixa de fazer. e ainda por cima, Deus é visto como alguém que está constantemente olhando se fui bom ou ruim, como papai noel.

quando cresci, muitos esperavam santidade de mim e dos outros ao meu redor, e com razão, afinal a bíblia diz: "sede santos porque Deus é santo.." mas, mais uma vez, baseando-se em coisas que fazemos. hoje, eu busco santidade como todo cristão. mas devo dizer que na biblia santidade não comeca com algo que o humano deve fazer.

a bíblia diz "lembra-te do dia para o santificar". quando a palavra santidade, ou santificar, vem à nossa mente hoje em dia, naturalmente pensamos em coisas visíveis e físicas. este lugar é santo, o santuário no deserto era santo, esta pessoa é santa. mas na primeira vez que em que a bíblia menciona a palavra "santo", no hebraico qadosh, ela fala do quê? de algum objeto? ou uma pessoa? de comportamento? não! em gênesis 2:3, Deus descansa e santifica o dia de sábado! ele torna tempo santo. não é um objeto, uma pessoa ou um lugar. é um tempo.

pergunta fundamental: o que é santidade?

a primeira resposta que todos dão: é separação. e esta é uma bela resposta, pois na raiz hebraica de qadosh existe algo nesta direção - cortado, separado. porém, a palavra é grande e complexa. aborda um mistério chamado santidade que não se resume em simplesmente dizer: "santo é ser separado". o pensamento ocidental tenta sempre obter respostas rápidas. a preocupação é com o saber. "se eu souber, então fico tranquilo", dizem. o hebraico, no entanto, apresenta uma estrutura que ao mesmo tempo é complexa e simples. mistério.. um exemplo é o santuário no deserto, a morada de Deus. por que era santo? simplesmente porque era separado? não! era santo porque Deus estava ali. santidade, ao mesmo tempo que implica em separação, é presença. se uma pessoa se diz santa, mas não têm a presença de Deus, sua separação das outras coisas se torna duvidosa. se uma pessoa se diz santa mas continua cheirando como o mundo ao seu redor até o ponto de não se perceber diferença nenhuma, a santidade é questionável. a presença de Deus é o que torna tempo, coisas e tudo mais santo.

por que, então, logo de primeira Deus santifica tempo, um dia, o sábado, e não uma pessoa ou um lugar? Deus quer deixar um príncipio de santidade bem claro. ele não separa simplesmente este dia dos outros, mas o abençoa e o enche com a sua própria presença. enquanto o mundo no dia de sábado corre atrás de coisas e de espaço, Deus nos convida a santificar tempo para apreciar a sua presença. portanto, não vá dormir a tarde inteira neste dia de descanso, ou ficar louco atrás de afazeres "santos". a palavra shabbat (descanso, sábado) vêm da raiz hebraica yashab, que significa "assentar-se". no sábado não estamos correndo feito loucos, nem deitados dormindo o dia todo, mas assentados, na expectativa de entrar em contato e aprender deste Deus que se faz presente neste dia em especial, de uma maneira diferente dos outros. somos separados para estar na presença de Deus.

um dos meus autores favoritos, abraham heschel, em seu livro "o sábado" diz: "se uma pessoa não aprende como degustar o sabor do sábado.. ela nunca poderá apreciar o sabor da eternidade no mundo que está por vir..". por que ele escreve isso? já que no sábado temos a presença de Deus, aqueles que neste dia esperam, e se lembram, e o guardam, valorizam a presença de Deus. se Deus se faz presente neste dia, todas as outras coisas são então deixadas de lado, não porque está na lei somente, não porque Deus assim o fez somente, mas porque neste dia Deus está presente e ponto. o céu será uma experiência única porque teremos o prazer de estar para sempre na presença de Deus. portanto, experimentar esta presença desde já não é simplesmente necessário, é imperativo. o ponto de santidade não está fundamentado nas coisas que você faz ou deixa de fazer, ou neste ou naquele lugar. o fundamento está na presença de Deus.
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sendo assim, "lembra-te do dia", e descanse.

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por tiago arrais, 24. pastor da igreja adventista do 7° dia, hoje vive nos eua, onde cursa mestrado em antigo testamento na andrews university. tiago também é cantor e compositor. recentemente lançou seu primeiro cd (introdução - nt), em parceria com seu irmão andré.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

parêntesis

quando o assunto é pecado, sempre aparece, mesmo sem ser convidado, um intruso chamado julgamento prévio.

esse tal às vezes vem escondido - se nos bolsos de paletós bem cortados ou na mochila surrada, não importa -, mas sempre vem. diz-se por aí que é fácil identificar pecados na conduta das pessoas. alguns chegam a se apoiar nas palavras bíblicas "pelos seus frutos os conhecereis" (mateus 7:20) para explicar sua atitude covarde e desleal. o que não percebem é que o texto diz "pelos seus frutos os conhecereis" e não "pelos seus frutos os condenareis".

condenar tem que ver com pecados, é verdade. palavras ditas, roupas vestidas ou desvestidas, comidas e bebidas, presença em lugares "impróprios", ausências das mais diversas - isso, segundo a óptica vesga de quem ousa julgar, traduz o completo sentido do que seja pecado e essa é a munição de que precisam para seus ataques grosseiros e intempestivos.

conhecer é algo totalmente diferente. condenar é fácil, conhecer é difícil. condenar só leva de nós um pouco de saliva e uma dúzia de palavras arrogantes. conhecer exige mais. exige atenção para obervar o todo. exige tempo para a maturação dos frutos (atos). exige espaço para a dúvida. exige humildade para perceber a ignorância. exige ousadia para a repreensão. exige consagração para a intercessão. exige, sobretudo, um milagre: o perdão.

quem simplesmente condena, desconhece a existência de algo errado na vida das pessoas erradas (e uma delas sou eu), algo além de seus muitos pecados: o pecado, em sua essência. desconhecem a existência do vírus que percorre as veias dos atos e até dos pensamentos de todos nós, os azarados escolhidos para viver neste planeta errado.

não faz muito tempo, ouvi a história de uma viagem num trem lotado. era mais um daqueles dias que amanhecem frios e tristes do inverno europeu. em um certo vagão iam pessoas normais, com destinos normais, para atividades normais, em um dia normal. não queriam muita coisa, só o silêncio frio no vagão já lhes bastava. de repente, um choro de criança rouba-lhes o último privilégio. as pessoas acordaram, entreolharam-se, e como se o choro não fosse parar nunca mais, um homem se adiantou aos pensamentos da maioria e gritou: "alguém aí dê um jeito nessa criatura!".. silêncio por um momento. mas a desculpa tímida veio do homem que tinha o bebê nos braços: "desculpem-me, senhores.. é que o meu bebê não dormiu a noite toda. minha esposa morreu, seu corpo está no vagão de cargas. vamos em direção à nossa cidade natal para enterrá-la.. mas eu não sei muito bem como acalmar meu pequeno.. desculpem-me". o primeiro homem se calou envergonhado, duas mulheres se aproximaram para ajudar, o nenê dormiu e a viagem seguiu.

o pecado é um grito desajeitado em meio ao silêncio harmonioso da criação de Deus. o pecado fez até o próprio Deus chorar. há quem só perceba, e chegue mesmo a condenar, o choro das crianças no vagão dessa vida ingrata e desconheça a história do Pai que sofre.

antes de usar os dedos para condenar, use os joelhos para orar.
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antes de condenar, conheça.

domingo, 26 de outubro de 2008

parábola do rato

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era uma vez uma menina que não tinha um rato. mas, talvez influenciada pela popularidade de figuras como mickey mouse, topogígio e tom e jerry, a garotinha resolveu que queria porque queria um.. assim, toda manhosa, foi contar para o pai de sua mais nova e estranha necessidade. mas o pai não concordou com a idéia, explicando o perigo de ter um ratinho - as doenças, a sujeira, e essas coisas.

a menina insistiu, chorou, esperneou, mas nada mudou a ordem estabelecida.

o tempo passou e o pai teve que fazer uma viagem. iria passar dias longe, trabalhando. a família ainda se despedia na sala, quando a idéia veio. a pequena correu para o quarto, abriu uma das gavetas e encontrou o cofrinho. não pensou duas vezes: quebrou o porco, pensando no rato. juntou as moedas e saiu de casa, dando à mãe uma desculpa qualquer.

foi à loja de animais que ficava ali perto. aproximou-se do balcão e, mesmo sem conseguir enxergar quem estava do outro lado, entregou o saco de moedas, dizendo: "me dá um rato, moço". o moço que não tinha nada com a história, pegou as moedas e lhe entregou o bicho.

a mocinha voltou para casa toda feliz. trancou-se no quarto e começou a brincar com o novo amigo. e brincou, brincou, brincou.. e fim.
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o problema é que enquanto a menina amar mais o rato que ao pai, ela não vai querer que o pai volte. mas ele vai voltar. por isso cuidado com os ratos.

quem lê entenda.
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ps saudação ao mestre valdecir lima. quem lê entenda, de novo..

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

lembra-te


lembra-te
será que a lei quebrada foi na cruz? / ou anula foi? perdeu o valor? / mas como devo explicar que Deus não muda / que sua palavra é uma? / e como compreender / que o autor de toda vida / separa um santo dia? // eu sou criatura, Deus é criador / quem cria e restaura é o senhor / sábado perfeito / creio e obedeço / gravado na pedra para que / eu lesse: lembra-te // do dia santo e da criação / monumento da graça no meu coração / será que o que eu creio é mera teoria? / idéias distorcidas? / mas impossível é negar o que a palavra afirma / a força que me inspira // me recuso a crer no que os outro dizem / no que o mundo exige / como no passado, hoje a minoria / sustenta essa doutrina / perfeito dia em meio à lei que é eterna / descanso na promessa // eu sou criatura, Deus é criador / quem cria e restaura é o senhor / sábado perfeito / creio e obedeço / gravado na pedra para que / eu lesse: lembra-te

e descanse.







ps poema e canção por tiago arrais. faixa 4 do cd dos irmãos arrais - introdução. vale a pena ter o encarte, ler as poesias, dar os créditos.. você me entende.

árvores, 1/2

"a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos" (gênesis 3:6).
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imagine uma mulher no meio de um jardim, conversando com uma serpente voadora, que lhe oferece uma fruta de uma tal árvore proibida.. não, você não está lendo o quarto volume de "o senhor dos anéis".. é a bíblia. assim, o gênesis, o livro dos começos, conta como o pecado entrou no mundo.

muita gente, inclusive teólogos, não dá crédito a esse relato. para eles, trata-se mais de uma parábola, um mito, que aponta para realidades espirituais transcendentes. eu não encaro as coisas bem assim.. pois a história esquisita ganha sentido quando encaramos da perspectiva correta os protagonistas e o enredo em questão.. "por que uma árvore? e por que um fruto?", alguém pode perguntar. chega a ser estranhamente engraçado pensar que a história do mundo foi decidida por uma mulher diante de uma árvore. mas existem respostas a essas perguntas dentro de você e de mim.

antes de tudo, Deus. ele é o personagem principal da história. ele cria adão e eva. estes são livres. mas precisam de algo para provar a eles mesmo e ao resto do universo que servem e adoram a Deus por amor, e que esta é uma escolha consciente, fruto da confiança que têm em seu criador.

aqui entra a árvore.. e por que uma árvore? eu respondo com outra pergunta: exceto o casal e os animais, o que mais havia no jardim do éden além de árvores? nada.. e Deus achou sábio testar o casal, privando-o do fruto, e até mesmo das redondezas, de uma das muitas árvores que havia ali. e sabia que ainda é assim hoje?

naquele tempo não havia muitos tipos de roupa, para que Deus indicasse que tipo os seus seguidores não deveriam usar. não havia muitos tipos de bebida, para que algumas fossem proibidas por Deus.. naquele tempo não existia youtube. Deus não podia apontar os vídeos proibidos. não havia muitas músicas, muitos pratos, muitos relacionamentos, muitos lugares, muitos negócios, muitas diversões.. só havia árvores. e foi isso que Deus usou. mesmo sem muitas explicações, sem uma análise minuciosa do fruto da árvore, adão e eva tinham que dar provas de sua fé.
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quais são as suas árvores? o que chama atenção de seus olhos? o que lhe dá água na boca? o que existe do outro lado do seu jardim? onde você precisa dar provas de sua fé? pense nisso e ande do lado certo do jardim..

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no éden tem mais.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

carta, 2/2

eu espero que você entenda meu texto. esperar é uma sopa quente que tem que ser tomada aos poucos. esperar é ruminar uma comida já engolida, é se tornar um pouco boi um pouco vaca. porque, na verdade, poucas coisas são instantâneas na vida, bem poucas; e já que é assim, o jeito é esperar.

pra começo de conversa, é preciso esperar longos nove meses até uma criança se formar e botar o olho pra fora, pra ver o mundo. depois é preciso esperar pra poder aprender a falar e andar. e os pais que o digam! tão melhor se os nenês já pudessem dizer porque choram.. muita gente com certeza abortaria o projeto gangorra, britadeira ou qualquer outro modelo de “chacoalhada”, amplamente usado para abafar o tal desespero. sim, pra abafar o desespero dos pais porque a criança de colo, duvido que curta aquele saculejo todo e, claro, não pára de chorar.

é preciso esperar os benditos dezoito anos pra tirar uma carteira de motorista. diga-se se passagem, os dezoito anos mais demorados na vida de qualquer garoto que sonha em dirigir. e existe algum que por acaso não sonha? também é preciso esperar alguns anos até transpor aquela ponte bendita que nos coloca na universidade, quando enfim deixaremos de estudar a tal física quântica que nos irrita para enfim nos aprofundarmos nas matérias que nos são afins.

esperar e esperar.. acho que nascemos para esperar. quem por acaso já não esperou pelo derradeiro: "sim, quero namorar você!" estratégia esta que nem mesmo nos tempos modernos foi erradicada. a ciência ainda não descobriu, mas garanto que é transmitida pelos gens, de mãe pra filha. portanto, nunca vai sair de moda. está convicta, sonhou com o pedido noite e dia, não se cabe de contentamento, mas.. "eu te dou a resposta amanhã". ahrrrrr! e essa espera dói pra burro, pra cavalo, pra koala, pra qualquer bicho.

esperar é antes de tudo sentar a procura de uma nuvem quando ainda em sol aberto a metereologia avisa que vai haver chuva.

esperar é pegar hormônios adolescentes e apressados e confiná-los a uma solitária. porque jovem quer tudo pra ontem, ora! estes dias li uma frase: “urgente é o que você não fez em tempo hábil e quer que eu faça em tempo recorde”. verdade absoluta, nem sei quem escreveu mas acertou na mosca, certeza.

esperar é puxar o freio de mão na descida desvairada e inevitável da montanha russa do tempo. esperar é trocar a loucura pela sensatez, é deixar de ser imediatista e se tornar meio budista. esperar que na política vençam os mais capazes, os mais honestos é quase uma brincadeira de cobra-cega, uma utopia. esperar que um amor dure pra sempre é o supremo desejo de todo ser que se apaixona.
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esperar é e sempre será um exercício de fé no que virá, no que será.

por isso espero nunca desistir das minhas lutas, dos meus sonhos, mesmo quando por vezes me sinto um atirador fracassado, um soldado sem mira, errando meus alvos, não alcançando meus objetivos. espero nunca dar baixa do exército das minhas conquistas. espero não sucumbir até ver meus sonhos e ideais realizados e me pergunto: até onde um soldado aguenta viver sem medalhas, sem troféus? e fixo meu olhar na parede desnuda do meu recinto a procura de lauréis que não encontro. e penso alto: será que resistirei por muito tempo? só que aterroriza-me a idéia de ao desistir, o estar fazendo justamente a um passo da almejada glória. e estremeço ao pensar que isso nunca saberei por haver desistido quem sabe um minuto antes. por isso ainda prossigo e espero um pouco mais. espero ver o poder do amor transformando vidas em vez de simplesmente aproximando pessoas que, por mera conveniência ou por gostos e hábitos em comum, se divertem na companhia uns dos outros.

espero que aqueles que amo desesperadamente jamais se ausentem da minha vida. e se isso acontecer um dia, espero que não fique louco, que alguém surja do além e venha ocupar um lugar de destaque em mim preenchendo aquele vazio, aquele espaço que falta no quebra-cabeça do coração onde só os amores plenos encaixam.

e espero que a essa altura ninguém me trucide achando que meu texto deveria estar rumando pra um fim e parece estar longe de chegar lá. calma, espere, nem sei como acabá-lo ainda! espero me tornar um ser paciente, e aprender com a ampulheta invisível dos dias que esperar faz parte da felicidade. porque o livro santo afirma: “bem-aventurado os que esperam…” e fico então dopado, “draminizado” ao saber que existe virtude na calma, na paciência, nos resultados que podem vir.

percebeu que nesse universo, do lado de cá da linha que nos separa da perfeição o que é instantâneo quase sempre é negativo? talvez amor à primeira vista seja uma das raras exceções. e existe? talvez foto digital seja outra. tragédias são instantâneas - furacões, terremotos, ataques do coração e assim por diante. destruir é sempre mais fácil que construir. leva-se anos para lapidar uma obra de arte, apenas minutos para destruí-la. leva-se anos para ver uma árvore crescer e minutos para queimá-la, reduzindo toda sua beleza a um punhado de carvão. leva-se anos para construir um paraíso que em alguns segundos qualquer bomba atômica transforma em nada. é po risso que é melhor esperar, e é também por isso que existe virtude nos passos lentos mas firmes do tempo, que constrói, edifica e que só assim esculpe verdadeiras jóias.

esperar até que não dói, mas como incomoda! mesmo assim, contra minha impetuosa e imediatista vontade, espero. pra quê queimar a boca com sopa quente? e a tomo aos poucos, saboreando cada colherada, me transformando num ser degustativo e altamente sensorial. e espero que você me suporte assim, “zen”, um bicho “paz e amor”. e mesmo que não me entenda, espero pelo menos que na corrida desenfreada da vida você não me atropele. porque se trombar em mim, a sopa quente pode derramar toda em você. e daí eu espero que você, queimado e agonizando de dor, não venha botar a culpa em mim. afinal de contas, quem mandou se afobar?
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espere.




por jader santos, 46. atualmente morando no interior do paraná, jader santos é músico, escritor, produtor, poeta e pastor adventista. é um mestre. suas letras me motivaram a escrever e suas melodias inconfundíveis compõem a trilha sonora de momentos marcantes da minha vida. é um prazer ter sua amizade e suas idéias por aqui.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

parábola da festa

a cidade era pequena, mas naquela noite haveria uma grande festa. uma celebração há muito anunciada e esperada. só um detalhe incomodou a alguns..

antes que o sol nascesse, bateram à porta de maximus, deixando-lhe um embrulho e uma carta. a encomenda era dos organizadores do evento. envolvida num papel bonito, estava uma camiseta. a carta dizia que esta deveria ser sua roupa da noite e que pontualidade era exigida.

o rapaz achou estranho, mas resolveu olhar melhor a tal camiseta. aí veio o problema: a peça não agradou. não era da grife que ele costumava usar. a cor, embora viva e jovial, não era a sua predileta. a revista da última semana dizia que o modelo não estava mais na moda. e, além disso, ninguém em sua casa vestia coisa assim, deixada na porta.

e assim sem entender muito bem a carta, a festa ou a camiseta, maximus se dirigiu ao local no horário marcado. era um salão muito grande, com paredes de um vidro, mais que transparente, quase invisível. do lado de fora, foram muitos os encontros: eram amigos, vizinhos, parentes e muita gente desconhecida.. e mesmo de fora era possível ver lá dentro rostos familiares - todos com camiseta e riso novos, cores alegres e ar de comemoração. agora, com um pacote nas mãos, mais um convidado tem que decidir se vai entrar ou não..
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quem dá a festa paga a conta, mas pode escolher o traje. cuidado com as revistas.
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quem lê entenda.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

espelho, 1/4

já percebeu que as pessoas hoje não gostam de falar sobre pecado? "pecado" parece ser um conceito que não se encaixa no que hoje chamamos "politicamente correto". qualquer jogo de palavras que contenha a fórmula "pecado", aos ouvidos modernos, soa meio agressivo, deselegante, e por que não dizer quadrado e ultrapassado? é comum ouvir por aí alguém falar de erros, falhas, desacertos, inadequação, desarranjo, tropeços e até mancadas, mas "pecado".. isso não.

para alguns, "pecado" não passa de uma expressão empoeirada e secreta das páginas do livro preto das igrejas. para outros, é o mote hipócrita dos discursos de mercenários da religião - gente que viola a privacidade das escolhas individuais e tira proveito da culpa para lucrar em nome da fé. há quem pense assim. há também quem nem sequer se dê o trabalho de pensar sobre essas coisas.

o que não se explica é o senso natural que todos os homens e mulheres - de diferentes cores, em diferentes lugares e momentos da história - temos do que é correto, em essência, e do que é prejudicial ao ambiente comum. e não venha me dizer que isso é produto da evolução, pois, se fosse assim, os homens seriam cada vez melhores e caminhariam rumo à perfeição moral. não é isso o que leio nos jornais..

não se explica também o vazio que preenche tantos corações, a insatisfação com quem somos, a querença do melhor, a descrença no que temos. ninguém pode explicar, com caneta e papéis frios nas mãos, as segundas-feiras da vida, os baixos que teimam em suceder os altos que vivemos, o incômodo que causa a invariável "morte".

é, de fato, ousado afirmar que certas atitudes nossas ferem uma lei sobrenatural e de origem eterna, atitudes a que damos o nome "pecado", como ousado também é colocar em risco o egocentrismo materialista que produzimos com nossas escolhas. o problema é que o conceito de ousadia hoje também é muito pobre. ousadia, segundo a "tv-logia", é traspassar o nariz com um fio de metal. é ingerir álcool até esquecer o próprio endereço. é viver sem roteiro. é despentear o cabelo. é dizer mais "sim" que "não". é buscar ser diferente, mesmo que isso signifique se tornar uma cópia idêntica de alguém, ou de um certo grupo de alguéns.

a mensagem da bíblia é uma mensagem ousada para nossos dias. é só abrir suas páginas para ler, e sem rodeios: você é muito pior do que você pensa. ela conta uma história que a gente tenta desconversar. é um tratado contra o relativismo leviano. mas seu enredo não é de filme de terror, de um juízo de fogo. é mais uma espécie de suspense, cujo capítulo final quem escreve é você. o que você vai fazer diante dessa realidade?

você é muito pior do que pensa, mas Deus é muito melhor do que você possa imaginar. qual será o seu final?
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continua..

domingo, 19 de outubro de 2008

parece


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parece que nada acontece
os dias são iguais / conversas casuais / passos, os mais normais / possíveis / olhos que não se vêem / olhos que já não crêm / em provas que se lhes dêem / visíveis / medos de tantos outros erros do amor / dedos que buscam outros dedos / peito vazio, sem segredos // parece que nada acontece / na vida de quem não tem ninguém / parece que o medo enfrequece / e rouba a coragem de viver / parece que nada acontece / e se acontece não se vê / parece que nada acontece comigo // sossego contumaz / noites que tanto faz / desde que durma em paz / comigo / herança de quem quer / viver só pro que quer / tristeza e o que trouxer / consigo / se problematizei atalhos do amor / se me vendi à analgia / venda-me um banho de água fria // comigo vai tudo bem / bem longe do ideal / quem vive sem ter um bem / será que vive? / quem vive sem ter um bem / será que vive?

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ps poema, canção, violão e voz por cândido gomes. esta canção é para quem ainda vive sem um pedaço..

madrugada

não sei que horas seu relógio marca agora. talvez seja madrugada aí.. se é, não sei porque você ainda está acordado. pode ser que simplesmente o sono não tenha vindo ainda, mas pode ser muitas outras coisas..

quem sabe, não queira dormir com medo de alguma coisa que vai acontecer amanhã. talvez seja a ansiedade que não lhe deixa fechar os olhos. pode ser insônia ou vigília, à espera do filho que ainda não chegou. pode ser angústia, remorso, aflição.. ou apenas um hábito.

aqui, meu relógio marca 3:17 am e eu ainda não consegui dormir. não sei direito os motivos, mas desconfio de quais sejam.. sinto um misto de ansiedade e saudade. espero ansioso o que vem e choro silencioso o que foi. sinto falta de casa, dos abraços que mais amo na vida. sinto falta da lara.. espero respostas, viagens, milagres.. e sei que virão. mas enquanto não vêm, é difícil dormir.

as luzes se apagaram faz tempo. todos dormem. e o silêncio parece me convencer de que Deus pode me ouvir melhor agora. oro. parece que as orações mais sinceras são assistidas pelas madrugadas da vida. hoje, oro não tanto pela cura das feridas que a saudade me fez, ou pela confirmação dos planos que fiz. oro para que minha vida seja palco aberto para a realização dos sonhos de Deus. sei que não escolheria caminhos diferentes para meus dias se pudesse ver o fim desde o princípio, como ele pode. oro por mais experiências de fé ao seu lado. oro pela paz de seu perdão e pela alegria da salvação. não quero me entregar ao barulho dos palpites do mundo. em silêncio, quero ouvir a voz de Deus, pois, tão certo como o sol logo vai nascer, Deus ouve e responde a oração dos que o buscam no silêncio da madrugada.

não sei que horas marca o relógio de sua vida.. não sei qual é sua oração silenciosa de hoje. mas sei que Deus pode ouvi-la. ore. e espere a resposta que vem com o brilho do sol. o que passou calou, o que virá dirá.
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e durma.





ps oração da madrugada poema, canção e voz por daniel salles (negão). talvez essa música fale mais do que eu possa dizer a essa hora.. se a bíblia fosse escrita hoje, este seria meu salmo predileto.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

laranja

"amanhã será dia de descanso, sábado.." (êxodo 16:23).

em dias vazios de sentido, de explicações e de fé, Deus se apresenta: eu sou o criador.

em dias em que a pressa parece ser a solução e a sentença de muitos, Deus tem um convite inusitado: descansar.

em dias em que a memória é fraca e dependente dos orkuts da vida até para lembrar das datas mais importantes, Deus pede insistentemente: lembre-se.

hoje muitos líderes religiosos que arvoram ser porta-vozes do céu pedem que nos esqueçamos de coisas que o próprio Deus nos pediu que lembrássemos. depois de criar o homem, Deus lhe pediu que nunca esquecesse de descansar no dia sábado. quando o céu vai alaranjando na sexta à tarde, eu me lembro de Deus. de um pôr-do-sol a outro, comemoro a existência e providência do meu criador.

escolha um lugar especial para ver o sol se pondo. faça uma oração e receba a bênção que o sábado contém.

não esqueça.. e descanse.

quer saber?

venho por meio desta manifestar minha forte oposição ao conhecimento! você pode dizer: "adema, qual é o seu problema?" (e acidentalmente encontrar a rima). mas a surpresa disso tudo é que eu estou embasado!

para sustentar minha opinião vou refletir sobre as possíveis causas que levaram ao primeiro pecado da humanidade! satanás encobrificado (com o perdão do neologismo) disse a eva que Deus não queria que ela conhecesse o bem e o mal, pois isso a tornaria tão poderosa quanto ele. ela saberia o que Deus sabia: o outro lado da moeda. e essa curiosidade a fez cair. vocês acham que realmente valeu a pena adquirir esse conhecimento?

um grande amigo meu, quando sabia dessas fofocas cabeludas, dizia: "cara, eu nem fazia idéia, como é bom não saber!" outro, quando foi informado de que uma jovem estava aos prantos em público, disse: "se for fofoca, eu não quero saber". quão sábia foi a sua decisão, não?
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por que insistimos tanto em saber sobre o passado das pessoas, se Deus, o senhor do universo, já as perdoou e esqueceu suas falhas? e vou além, que valor tem se você dirigir uma vez na vida uma ferrari e perder o poder de dar valor àquela boa voltinha no seu fuscão. de que vale passar experiências extraordinárias e não conseguir dar valor às maravilhosas peculiaridades do cotidiano real? não vale a pena conhecer lugares maravilhosos se você não vai conseguir ser feliz em sua própria casa! talvez seja por isso que Deus nos orienta a não fazer sexo antes do casamento. ele não quer que você fique lembrando daquela relação e não dê valor ao que sua esposa (ou marido) tem a oferecer.

mas no meio disso tudo, Deus quer que saibamos de uma coisa. na história de jesus e a mulher samaritana, ele diz: "se você soubesse o que Deus pode dar a quem lhe está pedindo água, você pediria, e ele lhe daria a água da vida" (joão 4:10). e disse mais: "a pessoa que beber dessa água que eu lhe der nunca mais terá sede" (joão 4:14).é isso que jesus quer que nós saibamos: que ele nos ama e pode satisfazer nossa eterna busca por algo que nos complete. que apenas ele pode fazer isso, e não conhecimento ou experiências.

que ele nos ilumine na escolha do que queremos saber, que tipo de conhecimento vamos adquirir. e que as coisas que passamos nesta terra não nos desviem do foco ou nos tornem infelizes. e o mais importante: nunca esqueçamos que apenas a água da vida pode saciar nossa sede.
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beba sem moderação.







por ademar ferreira, 21. estudante de publicidade e propaganda, atualmente reside em engenheiro coelho-sp, onde estuda e trabalha. conhecido por seu bom humor, é companhia agradável e amigo de longa data.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

parábola do elevador

elevadores são lugares estranhos. uma caixa de ferro, onde se encontra gente desconhecida que lhe acompanha em uma pequena viagem - para cima ou para baixo. as pessoas não se tocam, não se falam, não se olham.. preferem assistir todas juntas o espetáculo dos números luminosos que acendem e apagam, mudos.

elevadores são uma parábola do mundo que criamos - um lugar lotado, impessoal, onde anonimato, isolamento e independência são a regra e a doença.. na geração dos relacionamentos descartáveis, pouco se sabe sobre envolvimento de verdade. uma das estratégias do diabo hoje é banalizar a existência humana, enfeitiçando-nos com explicações vazias, como a pressão do tempo, exigências do trabalho, crises pessoais.. e passamos pela vida nulos, sem dividir nem somar.

cristo viveu de um modo diferente. ele, o pensamento audível de Deus, foi o mestre na arte de parar para ouvir lamentos de cegos, tocar leprosos, ouvir histórias de gente sofrida, comer com quem não tinha companhia, lavar pés empoeirados.. jesus não era do tipo apressado, que deixa para falar depois. não tinha secretária, não marcava hora.. não entrava em elevadores.

e você? o que acha de resgatar as refeições significativas, as noites em família sem ruído de televisão? que tal encontrar ocasiões para um envolvimento real com pessoas necessitadas, ao invés de somente orar por elas?
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pare o mundo que eu quero descer. cuidado com o elevador.

quem lê entenda.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

olhar e confiar


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olhar e confiar

ao olhar pra mim / tudo que eu consigo ver é escuridão / tudo que parece ser é ilusão / que aprisiona quem só vive para si / ao olhar pra mim / sinto dores, tenho medo de não ser feliz / são visíveis os efeitos do que eu tanto quis / já me feri demais, preciso olhar além / além de mim, além do fim / além de coisas que perdi / preciso encontrar sentido em minnha cruz / preciso conhecer a história de outra cruz // e quando olho para trás / sou levado a esquecer o que hoje choro / e a mudar as orações que hoje oro / eu consigo ver além da minha cruz / quando olho para trás / noutra cruz eu vejo cristo abrir os braços / ganho forças pra seguir em novos passos / eu começo a entender o que virá / através dos planos que ele irá realizar / se eu apenas confiar // ao olhar atrás / vejo mais que simplesmente uma condenação / vejo marcas, vejo morte que me traz perdão / tudo que sinto aqui ganha sentido então

"olhai para mim e sede salvos" (isaías 45:22).

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ps poema e canção: cândido gomes câmera: mariana luongo cenário: unasp-ec. esta é uma das faixas (12) do novo cd da riane junqueira. é melhor ouvir o cd..

terça-feira, 14 de outubro de 2008

carta, 1/2

viver é esperar. nunca tinha verbalizado esse pensamento antes, mas é assim. a vida passa e a gente espera.

há esperas inevitáveis. a gente espera a hora de nascer, mesmo sem saber. nascido, não vê a hora de crescer. e, crescendo, espera um monte de coisa. espera a bicicleta, o primeiro beijo. espera tirar a carta de motorista. espera sair da faculdade. espera o casamento.. espera as férias, espera o natal. espera inclusive, mesmo que sem muita animação, o dia em que as esperas acabam. vive esperando que o dia chegue, pois sempre tem algum dia que precisa chegar: o dia do "sim", o dia do "não", o dia da volta, o dia da prova, o dia do encontro, o dia em que, finalmente, teremos algo a mais, mas que simplesmente precede uma espera a mais - a espera de mais um dia.. viver é esperar que o inverno termine e a flor desabroche, que a semente germine e a saudade afrouxe.

há esperas intermináveis. são esperas inconscientes, muitas vezes. a gente vive esperando o tempo da mudança, da melhora, da vitória - o momento em que vai ser melhor, em que vamos vencer traços de caráter, traumas, crises, dores.. o dia em que a dor não vai existir nem na lembrança.. são esperas sem fim, mas com finalidade. viver é esperar que o jogo vire, que o beijo dure, que a moda volte e o tempo cure.

há também esperas necessárias. e esse é o tipo mais interessante para mim. certas esperas têm o poder quase milagroso de dar gosto e sentido às consecuções. a vida de muita gente não passa de uma constante oscilação entre a ânsia de querer e o tédio de possuir, mas isso é fruto de esperas imaturas, mal recebidas, mal vividas. a simples espera pela refeição que se está preparando parece que lhe dá um sabor especial. o cheiro bom que vem da cozinha chega a causar arrepios em alguns..

estas esperas necessárias avançam em complexidade e é possível perceber seu valor até no rosto e na rotina de um rapaz apaixonado que espera pela decisão de sua amada. o desafio de esperar que o amor nasça em outro coração amadurece o amor que já existe no seu. até um olhar indiferente, uma palavra meio indecisa, um aceno casual já lhe rega a esperança.. e quando, finalmente, ganha de sua musa o abraço do coração, tudo que vem com ele é revestido de um sentido quase sagrado. é a coroação. não é um ponto final, mas uma porta aberta para sua felicidade. o caminho que leva a ela é mais que esperar, é esperançar.. viver é esperar que a fila ande, que a chuva passe, que o fruto caia e a maré baixe. são esperas inevitáveis, intermináveis, necessárias..

viver é esperar.. mas será que esperar é viver?
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espero resposta.
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ps será que o que você vive esperando é mesmo o que você espera viver? pense nisso..

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

parábola do salva-vidas

de repente, um grito rasgado anunciou a metade da gente bronzeada que alguém se afogava. um menino começou a chorar. o cachorro, intruso na praia, se entregou ao latir. a bola parou. o sol se escondeu. e a velha avisou: "isso sempre dá em morte"..

no meio da confusão, o primo do afogado, que estava de férias ali, sugeriu que chamassem o salva-vidas da praia, ao que responderam sem palavras e muitos olhares de repreensão. ele não entendeu nada e ficou calado dali em diante, rezando pelo primo. ao mar correram o pai, o tio e o vizinho. homens fortes, nadadores de longa data, fariam de tudo para salvar o garoto do pior. logo conseguiram trazer o menino à areia.

de longe, um sujeito de barbas longas, olhos claros, pele violentada pelo sol, observava tudo com expectativa. mesmo que soubesse prever o que aconteceria, não tomava parte na cena sinistra. ele era o velho salva-vidas do lugar.. durante anos fora protagonista de inúmeros salvamentos naquela praia, mas agora andava desacreditado pelas pessoas, devido a um triste episódio que ele, mais que ninguém, levava cravado na memória.. tempos atrás, uma garota muito querida na vila entrou no mar.. foi se afastando lentamente e tudo sob os atenciosos olhares do guarda da praia. até que, por segurança, ele pulou na água para buscá-la. os banhistas observavam a tudo e puderam ver o salva-vidas voltando sozinho de dentro do mar. a menina morreu e todos lançavam a culpa sobre aquele que, como afirmavam as testemunhas oculares, matara a moça.
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o que ninguém sabia, nem queria acreditar, é que a garota estava bêbada. andava triste na vida a ponto de nem querer mais viver. entrou no mar para morrer e mesmo os esforços do homem que salvava foram evitados por ela. naquela manhã houve uma luta no mar, mas nas águas profundas um afogado opcional sempre vence seu salvador. lá dentro não existe tal coisa como um dar a vida para resgatar a de outrem. isso só acontece em terra firme.
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agora, havia mais um corpo na beira do mar sendo visitado pela morte lenta. fora tirado de dentro da água, mas a água ainda estava dentro dele. seus pulmões não resistiram à presença estranha da água salgada e o menino morreu. afogado em terra firme, bem ali, ao alcance das vistas de quem poderia salvá-lo.
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mesmo assim, o salva-vidas continua lá, esperando algum perdido desavisado que ouse chamar por ele, mesmo sem conhecer-lhe o nome.. crendo que algum dia as pessoas dali irão perceber que existe outra água que mata. cuidado com a água - a de fora e a de dentro..
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quem lê entenda.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

longe

longe de casa é que se aprende coragem.
longe da escola é que se aprende verdade.
longe do aplauso é que se aprende humildade.
longe dos olhos é que se aprende honestidade.
longe das mãos é que se aprende trabalho.
longe do abraço é que se aprende saudade.
longe de mim aprendi novos começos.
longe de Deus só se conhece um mesmo fim.
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não sei se você já se sentiu como eu: onde quer que esteja, estou longe - de alguém, de um lugar, de um ideal.. há coisas que só o tempo e a distância nos revelam. algumas acalmam, outras assustam. mas são verdades que escondemos por detrás da rotina e das facilidades - somos nós. longe do nosso tudo predileto, somos nós mesmos e fim. estou longe.. mas onde quer que eu esteja, tenho sempre Deus por perto. isso é tudo.
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volto logo.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

atalho

"a arca da aliança do senhor ia adiante deles" (números 10:33).
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gosto de observar as pessoas. é possível ler muita coisa em seu jeito de andar pela vida.

às vezes passo tempo imaginando explicações para o andar tímido de alguns, os passos firmes de outros.. um penteado esquisito, um sorriso inextinguível, um silêncio inviolável, um palavrório de esquina - cada um em seu mundo, escrevendo sua história, sem muitas notas explicativas, sem muitas conclusões.

num mundo de tantas rotas relativas, a vida de muitos mais se parece uma corrida frenética em busca de um atalho para lugar nenhum.. e, querendo inventar um modo próprio de andar, os coadjuvantes do mundo das celebridades se rendem aos finais invariáveis que a vida real oferece.
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o povo de israel andando pelo deserto em busca da terra prometida é um tipo da realidade que se materializa em nossa caminhada pela vida. moisés, um tipo de cristo, era quem ia à frente. o abrir do mar vermelho apontava para aquele que viria como mestre das circuntâncias, senhor dos mares da vida - o único que pode acalmar as tempestades que afligem os que o seguem de perto. mas um outro símbolo me chama a atenção nas páginas empoeiradas no antigo testamento. Deus mandou que os melhores artistas da época, entre outras coisas, fizessem uma arca. todo o ornamento externo era um símbolo pálido da beleza do que ela iria conter: uma carta escrita pelo próprio dedo de Deus - um roteiro para a caminhada daquela multidão de escravos libertos e para todos os que no futuro fossem libertos do pecado pelo sangue de cristo.
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a arca era levada pelos sacerdotes, homens escolhidos, e simbolizava a própria presença de Deus. ia à frente, indicando a direção em que israel deveria andar. o povo ia atrás, seguindo à distância, quase um quilômetro depois (josué 3:4) da arca da aliança. isto tem algo a nos ensinar.. Deus tem um lugar melhor para onde quer nos conduzir. embora nunca consigamos atingir ou mesmo nos aproximar da perfeição de sua lei, ela continuará nos indicando o sentido em que devemos caminhar. não importa o quão longe estamos da perfeição, desde que caminhemos em sua direção.
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quem você tem seguido ultimamente? os erros mais populares? as figuras mais estranhas? os rostos mais bonitos? os prazeres mais baratos? as idéias das 6, das 7 ou das 8? quem (ou o que) você tem seguido?
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Deus conhece o fim da estrada e quer nos dar a alegria do final feliz. será que ele não saberia o caminho mais seguro para chegar lá? a lei que rege o universo pode dirigir também a sua vida.
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siga a arca.


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ps "a tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho" (salmo 119:105).

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

não sei se não sei

ah! o que dizer
se eu não sei?
o que pedir
se eu não sei se sei,
se eu não sei se quero?
o que dizer
se eu não sei se nem sei?
mas,
o que espero
se eu não sei
se alguém sabe
o que eu não sei?
não sei -
isso sei.


e que importa
só saber e não sentir?
que importa só saber
fingir?
quem não sabe
que só sabe
o que quer saber?
e quem não sabe
que só sente,
mesmo sem saber?
ah, não sei..
não sei se sei
dizer,
nem se não sei dizer
fim.

depois de mim, fim.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

corredor

"e nesse dia descansou" (gênesis 2:2).
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algo ocorre no organismo das crianças de 4 a 11 anos, que lhes proporciona um prazer inexplicável quando se tornam sujeitos do verbo "correr".

creio que era esta a sensação que corria pelas veias do menino apressado, em direção ao pátio.. até ser interrompido pelos gritos e gestos de uma das professoras. "pare, pelo amor de Deus!" repetia nervosa. o garoto parou diante dela, ainda ofegante, tão somente para ouvir o que já ouvira outras quinhentas e quarenta vezes: "você não sabe que é perigoso? você pode cair e se machucar.. ou esbarrar em alguém, correndo assim".

mas desta vez, acendeu-se uma luz e o rapazinho perguntou: "professora, qual é o nome desse lugar em que nós estamos?" o sermão ia continuar, mas ele a interrompeu, repetindo a pergunta: "só me diga isso: qual é o nome desse lugar?" meio desconfiada, a mulher respondeu: "isso é um corredor". foi o suficiente. "então", continuou o menino, "corredor é o lugar de correr.." e saiu correndo.
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a má notícia é que, com o passar dos anos, este gosto pela corrida abandona os pátios e invade a rotina. o que era brincadeira vira doença, e nós nos tornamos crianças crescidas que não sabem aonde vão, reféns de uma vida que não pára, e vai depressa, sem avaliar a rota, rever os mapas, acrescentar perspectivas, corrigir erros, encontrar sentido.
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mas há uma boa notícia. pelos corredores da vida, o criador espalhou, e com intervalos precisos, um lugar de descanso - o sábado. "sábado" vem do hebraico shabbat, cuja raiz pode ser traduzida como um verbo, "cessar" (associação com o final de um trabalho), ou como um substantivo, "descanso". a esse espaço no tempo Deus deu um nome especial e o selo de sua aprovação. ele mesmo parou ali. ao terminar a obra dos seis dias de trabalho, ele mesmo descansou..
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depois que o céu ganhar as cores do pôr-do-sol de hoje, é possível que alguém o chame para correr.. talvez seu chefe o convoque para continuar a corrida do trabalho. quem sabe um professor marque uma corrida extra na faculdade. ou alguém ligue, convidando você para uma corridinha, entre amigos, numa festa, num bar.. mas você sabe o nome do ponto em que estamos no tempo. ou não sabe?
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o nome do sétimo dia é descanso.. as portas estão abertas. a mesa está posta. há um lugar especial para você. o anfitrião o espera ansioso. a bagagem fica na entrada. só traga as mãos cansadas e as feridas abertas. ali há cura e descanso.
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pare. entre.. e descanse.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

praia

cresci numa ilha. isso não é muito romântico, quando se divide o espaço com mais umas oitocentas e tantas mil pessoas, mas morar a poucos minutos da praia me ensinou algumas lições que nunca vou esquecer.

lembro que, ainda pequeno, cria como ninguém em miragens. desconhecendo a existência de um grande porto ali por perto, ficava encantado com a freqüência com que elas apareciam - todas as vezes que eu olhava o horizonte.

lembro dos baldes e pás especiais para praia e dos castelos feios que conseguia fazer. lembro que chamava de biquíni minha sunga. lembro do medo que meu irmão menor tinha de água-viva. lembro de um dia em que quase me afoguei, mas não contei nada para minha mãe.

lembro dos primos que vinham de longe e de sua reação ao conhecerem o mar. para mim era estranho. para mim o mar sempre foi grande, sempre maior que a televisão. era como se eu o conhecesse desde sempre.

lembro, no entanto, com mais carinho das vezes que ia a pé à praia com meu pai. a gente acordava cedo e chegava lá a tempo de ver o sol acabando de nascer. lembro das corridas que ele me deixava vencer, dos mergulhos que me deixava dar, saltando de suas costas. mas lembro de algo mais. lembro de como gostava de encontrar, no dia seguinte, as pegadas que eu tinha deixado na beira do mar. e lembro o segredo do meu sucesso de todas as vezes: era só procurar as marcas de um pé bem pequeno - como os meus - acompanhadas de marcas dos maiores pés do mundo - os pés do meu pai. assim, me divertia encaixando meus pés no espaço aberto pelos pés que eu queria seguir.

hoje voltei àquela mesma praia. cresci e já não olho a vida com a mesma inocência e otimismo daqueles dias. geralmente quando vou à praia penso na vida. penso em minha família. penso em Deus. sozinho, gosto de repensar meus passos, analisar escolhas e encarar de frente o futuro. a que altura da vida estou? de que lado tenho andado? aprendi que, mesmo no mundo de gente grande, ainda é fácil saber. basta procurar as pegadas certas - as pegadas do Pai. não há maneira mais segura de andar (e viver) do que seguindo as pegadas que ele deixou ontem. segure sua mão e lhe entregue os passos.
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vá em frente.
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ps este texto foi escrito da ilha de são luís, no verão passado.